Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Ansiedade · o que muda por vídeo

Terapia online funciona para ansiedade?

A pesquisa aponta que sim: em ansiedade generalizada, um ensaio randomizado comparou a mesma terapia feita por videoconferência e presencialmente, e a versão por vídeo não ficou atrás. O que a terapia não faz é apagar a ansiedade, e existem situações em que só a psicoterapia não dá conta. Elas estão logo abaixo.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

01-Ansiedade · o que muda por vídeo

Existe estudo de terapia por vídeo para ansiedade?

Existe, e é do tipo mais forte pra essa pergunta. Um ensaio publicado em 2022 sorteou 148 adultos com transtorno de ansiedade generalizada entre terapia cognitivo-comportamental por videoconferência e a mesma terapia presencial. A versão por vídeo não se mostrou inferior, com acompanhamento de doze meses.

Uma ressalva que precisa estar escrita: aquele ensaio testou terapia cognitivo-comportamental, e eu parto da Abordagem Centrada na Pessoa. O que o estudo sustenta é a afirmação sobre o meio, ou seja, que fazer por videochamada não piorou o resultado. Ele não diz nada sobre a minha abordagem, e eu não vou usar o número dele como se dissesse.

Média de estudo descreve grupo, e não prevê o que vai acontecer com você. Ninguém pode prometer resultado de psicoterapia, e eu não prometo.

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O que muda na sessão quando é por videochamada?

Menos do que se imagina, e a mudança é prática. Você não gasta o dia com deslocamento, o que costuma facilitar manter a frequência. Em compensação, o fim da sessão é abrupto: você fecha a chamada e já está em casa, sem os quinze minutos de caminho que serviam pra pousar.

Por isso vale deixar um tempo de folga depois. Nem que sejam dez minutos sem reunião e sem tarefa, só pra você não voltar direto do assunto difícil pro trabalho.

Outra diferença: por vídeo eu vejo menos do corpo. Se a ansiedade aparece muito na respiração, na mão, no pé, isso vira coisa que você conta em vez de coisa que eu observo. Não impede o trabalho, e vale a gente combinar de você me avisar quando estiver acontecendo.

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Terapia faz a ansiedade sumir?

Não, e prometer isso seria desonesto. Ansiedade é uma resposta normal do organismo a ameaça: ela existe pra te manter viva. O que costuma mudar num processo é a relação com ela, o quanto ela decide o seu dia, e o quanto você reconhece o que a dispara antes de já estar no meio.

Muita gente chega querendo desligar a ansiedade como se desliga um alarme. O que costuma acontecer é outra coisa: entender pra que aquele alarme está tocando, o que ele está tentando proteger e o que mudou na sua vida pra ele passar a tocar por qualquer coisa.

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Ansiedade de quem mora fora é diferente?

Tem gatilhos próprios, que não aparecem em lista genérica de sintomas: a renovação do visto que organiza o ano inteiro, o e-mail da imigração, o telefone tocando de madrugada com o fuso invertido, a notícia do Brasil que chega antes do café. Isso não é exagero seu, e entra em sessão com detalhe.

A diferença prática é não ter que explicar o contexto antes de falar do que sentiu. Quando quem escuta já sabe o que é um processo de visto e o que é estar longe, os cinquenta minutos são seus inteiros.

05-Quando não fazer

Quando só a psicoterapia não dá conta da ansiedade?

Quando o corpo entrou de vez, quando o medo já fechou a sua vida, ou quando existe suspeita de causa clínica. Nesses casos a psicoterapia pode continuar e deixa de ser o único cuidado. Também não é aqui que se investiga se aquela palpitação é do coração ou da ansiedade: isso é exame médico.

  • Crises com sintomas físicos intensos que você nunca investigou clinicamente. Palpitação, falta de ar e dor no peito precisam de avaliação médica antes de virarem só assunto de sessão.
  • Você já não sai de casa, não trabalha ou não vai a lugares por causa do medo.
  • Você não dorme há semanas, ou está usando álcool, remédio ou outra substância pra conseguir dormir.
  • Pensamentos de morte ou de se machucar aparecem junto da ansiedade.
  • Suspeita de causa clínica, como alteração de tireoide, anemia ou efeito de um medicamento que você já usa.

Nessas situações o próximo passo é clínica geral ou psiquiatra, e a psicoterapia acompanha. Se o que você precisa é terapia com protocolo específico para pânico ou fobia, o mais honesto é eu te indicar uma colega com essa formação, em vez de esticar o que eu faço pra caber na sua demanda.

Se o que está acontecendo é agora, não espere por sessão nenhuma: onde pedir ajuda no seu país reúne linhas de apoio e serviços de emergência, e é o primeiro passo em qualquer situação de risco.

Sobre o meu atendimento

Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999. Atendo mulheres por videochamada, em português, de onde você estiver, em sessões de cinquenta minutos, partindo da Abordagem Centrada na Pessoa.

Eu não prescrevo, não emito laudo, não faço terapia de casal e não atendo emergência. Se você já toma alguma medicação por causa da ansiedade, isso não atrapalha o trabalho aqui e eu não opino sobre a conduta da sua médica.

Se depois de algumas sessões ficar claro que o seu caso pede outro tipo de trabalho, eu digo, e a gente pensa junto no encaminhamento. Isso faz parte, e é melhor do que você descobrir sozinha daqui a seis meses.

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As dez perguntas de segurança e limite estão reunidas em segurança e limites do atendimento.

Referências

De onde vem cada afirmação

  1. 01

    Bouchard, S., Allard, M., Robillard, G., Dumoulin, S., Guitard, T., Loranger, C. e outros (2022). Journal of Clinical Medicine, 11(19), 5924. Ver a fonte

    Ensaio clínico randomizado multicêntrico de não inferioridade, com 148 adultos com transtorno de ansiedade generalizada. A comparação é terapia cognitivo-comportamental por videoconferência contra a MESMA terapia presencial. A versão por vídeo não se mostrou inferior nas medidas primárias, secundárias e terciárias, em todos os momentos de avaliação, com seguimento de doze meses. O estudo testou terapia cognitivo-comportamental, e não a abordagem usada neste atendimento: ele sustenta a afirmação sobre o meio, não sobre a abordagem.

  2. 02

    Norwood, C., Moghaddam, N. G., Malins, S. & Sabin-Farrell, R. (2018). Clinical Psychology & Psychotherapy, 25(6), 797-808. Ver a fonte

    Revisão de doze estudos de psicoterapia por videoconferência. A redução de sintomas apareceu equivalente à do presencial; a aliança terapêutica apareceu mais baixa no vídeo (diferença padronizada de -0,30), com intervalo de confiança de -0,67 a 0,07 que inclui o zero, ou seja, achado não conclusivo.

Esta página é conteúdo informativo. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico, prescrição nem recomendação clínica individual, e nada aqui substitui uma consulta. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, Psicóloga Clínica, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.