Pular para o conteúdo
Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Reiki funciona para ansiedade? O que a pesquisa mostra

Reiki é uma prática de origem japonesa em que quem aplica aproxima ou apoia as mãos sobre o corpo de quem recebe. Pra ansiedade, as revisões de estudos discordam: a Cochrane, em 2015, concluiu que não havia evidência suficiente pra dizer se ajuda ou não; revisões mais recentes encontraram resultados favoráveis, mas com poucos estudos, pequenos, e os próprios autores chamam os achados de inconclusivos. No SUS desde 2017, o reiki é prática integrativa e complementar, que não substitui tratamento.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Reiki funciona para ansiedade? O que a pesquisa mostra: comparação lado a lado
CritérioReikiPsicoterapia
O que éReiki: Uma prática de imposição de mãos. Segundo a descrição do Ministério da Saúde, parte da ideia de uma energia universal canalizada que equilibraria a energia vital.Psicoterapia: Um tratamento conduzido por uma profissional de saúde mental, com método e teoria sobre o sofrimento psíquico, em que você fala do que sente e vive.
Como é uma sessãoReiki: Quem aplica aproxima as mãos do corpo da pessoa ou toca nele, segundo a descrição do Ministério da Saúde.Psicoterapia: Encontros regulares em que você conta o que está acontecendo e a profissional ajuda a entender e lidar com isso. O que aparece numa sessão é retomado nas seguintes.
Pesquisa sobre ansiedadeReiki: As revisões discordam. A Cochrane (2015) não encontrou evidência suficiente; revisões de 2022 e 2024 viram resultados favoráveis, com poucos estudos, pequenos e com risco de viés.Psicoterapia: Ampla. Uma meta-análise de 2018 reuniu 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e encontrou vantagem moderada pra terapia.
Comparação com placeboReiki: Há ensaios com reiki simulado, que imita a sessão. Os resultados são mistos: uma revisão de 2022 viu vantagem sobre o simulado em alguns sintomas, com poucos estudos em cada área.Psicoterapia: A terapia cognitivo-comportamental foi testada contra placebo psicológico e de comprimido, em dezenas de ensaios randomizados.
Quem ofereceReiki: No SUS, o Ministério da Saúde orienta que quem oferece a prática tenha formação específica nela e siga as normas do conselho da própria profissão.Psicoterapia: Psicóloga com registro no Conselho Regional de Psicologia, que você pode consultar antes de começar.
Posição do Conselho de PsicologiaReiki: Não encontrei documento do CFP específico sobre reiki. Segundo o CRP de Mato Grosso, não há norma sobre práticas integrativas no sistema de conselhos, e a inclusão no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usá-las.Psicoterapia: A Resolução CFP nº 13/2022 exige que a psicoterapia use abordagens com fundamentação científica e comprovação de benefícios na literatura.
Riscos conhecidosReiki: A revisão Cochrane não encontrou evidência de dano, com dados escassos. O Ministério da Saúde diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais.Psicoterapia: Falar de assuntos difíceis pode trazer desconforto em algumas fases, e a profissional acompanha isso ao longo das sessões.
No SUSReiki: Incluído na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 849, de 27 de março de 2017.Psicoterapia: Faz parte do cuidado em saúde mental da rede pública, conduzida por profissionais de saúde.

O que é reiki e como é uma sessão?

O reiki é uma prática de origem japonesa, associada a Mikao Usui. Na sessão, quem aplica aproxima as mãos do corpo de quem recebe, ou apoia as mãos sobre ele.

A portaria do Ministério da Saúde que incluiu o reiki no SUS o descreve como imposição de mãos baseada numa concepção vitalista de saúde: existiria uma energia universal, canalizada por quem aplica, capaz de desfazer bloqueios, que o texto chama de “nós energéticos”, e de restabelecer o fluxo de energia vital.

A mesma descrição afirma que o reiki “auxilia no estresse, depressão, ansiedade”. A portaria, porém, não cita nenhum estudo que sustente essa frase. Pra saber o que a pesquisa encontrou, é preciso olhar as revisões.

O que a pesquisa mostra sobre reiki e ansiedade?

Em 2008, uma revisão de ensaios randomizados encontrou nove estudos sobre reiki, em condições muito diferentes, com resultados mistos. Os autores apontaram amostras pequenas e falhas de desenho, e concluíram que a evidência era insuficiente pra dizer que o reiki é um tratamento eficaz pra qualquer condição.

Em 2015, a Cochrane, organização conhecida por revisões rigorosas, procurou ensaios com adultos com ansiedade ou depressão. Encontrou três, com poucas pessoas nesses grupos: 25 com ansiedade. A conclusão foi que não havia evidência suficiente pra dizer se o reiki ajuda ou não, nem sinal de benefício ou de dano.

As revisões mais recentes são mais favoráveis, e merecem ser descritas com justiça. Uma de 2022 reuniu 14 ensaios que compararam reiki com placebo e viu vantagem do reiki em alguns sintomas, principalmente quando eram mais intensos. As próprias autoras disseram que há poucos estudos em cada área, que os achados são inconclusivos e que o reiki poderia entrar como complemento da psicoterapia. Uma meta-análise de 2024, com 824 participantes, também encontrou redução da ansiedade, mas incluiu estudos sem sorteio dos grupos e achou resultados menos consistentes antes de cirurgias e em pacientes com câncer.

Com esse conjunto, ainda não há evidência científica suficiente pra afirmar que o reiki trata ansiedade. Há sinais que pedem estudos maiores e mais bem feitos.

Por que é tão difícil saber se o reiki funciona?

Quando alguém recebe atenção, num ambiente calmo, e espera se sentir melhor, é comum que se sinta melhor. Essa melhora é real pra quem sente. A pergunta da pesquisa é outra: se o efeito vem do reiki em si ou dessas condições que o acompanham.

Pra separar uma coisa da outra, os ensaios comparam o reiki com um reiki simulado, que imita a sessão. Com amostras pequenas, essa diferença é difícil de medir, e é por isso que as revisões pedem ensaios maiores antes de uma conclusão firme.

Por que o reiki está no SUS?

O reiki entrou na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) pela Portaria GM/MS nº 849, de 27 de março de 2017, junto com outras 13 práticas, como yoga, meditação e arteterapia. O Ministério da Saúde ainda o lista entre as 29 práticas integrativas oferecidas no SUS, e a oferta depende de cada município.

A portaria justifica a inclusão pela recomendação da Organização Mundial da Saúde de incorporar medicinas tradicionais e complementares, pelo reconhecimento dessas práticas por categorias profissionais de saúde e pela presença delas nos serviços de estados e municípios. O texto não traz estudos de eficácia do reiki.

Entrar numa política pública garante acesso, e não equivale a atestado de eficácia. O próprio Ministério, na página de perguntas frequentes sobre as práticas integrativas, diz que elas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar. O Ministério afirma também que muitas práticas integrativas têm evidências de benefício; pro reiki na ansiedade, as revisões acima mostram que isso ainda não está estabelecido.

Psicóloga pode aplicar reiki?

Não encontrei documento do Conselho Federal de Psicologia específico sobre reiki. O que vale pra qualquer técnica está no Código de Ética: a psicóloga deve usar técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica (artigo 1º, alínea c) e não pode vincular o título de psicóloga a serviços com técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão (artigo 2º, alínea f).

A Resolução CFP nº 13/2022, que trata da psicoterapia, pede abordagens com comprovação, na literatura científica, de benefícios à saúde. E uma orientação do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso explica que ainda não existe norma do sistema de conselhos sobre práticas integrativas e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga possa incorporá-las ao trabalho.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Reiki
Tem gente que procura o reiki como um momento de pausa e cuidado, às vezes na própria Unidade Básica de Saúde, e se sente bem com ele. Se for o seu caso, não há motivo pra culpa nem pra vergonha. Pelo que as revisões mostram, porém, ele ainda não tem base pra ser o tratamento da ansiedade, e o próprio Ministério da Saúde o apresenta como complemento. Se a ansiedade está atrapalhando o sono, o trabalho ou as relações, ou se você já faz tratamento, não troque o tratamento pelo reiki sem conversar com quem acompanha você.
Psicoterapia
Faz mais sentido quando a ansiedade é frequente, intensa ou está com você há bastante tempo, e você quer entender de onde ela vem e o que fazer com ela. Se ela aparece em crises fortes e bem definidas, como no pânico, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais estudos. Se faz parte de um momento de vida, como uma mudança de país, um fim de relação ou um esgotamento, outras abordagens também podem ajudar. Quando um remédio parece necessário, essa decisão é com médico psiquiatra.

Perguntas frequentes

Reiki tem comprovação científica?

Não há evidência científica suficiente pra afirmar que o reiki trata ansiedade ou outra condição. A revisão Cochrane de 2015 não conseguiu dizer se ele ajuda ou não, por falta de dados. Revisões de 2022 e 2024 encontraram resultados favoráveis, mas com poucos estudos, pequenos, e as autoras da revisão de 2022 chamaram os achados de inconclusivos.

Reiki funciona melhor que placebo?

Os resultados são mistos. Uma revisão de 2008 encontrou ensaios com e sem diferença entre o reiki e o reiki simulado. Uma revisão de 2022, com 14 ensaios controlados por placebo, viu vantagem do reiki em alguns sintomas, mas com poucos estudos em cada área e risco de viés em boa parte deles.

Reiki substitui a terapia ou o remédio pra ansiedade?

Não. O próprio Ministério da Saúde diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais. Se você toma remédio, qualquer mudança é decidida com o médico que acompanha você. Se faz terapia, o reiki pode existir ao lado dela, sem ocupar o lugar dela.

Posso fazer reiki e terapia ao mesmo tempo?

Pode. Nada impede, e as autoras de uma revisão de 2022 sugerem o reiki justamente como complemento da psicoterapia. Vale contar pra sua psicóloga que você está fazendo, porque o que você sente nas sessões de reiki também é assunto da terapia.

Reiki faz mal?

A revisão Cochrane de 2015 não encontrou evidência de dano, mas os dados eram escassos. O risco que mais me preocupa é outro: adiar um tratamento de que a pessoa precisa, principalmente quando a ansiedade já atrapalha o sono, o trabalho ou as relações.

Como fazer reiki pelo SUS?

O reiki está entre as 29 práticas integrativas do SUS desde a Portaria GM/MS nº 849, de 2017, mas a oferta varia de município pra município. O Ministério da Saúde orienta procurar a Unidade Básica de Saúde de referência ou a Secretaria de Saúde da sua cidade pra saber se ele é oferecido e onde.

Psicólogo pode aplicar reiki?

Não encontrei documento do CFP específico sobre reiki. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica e proíbe vincular o título de psicóloga a técnicas não reconhecidas pela profissão. Segundo orientação do CRP de Mato Grosso, estar no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usar uma prática integrativa.

De onde vem cada afirmação

  1. Ministério da Saúde (2017). Portaria nº 849, de 27 de março de 2017: inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Diário Oficial da União nº 60, Seção 1, p. 68 e 69, 28/03/2017 (fac-símile). Inclui o reiki na PNPIC, descreve a prática como imposição de mãos baseada em energia vital e justifica a inclusão pela OMS e pela presença nos serviços, sem citar estudos de eficácia.
  2. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). gov.br/saude (consultado em 23/09/2026). Mostra que o reiki segue entre as 29 práticas integrativas oferecidas no SUS e que a oferta varia por município.
  3. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Perguntas Frequentes (FAQ). gov.br/saude (publicado em 16/09/2026, consultado em 23/09/2026). Diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais, que quem as oferece deve seguir as normas do próprio conselho profissional e que muitas delas têm evidências de benefício.
  4. Lee, M. S., Pittler, M. H. & Ernst, E. (2008). Effects of reiki in clinical practice: a systematic review of randomised clinical trials. International Journal of Clinical Practice, 62(6), 947-954. Revisão de nove ensaios randomizados com resultados mistos contra reiki simulado, amostras pequenas e falhas de desenho; conclui que a evidência é insuficiente pra dizer que o reiki é eficaz em qualquer condição.
  5. Joyce, J. & Herbison, G. P. (2015). Reiki for depression and anxiety. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015(4), CD006833. Revisão Cochrane com três ensaios e poucos participantes com ansiedade ou depressão: sem evidência de benefício ou de dano, e evidência insuficiente pra dizer se o reiki é útil.
  6. Zadro, S. & Stapleton, P. (2022). Does Reiki Benefit Mental Health Symptoms Above Placebo?. Frontiers in Psychology, 13, 897312. Revisão de 14 ensaios controlados por placebo com resultados favoráveis ao reiki em alguns sintomas; as autoras consideram os achados inconclusivos, por haver poucos estudos, e sugerem o reiki como complemento da psicoterapia.
  7. Guo, X., Long, Y., Qin, Z. & Fan, Y. (2024). Therapeutic effects of Reiki on interventions for anxiety: a meta-analysis. BMC Palliative Care, 23(1), 147. Meta-análise com 824 participantes, incluindo estudos quase-experimentais, que encontrou redução da ansiedade, menos consistente antes de cirurgias e em pacientes com câncer.
  8. Carpenter, J. K., Andrews, L. A., Witcraft, S. M., Powers, M. B., Smits, J. A. J. & Hofmann, S. G. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514. Meta-análise de 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo psicológico ou de comprimido em transtornos de ansiedade e relacionados, com vantagem moderada pra terapia.
  9. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Artigo 1º, alínea c: técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica; artigo 2º, alínea f: vedação de vincular o título a técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão.
  10. Conselho Federal de Psicologia (2022). Resolução nº 13, de 15 de junho de 2022: dispõe sobre diretrizes e deveres para o exercício da psicoterapia por psicóloga e por psicólogo. Conselho Federal de Psicologia (documento SEI 0610135, disponibilizado pelo CRP-SP). O artigo 14 exige, entre outros pontos, comprovação por meio da literatura científica de que a abordagem traz benefícios à saúde.
  11. Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (MT) (2024). Orientação técnica: uso de técnicas psicológicas e não psicológicas. CRP-MT (revisada em 09/01/2024). Explica que não há norma específica sobre práticas integrativas no Sistema Conselhos e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga as incorpore à prática.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

Atendimento online · sigilo profissional garantido conforme Código de Ética do Psicólogo · Resolução CFP nº 9/2024.

Quer começar pelo se escutar?

Questionários breves de autoconhecimento: três minutos, sem custo. Eu criei pra você começar a olhar pra si.

Fazer o teste

Conversemos com calma.

Sessões de 50 minutos, online: R$ 210 avulsa ou R$ 180 no pacote mensal. O primeiro encontro é pra gente se conhecer e ver se faz sentido seguir.

Ou faz o teste de quem mora fora primeiro

Você preenche seus dados e a gente combina o horário direto pelo WhatsApp.

Mora fora do Brasil? Encontre seu país na lista de atendimento ou conheça a terapia online para brasileiras no exterior.

Uso cookies pra saber quais páginas ajudam de verdade. Nada do que você escreve aqui é vendido ou compartilhado. Como funciona