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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Florais de Bach funcionam? O que os estudos mostram

Florais de Bach são gotas preparadas a partir de flores e muito diluídas, criadas pelo médico inglês Edward Bach nos anos 1930 pra equilibrar estados emocionais. Os ensaios que os compararam com placebo, inclusive dois feitos no Brasil, não encontraram diferença entre o floral e um líquido sem essência, e em alguns deles os dois grupos melhoraram. Duas revisões sistemáticas chegaram à mesma conclusão, então não há evidência científica suficiente de que funcionem. A terapia de florais está no SUS desde 2018, como prática complementar.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Florais de Bach funcionam? O que os estudos mostram: comparação lado a lado
CritérioFlorais de BachPsicoterapia
O que éFlorais de Bach: Extratos líquidos de flores, altamente diluídos, tomados em gotas. O pioneiro foi o médico inglês Edward Bach, nos anos 1930, segundo a portaria do Ministério da Saúde.Psicoterapia: Um tratamento conduzido por uma profissional de saúde mental, com método e teoria sobre o sofrimento psíquico, em que você fala do que sente e vive.
Ideia de baseFlorais de Bach: Segundo a portaria, as essências agiriam por uma energia sutil das flores, modificando estados vibratórios e harmonizando a pessoa.Psicoterapia: Teorias sobre desenvolvimento, relações e sofrimento psíquico, discutidas e testadas em pesquisa, com diferenças entre as abordagens.
Como é o usoFlorais de Bach: Você toma gotas de uma combinação de essências algumas vezes ao dia. Num ensaio brasileiro, foram quatro gotas, quatro vezes ao dia, durante 120 dias.Psicoterapia: Encontros regulares, em geral semanais, ao longo de semanas ou meses. O que aparece numa sessão é retomado nas seguintes.
Comparação com placeboFlorais de Bach: Duas revisões sistemáticas e dois ensaios brasileiros recentes não encontraram diferença entre o floral e um líquido sem essência.Psicoterapia: Uma meta-análise de 2018 reuniu 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e encontrou vantagem moderada pra terapia.
Pesquisa sobre ansiedadeFlorais de Bach: Três ensaios com estudantes com ansiedade de prova não mostraram benefício do floral em relação ao placebo, segundo uma revisão de 2009.Psicoterapia: Pra ansiedade generalizada, uma meta-análise de 2014 com 41 estudos encontrou efeito grande da psicoterapia comparada a grupos de controle, a maioria em lista de espera.
SegurançaFlorais de Bach: Uma revisão de 2009 concluiu que provavelmente são seguros, com base nos efeitos adversos relatados, embora poucos estudos tenham registrado esses dados.Psicoterapia: Falar de assuntos difíceis pode trazer desconforto em algumas fases, e a profissional acompanha isso ao longo das sessões.
Posição do Conselho de PsicologiaFlorais de Bach: Não encontrei documento do CFP específico sobre florais. Segundo o CRP de Mato Grosso, não há norma sobre práticas integrativas no sistema de conselhos, e a inclusão no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usá-las.Psicoterapia: A Resolução CFP nº 13/2022 exige que a psicoterapia use abordagens com fundamentação científica e comprovação de benefícios na literatura.
No SUSFlorais de Bach: Terapia de florais incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018.Psicoterapia: Faz parte do cuidado em saúde mental da rede pública, conduzida por profissionais de saúde.

O que são florais de Bach?

Os florais de Bach levam o nome do médico inglês Edward Bach, que nos anos 1930 passou a usar essências de flores silvestres pra equilibrar estados emocionais. Hoje existem vários sistemas de essências florais, segundo a portaria do Ministério da Saúde.

A portaria do Ministério da Saúde que incluiu a terapia de florais no SUS descreve as essências como extratos líquidos naturais, inodoros e altamente diluídos de flores, que agiriam em níveis sutis e modificariam “certos estados vibratórios”. O mesmo texto afirma que o floral “não é fitoterápico, não é fragrância, não é homeopatia, não é droga”, que não interfere em outros tratamentos e que pode ser usado em qualquer idade.

Essas afirmações são a descrição da prática. A portaria não cita estudos que testem se as essências têm efeito próprio sobre as emoções.

O que os estudos mostram sobre florais de Bach?

Em 2009, uma revisão sistemática feita na Áustria encontrou quatro ensaios randomizados: três com estudantes com ansiedade de prova e um com crianças com TDAH. Nenhum mostrou benefício do floral em relação ao placebo, e os autores classificaram a força da evidência como baixa ou muito baixa.

Em 2010, uma revisão de Edzard Ernst reuniu sete ensaios randomizados. Seis deles compararam o floral com placebo, e nenhum desses seis mostrou diferença. A conclusão foi que os ensaios mais confiáveis não mostram diferença entre florais e placebo.

Um dos ensaios incluídos foi feito na Alemanha e publicado em 2001. Pessoas com ansiedade de prova receberam, sem saber qual, uma combinação de florais ou um placebo. A ansiedade caiu nos dois grupos, sem diferença entre eles, e os autores concluíram que o floral não teve efeito específico.

E os estudos feitos no Brasil?

Há pesquisa brasileira recente, feita por equipes de enfermagem, e ela é útil justamente porque usou placebo. Um ensaio da Universidade de São Paulo, publicado em 2024, acompanhou 87 profissionais de enfermagem da atenção primária que se sentiam estressados. Metade tomou uma fórmula floral e metade tomou só o líquido de diluição. O estresse diminuiu nos dois grupos, sem diferença entre eles.

Outro ensaio, publicado em 2026 por uma equipe da Universidade Federal do Paraná, acompanhou 99 pessoas com câncer avançado por 120 dias, sem que pacientes e pesquisadores soubessem quem tomava o quê. Esperança e qualidade de vida não mudaram de forma diferente entre floral e placebo. Os autores registraram um aumento discreto e destacaram a importância de terapias não farmacológicas no cuidado paliativo.

Se o floral é igual ao placebo, por que eu me senti melhor?

Porque a melhora pode ser real. Nos ensaios, quem tomou placebo também melhorou: a ansiedade de prova caiu e o estresse das profissionais de enfermagem diminuiu nos dois grupos. O que os estudos mostram é que essa melhora não veio da essência em si.

Várias coisas podem ajudar alguém a se sentir melhor: ser escutada com atenção por quem escolhe o floral, criar um momento de cuidado consigo várias vezes ao dia, acreditar que algo vai ajudar, e o próprio passar do tempo. Nada disso é pouco. Só é diferente de dizer que a gota trata a ansiedade.

Por que a terapia de florais está no SUS?

Ela foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018, junto com práticas como aromaterapia, constelação familiar e imposição de mãos. O Ministério da Saúde ainda a lista entre as 29 práticas integrativas do SUS.

A portaria justifica a inclusão pela recomendação da Organização Mundial da Saúde de incorporar medicinas tradicionais e complementares, pelo reconhecimento dessas práticas por categorias profissionais e pela presença delas nas redes de saúde. Na época, o Conselho Federal de Medicina criticou a ampliação, afirmando que as práticas não tinham fundamento na medicina baseada em evidências.

Estar numa política pública garante acesso, e não equivale a comprovação de eficácia. O próprio Ministério, na página de perguntas frequentes, diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar.

Psicóloga pode indicar floral?

Não encontrei documento do Conselho Federal de Psicologia específico sobre florais. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica (artigo 1º, alínea c) e proíbe vincular o título de psicóloga a serviços com técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão (artigo 2º, alínea f).

Uma orientação do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso explica que ainda não existe norma do sistema de conselhos sobre práticas integrativas e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga possa incorporá-las ao trabalho.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Florais de Bach
Muita gente usa florais como um ritual de cuidado, às vezes indicado por alguém de confiança, e se sente acolhida nesse processo. Se for o seu caso, não há por que se envergonhar. Pelo que os ensaios mostram, porém, a essência em si não se diferencia do placebo, então ela não deveria ser o tratamento de uma ansiedade que atrapalha a sua vida. E se você toma remédio psiquiátrico, não reduza nem pare a medicação por causa do floral: essa decisão é com o médico.
Psicoterapia
Faz mais sentido quando a ansiedade, a tristeza ou o estresse vêm se repetindo e você quer entender de onde vêm e o que fazer com eles, com uma profissional regulamentada e acompanhamento contínuo. Se a ansiedade aparece em crises fortes e bem definidas, como no pânico, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais estudos. Quando um remédio parece necessário, essa decisão é com médico psiquiatra.

Perguntas frequentes

Floral de Bach funciona para ansiedade?

Não há evidência científica suficiente de que funcione. Três ensaios com estudantes com ansiedade de prova não encontraram diferença entre o floral e o placebo, e duas revisões sistemáticas concluíram que os ensaios mais confiáveis não mostram diferença. No ensaio alemão de 2001, a ansiedade caiu também no grupo que tomou placebo.

Floral de Bach tem comprovação científica?

Não há evidência científica suficiente. As revisões sistemáticas de 2009 e 2010 e dois ensaios brasileiros recentes, de 2024 e 2026, compararam florais com um líquido sem essência e não encontraram diferença entre os grupos. Não encontrei ensaio controlado por placebo com resultado favorável ao floral.

Floral de Bach faz mal?

Uma revisão de 2009 concluiu que os florais provavelmente são seguros, com base nos efeitos adversos relatados, mas poucos estudos registraram esses dados. O risco que mais me preocupa é outro: deixar de buscar tratamento quando a ansiedade já atrapalha o sono, o trabalho ou as relações.

Posso tomar floral junto com remédio psiquiátrico?

A portaria do Ministério da Saúde afirma que o floral não interfere em outros tratamentos. O que importa é não mexer no remédio por conta própria: não reduza nem pare a medicação por causa do floral, e conte ao médico que acompanha você que está usando.

Floral de Bach é homeopatia?

Não. A própria portaria que incluiu a terapia de florais no SUS diz que ela não é fitoterápico, fragrância, homeopatia nem droga. A homeopatia é outra prática, que já estava na política nacional desde 2006.

Floral pode substituir a terapia?

Não. O Ministério da Saúde diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar. Se você está em terapia, pode usar floral ao mesmo tempo, e vale contar isso pra sua psicóloga.

Tem floral pelo SUS?

A terapia de florais está entre as 29 práticas integrativas do SUS desde a Portaria GM/MS nº 702, de 2018, mas a oferta varia de município pra município. O Ministério da Saúde orienta procurar a Unidade Básica de Saúde de referência ou a Secretaria de Saúde da sua cidade.

Psicólogo pode receitar floral?

Não encontrei documento do CFP específico sobre florais. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica e proíbe vincular o título de psicóloga a técnicas não reconhecidas pela profissão. Segundo orientação do CRP de Mato Grosso, estar no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usar uma prática integrativa.

De onde vem cada afirmação

  1. Ministério da Saúde (2018). Portaria nº 702, de 21 de março de 2018: altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na PNPIC. Diário Oficial da União nº 56, Seção 1, p. 74 e 75, 22/03/2018 (fac-símile). Inclui a terapia de florais na PNPIC, atribui o pioneirismo a Edward Bach nos anos 1930, descreve as essências e justifica a inclusão pela OMS e pela presença nos serviços, sem citar estudos de eficácia.
  2. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). gov.br/saude (consultado em 23/09/2026). Mostra que a terapia de florais segue entre as 29 práticas integrativas oferecidas no SUS e que a oferta varia por município.
  3. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Perguntas Frequentes (FAQ). gov.br/saude (publicado em 16/09/2026, consultado em 23/09/2026). Diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar.
  4. Thaler, K., Kaminski, A., Chapman, A., Langley, T. & Gartlehner, G. (2009). Bach Flower Remedies for psychological problems and pain: a systematic review. BMC Complementary and Alternative Medicine, 9, 16. Quatro ensaios randomizados (três de ansiedade de prova, um de TDAH) sem benefício em relação ao placebo; evidência de força baixa ou muito baixa; florais provavelmente seguros.
  5. Ernst, E. (2010). Bach flower remedies: a systematic review of randomised clinical trials. Swiss Medical Weekly, 140, w13079. Sete ensaios randomizados, seis controlados por placebo, nenhum destes com eficácia demonstrada; os ensaios mais confiáveis não mostram diferença entre florais e placebo.
  6. Walach, H., Rilling, C. & Engelke, U. (2001). Efficacy of Bach-flower remedies in test anxiety: A double-blind, placebo-controlled, randomized trial with partial crossover. Journal of Anxiety Disorders, 15(4), 359-366. Ensaio duplo-cego com pessoas com ansiedade de prova: a ansiedade caiu em todos os grupos, sem diferença entre floral e placebo.
  7. Gava, F. G. S. & Turrini, R. N. T. (2024). Flower therapy and perceived stress in primary health care nursing professionals: randomized clinical trial. Revista Gaúcha de Enfermagem, 45, e20230132. Ensaio com 87 profissionais de enfermagem da atenção primária: o estresse caiu nos dois grupos, sem diferença entre fórmula floral e placebo.
  8. Silva, L. D. S., Miranda, A. G., Marcondes, L., Turrini, R. N. T., Guimarães, P. R. B., Mantovani, M. F., Nogueira, L. A. & Kalinke, L. P. (2026). The effect of Bach flower remedies on hope and quality of life in people with advanced cancer: a triple-blind randomized clinical trial. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 60, e20250451. Ensaio triplo-cego com 99 pessoas com câncer avançado, por 120 dias: sem diferença entre floral e placebo em esperança e qualidade de vida.
  9. Cuijpers, P., Sijbrandij, M., Koole, S., Huibers, M., Berking, M. & Andersson, G. (2014). Psychological treatment of generalized anxiety disorder: A meta-analysis. Clinical Psychology Review, 34(2), 130-140. Meta-análise de 41 estudos sobre psicoterapia na ansiedade generalizada, com efeito grande em comparação a grupos de controle, a maioria em lista de espera.
  10. Carpenter, J. K., Andrews, L. A., Witcraft, S. M., Powers, M. B., Smits, J. A. J. & Hofmann, S. G. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514. Meta-análise de 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e relacionados, com vantagem moderada pra terapia.
  11. Conselho Federal de Medicina (2018). Para CFM, práticas integrativas incorporadas ao SUS não têm fundamento científico. Portal Médico, Conselho Federal de Medicina (notícia de 13/03/2018). Registra a crítica do CFM à ampliação das práticas integrativas no SUS, anunciada em março de 2018.
  12. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Artigo 1º, alínea c: técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica; artigo 2º, alínea f: vedação de vincular o título a técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão.
  13. Conselho Federal de Psicologia (2022). Resolução nº 13, de 15 de junho de 2022: dispõe sobre diretrizes e deveres para o exercício da psicoterapia por psicóloga e por psicólogo. Conselho Federal de Psicologia (documento SEI 0610135, disponibilizado pelo CRP-SP). O artigo 14 exige, entre outros pontos, comprovação por meio da literatura científica de que a abordagem traz benefícios à saúde.
  14. Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (MT) (2024). Orientação técnica: uso de técnicas psicológicas e não psicológicas. CRP-MT (revisada em 09/01/2024). Explica que não há norma específica sobre práticas integrativas no Sistema Conselhos e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga as incorpore à prática.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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