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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Barras de Access funciona? O que se sabe e o que falta saber

Barras de Access é uma técnica em que quem aplica toca de leve 32 pontos da cabeça. Ela é a base do Access Consciousness, fundado por Gary Douglas em 1995. Não há evidência científica suficiente de que funcione pra ansiedade ou depressão: os estudos publicados que encontrei são um piloto com 7 pessoas e uma série de 4 casos, os dois sem grupo de comparação. A prática não está entre as 29 práticas integrativas do SUS.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Barras de Access funciona? O que se sabe e o que falta saber: comparação lado a lado
CritérioBarras de AccessPsicoterapia
O que éBarras de Access: Toque leve em 32 pontos da cabeça que, segundo o site oficial, liberaria pensamentos, crenças e emoções que atrapalham a vida.Psicoterapia: Um tratamento conduzido por uma profissional de saúde mental, com método e teoria sobre o sofrimento psíquico, em que você fala do que sente e vive.
OrigemBarras de Access: Base do Access Consciousness, fundado por Gary Douglas em 1995, com Dain Heer como cocriador desde 2000, segundo o site oficial.Psicoterapia: Várias abordagens desenvolvidas ao longo do século 20, como a psicanálise, a Abordagem Centrada na Pessoa e a terapia cognitivo-comportamental.
Como é uma sessãoBarras de Access: A pessoa recebe o toque nos pontos da cabeça. Nos estudos publicados, as sessões duraram de 60 a 90 minutos.Psicoterapia: Encontros regulares em que você conta o que está acontecendo e a profissional ajuda a entender e lidar com isso. O que aparece numa sessão é retomado nas seguintes.
Formação de quem aplicaBarras de Access: Segundo o site oficial, a técnica se aprende numa aula de um dia.Psicoterapia: Graduação em Psicologia e registro no Conselho Regional de Psicologia, que você pode consultar antes de começar.
PesquisaBarras de Access: Um estudo piloto com 7 pessoas, avaliadas antes e logo depois de uma sessão, e uma série de 4 casos. Nenhum dos dois tem grupo de comparação.Psicoterapia: Ampla. Uma meta-análise de 2018 reuniu 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e encontrou vantagem moderada pra terapia.
Comparação com placeboBarras de Access: Não encontrei nenhum estudo que compare a técnica com placebo ou com outro tratamento.Psicoterapia: Testada contra placebo psicológico e de comprimido, em dezenas de ensaios randomizados.
No SUSBarras de Access: Não está entre as 29 práticas integrativas e complementares listadas pelo Ministério da Saúde.Psicoterapia: Faz parte do cuidado em saúde mental da rede pública, conduzida por profissionais de saúde.
Posição do Conselho de PsicologiaBarras de Access: Não encontrei documento do CFP sobre Barras de Access.Psicoterapia: A Resolução CFP nº 13/2022 exige que a psicoterapia use abordagens com fundamentação científica e comprovação de benefícios na literatura.

O que é Barras de Access?

Barras de Access, ou Access Bars, é a técnica que o site oficial do Access Consciousness apresenta como a base de todo o movimento. O Access Consciousness foi fundado por Gary Douglas em 1995, com Dain Heer como cocriador desde 2000.

Segundo o site, as Barras são 32 pontos na cabeça que, quando tocados de leve, liberariam pensamentos, ideias, crenças, emoções e considerações que impedem a pessoa de criar a vida que deseja. A técnica se aprende numa aula de um dia, e a organização afirma que mais de 500 mil pessoas, em mais de 100 países, já fizeram essa aula.

O que os estudos mostram sobre Barras de Access?

Encontrei dois estudos com dados, ambos da mesma autora e publicados na revista Energy Psychology. O primeiro, de 2017, foi um estudo piloto com 7 pessoas com ansiedade ou depressão de leve a grave. Elas responderam questionários e fizeram um exame de atividade elétrica do cérebro antes e logo depois de uma única sessão de 90 minutos. As pontuações de ansiedade e depressão caíram, e a autora sugeriu que a técnica pode ser útil.

O segundo, de 2023, foi uma série de casos com 4 policiais no Reino Unido com depressão, ansiedade, estresse ou estresse pós-traumático, que fizeram sete sessões de 60 minutos. As pontuações também caíram.

Há ainda uma revisão brasileira de 2020 que reuniu os benefícios descritos, com base no site do próprio Access Consciousness e em estudos de quem criou a prática. A conclusão da própria autora é que poucos estudos foram publicados pra demonstrar a eficácia da técnica.

Numa busca que fiz em setembro de 2026 no PubMed, a principal base de artigos de saúde, os termos “Access Bars” e “Access Consciousness” não retornaram nenhum estudo. Com isso, não há evidência científica suficiente pra afirmar que Barras de Access trata ansiedade ou depressão.

Por que um estudo de antes e depois não basta?

Quando alguém procura ajuda num momento ruim, recebe atenção durante uma hora num ambiente tranquilo e responde um questionário logo em seguida, é comum que se sinta melhor. Essa melhora pode ser real pra quem sente. A pergunta da pesquisa é se ela vem da técnica em si.

Pra responder, é preciso um grupo de comparação: pessoas parecidas que recebem outra coisa, como um toque sem a técnica, ou que só esperam. Sem esse grupo, com 7 ou 4 participantes e medindo logo depois da sessão, não dá pra separar o efeito das Barras do efeito do relaxamento, da expectativa e do tempo. Os estudos publicados não permitem essa separação.

Barras de Access está no SUS?

Não. O SUS oferece 29 práticas integrativas e complementares, reunidas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), e Barras de Access não está entre elas, segundo a página do Ministério da Saúde.

A confusão é compreensível, porque o SUS tem práticas que também envolvem as mãos, como o reiki e a imposição de mãos. E mesmo pras práticas que estão na política nacional, o próprio Ministério diz que elas não substituem os tratamentos convencionais.

Psicóloga pode fazer Barras de Access?

Não encontrei documento do Conselho Federal de Psicologia sobre Barras de Access. O que vale pra qualquer técnica está no Código de Ética: a psicóloga deve usar técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica (artigo 1º, alínea c) e não pode vincular o título de psicóloga a serviços com técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão (artigo 2º, alínea f).

A Resolução CFP nº 13/2022, que trata da psicoterapia, também pede abordagens com comprovação, na literatura científica, de benefícios à saúde. Uma orientação do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso lembra que as práticas reconhecidas pela Psicologia são as que têm reconhecimento vindo da pesquisa científica.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Barras de Access
Há quem procure as Barras buscando uma pausa, um momento de toque e descanso numa rotina cheia, e saia da sessão mais leve. Se foi o seu caso, essa experiência é sua e não precisa ser desmerecida. Pelo que existe de pesquisa, porém, não há base pra tratar ansiedade ou depressão com a técnica. Se você está sofrendo há tempo, se já faz tratamento ou toma remédio, não troque nada disso pelas Barras sem conversar com quem acompanha você.
Psicoterapia
Faz mais sentido quando a ansiedade, a tristeza ou o cansaço vêm se repetindo e você quer entender de onde vêm e o que fazer com eles, com uma profissional regulamentada, sigilo e acompanhamento contínuo. Se a ansiedade aparece em crises fortes e bem definidas, como no pânico, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais estudos. Quando um remédio parece necessário, essa decisão é com médico psiquiatra.

Perguntas frequentes

Barras de Access tem comprovação científica?

Não há evidência científica suficiente. Os estudos publicados que encontrei são um piloto com 7 pessoas, avaliadas antes e logo depois de uma sessão, e uma série de 4 casos, sem grupo de comparação. Uma revisão brasileira de 2020 também concluiu que poucos estudos foram publicados pra demonstrar a eficácia da técnica.

Barras de Access funciona para ansiedade e depressão?

Os dois estudos existentes mostraram pontuações menores de ansiedade e depressão depois das sessões, mas sem comparar com um grupo que não recebeu a técnica. Assim, não dá pra saber se a melhora veio das Barras, do relaxamento, da atenção recebida ou da expectativa. Pra tratar ansiedade ou depressão, a psicoterapia tem pesquisa muito mais sólida.

Barras de Access é reconhecida pelo Ministério da Saúde?

Ela não está entre as 29 práticas integrativas e complementares que o SUS oferece, segundo a página do Ministério da Saúde. O reiki e a imposição de mãos, que também usam as mãos, estão na lista.

Barras de Access faz mal?

Não encontrei estudo que tenha avaliado riscos da técnica. O risco que mais me preocupa é outro: adiar um tratamento de que a pessoa precisa, principalmente quando a ansiedade ou a tristeza já atrapalham o sono, o trabalho ou as relações.

Barras de Access substitui a terapia?

Não. Não há evidência de que a técnica trate sofrimento psíquico, e ela se aprende numa aula de um dia, que por si só não traz a formação clínica, o sigilo profissional e o código de ética fiscalizado que a psicoterapia exige. Se você faz terapia e também recebe Barras, vale contar isso pra sua psicóloga.

Psicólogo pode fazer Barras de Access?

Não encontrei documento do CFP sobre Barras de Access. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica e proíbe vincular o título de psicóloga a técnicas não reconhecidas pela profissão, e a Resolução CFP nº 13/2022 pede abordagens com benefícios comprovados na literatura científica.

Qual a diferença entre Barras de Access e reiki?

As duas usam as mãos, mas o reiki está no SUS desde 2017 e já foi tema de revisões sistemáticas, inclusive da Cochrane, que ainda não permitem afirmar que ele trata ansiedade. Barras de Access não está no SUS e tem só dois estudos pequenos, sem grupo de comparação.

De onde vem cada afirmação

  1. Access Consciousness (2026). What is Access Bars?. Site oficial do Access Consciousness (consultado em 23/09/2026). Descreve as Barras como 32 pontos na cabeça tocados de leve e o que a organização afirma que elas fazem.
  2. Access Consciousness (2026). Who we are. Site oficial do Access Consciousness (consultado em 23/09/2026). Informa a fundação por Gary Douglas em 1995 e a cocriação com Dain Heer desde 2000.
  3. Access Consciousness (2026). Access Bars. Site oficial do Access Consciousness (consultado em 23/09/2026). Apresenta a aula de um dia e o número, informado pela própria organização, de mais de 500 mil pessoas em mais de 100 países.
  4. Hope, T. (2017). The Effects of Access Bars on Anxiety and Depression: A Pilot Study. Energy Psychology, 9(2), 26-38. Estudo piloto com 7 pessoas, avaliadas antes e logo depois de uma sessão de 90 minutos, sem grupo de comparação.
  5. Hope, T. (2023). The effects of Access Bars on depression, anxiety, and stress in police officers: A case series. Energy Psychology, 15(2), 33-42. Série de 4 casos de policiais no Reino Unido, com sete sessões de 60 minutos, sem grupo de comparação.
  6. Freitag, V. L. (2020). Práticas Integrativas e Complementares: barras de acesso à consciência como estratégia de cuidado á saúde. Research, Society and Development, 9(8), e24985221. Revisão baseada no site do Access Consciousness que conclui que poucos estudos foram publicados pra demonstrar a eficácia da técnica.
  7. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). gov.br/saude (consultado em 23/09/2026). Lista as 29 práticas integrativas oferecidas no SUS; Barras de Access não está entre elas.
  8. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Perguntas Frequentes (FAQ). gov.br/saude (publicado em 16/09/2026, consultado em 23/09/2026). Diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais.
  9. Carpenter, J. K., Andrews, L. A., Witcraft, S. M., Powers, M. B., Smits, J. A. J. & Hofmann, S. G. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514. Meta-análise de 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e relacionados, com vantagem moderada pra terapia.
  10. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Artigo 1º, alínea c: técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica; artigo 2º, alínea f: vedação de vincular o título a técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão.
  11. Conselho Federal de Psicologia (2022). Resolução nº 13, de 15 de junho de 2022: dispõe sobre diretrizes e deveres para o exercício da psicoterapia por psicóloga e por psicólogo. Conselho Federal de Psicologia (documento SEI 0610135, disponibilizado pelo CRP-SP). O artigo 14 exige, entre outros pontos, comprovação por meio da literatura científica de que a abordagem traz benefícios à saúde.
  12. Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (MT) (2024). Orientação técnica: uso de técnicas psicológicas e não psicológicas. CRP-MT (revisada em 09/01/2024). Explica que as práticas reconhecidas derivam do reconhecimento que vem da pesquisa científica.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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