CRP 01/30999-Medicação · o que muda e o que não muda
Posso fazer terapia tomando remédio psiquiátrico?
Pode, e é uma combinação comum. Psicoterapia não interfere na sua medicação e a medicação não invalida a psicoterapia: são cuidados diferentes, que costumam funcionar melhor juntos do que cada um sozinho. O que eu não faço é opinar sobre a sua prescrição. Dose, troca e suspensão são decisões de quem receitou.
Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026
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Terapia e remédio podem ser feitos ao mesmo tempo?
Podem, e há evidência apoiando isso. Uma meta-análise reunindo 52 estudos comparou medicação antidepressiva sozinha com a mesma medicação acompanhada de psicoterapia, e a combinação apareceu à frente. Isso descreve grupos de pacientes ao fim do tratamento, não prevê o seu caso e não indica conduta pra ninguém.
Na prática, as duas coisas fazem trabalhos distintos. A medicação atua sobre o quadro, sob acompanhamento médico. A psicoterapia é onde a sua história tem tempo, onde o que você sente pode ser dito sem precisar caber em consulta curta, e onde entra o que nenhum remédio resolve: uma relação difícil, uma decisão travada, um luto.
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A psicóloga pode mandar eu parar ou trocar o remédio?
Não pode, e eu não faço isso nem indiretamente. Prescrever, ajustar dose, trocar e suspender são atos médicos. Se eu percebo algo que merece atenção, o que eu digo é para você levar aquilo na sua consulta, e não o que fazer com o comprimido. Sugerir isso seria invadir a competência de outra profissional.
Vale desconfiar de qualquer profissional que faça o contrário. Frases como parar o remédio quando você melhorar, ou reduzir sozinha porque a terapia está indo bem, não são opinião ousada: são conduta médica dita por quem não pode dizer.
Se você quer parar a medicação, isso pode ser assunto de sessão: o que te levou a querer, o que você espera, o que te assusta. A decisão continua sendo tomada com quem receitou.
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Preciso contar pra psicóloga o que eu tomo?
Não é obrigatório, e ajuda bastante. Saber o que você usa e há quanto tempo me dá contexto: entender que aquele cansaço pode ter começado com um ajuste recente muda o que eu escuto. Você decide o quanto conta, e nada disso vira relatório para ninguém sem a sua autorização.
O que você me contar entra no registro do atendimento, guardado sob sigilo. Existe uma página deste site só sobre sigilo, gravação e o que fica registrado, se essa for a sua dúvida.
Se você quiser que eu e a sua psiquiatra conversem, isso só acontece com a sua autorização, e você fica sabendo do que foi falado. Sigilo é seu, não meu.
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Fazer terapia significa que vou precisar de remédio?
Não. A maior parte das pessoas que eu atendo não usa medicação nenhuma, e psicoterapia não é porta de entrada pra prescrição. Também não vale o contrário: começar terapia não é sinal de que você está evitando um tratamento que deveria fazer. São caminhos independentes que às vezes se cruzam.
Se ao longo do processo aparecer algo que me faça sugerir uma avaliação médica, eu digo com clareza qual foi o motivo. Sugerir avaliação é diferente de dizer que você precisa de remédio, e eu não confundo as duas coisas.
05-Quando não fazer
Quando a psicoterapia não é o cuidado principal?
Quando o que está em jogo é conduta médica. Se a sua dúvida é sobre dose, efeito colateral, gravidez, amamentação, interação com outro remédio ou como parar, a resposta não está aqui e não deve estar. Procurar a resposta comigo custa tempo e pode custar mais do que tempo.
- Efeito colateral que apareceu ou piorou: fale com quem receitou, e não espere a próxima sessão.
- Vontade de parar por conta própria: isso é conversa médica, e interromper sozinha pode ter consequência.
- Gravidez, planejamento de gravidez ou amamentação com medicação em uso: assunto da equipe médica que te acompanha.
- Sintoma novo e intenso depois de começar ou mudar um remédio.
- Uso de álcool ou outra substância junto da medicação, principalmente se já saiu do seu controle.
- Você quer laudo ou relatório sobre o seu tratamento: eu não emito esses documentos.
Em todos esses casos o próximo passo é quem prescreveu, uma psiquiatra ou o serviço de saúde da sua região. Se houver risco agora, é serviço de emergência local. Encaminhar o que não é meu é parte do trabalho, e o Código de Ética da profissão coloca isso como dever, não como cortesia.
Se o que está acontecendo é agora, não espere por sessão nenhuma: onde pedir ajuda no seu país reúne linhas de apoio e serviços de emergência, e é o primeiro passo em qualquer situação de risco.
→Sobre o meu atendimento
Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999. Atendo mulheres por videochamada, em português, partindo da Abordagem Centrada na Pessoa, em sessões de cinquenta minutos.
Eu não prescrevo, não ajusto dose, não suspendo medicação, não emito laudo e não atendo emergência. Se você faz acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia entra ao lado dele, sem interferir na conduta da sua médica.
Nada do que você me contar sobre o seu tratamento vira relatório, mensagem ou conversa com outra pessoa sem a sua autorização.
→Pra continuar lendo
Se a sua pergunta era outra
- Perguntas frequentes sobre o atendimento
Valor, horário, frequência, primeira sessão e como funciona o combinado.
- Terapia para ansiedade
Se a medicação entrou na sua vida por causa da ansiedade, comece por aqui.
- Abordagem Centrada na Pessoa
De onde eu parto quando escuto, e por que isso não é técnica aplicada em cima de você.
- Terapia online e sigilo
O que fica registrado, por que eu não gravo sessão, o que a LGPD chama de dado sensível e onde o sigilo tem limite.
- Terapia online para ansiedade
O que muda quando a sessão é por vídeo, e os sinais de que só a psicoterapia não vai dar conta.
As dez perguntas de segurança e limite estão reunidas em segurança e limites do atendimento.
→Referências
De onde vem cada afirmação
- 01
Cuijpers, P., Sijbrandij, M., Koole, S. L., Andersson, G., Beekman, A. T. & Reynolds, C. F. (2014). World Psychiatry, 13(1), 56-67. Ver a fonte
Meta-análise de 52 estudos e 3.623 pacientes, sendo 32 sobre transtornos depressivos e 21 sobre transtornos de ansiedade. A comparação é medicação SOZINHA contra medicação JUNTO de psicoterapia, ao fim do tratamento: g = 0,43 a favor da combinação. Não compara psicoterapia com medicação e não recomenda conduta nenhuma para caso individual.
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Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo, Resolução CFP nº 10/2005. Ver a fonte
Texto oficial. Traz o dever de o psicólogo assumir responsabilidade apenas por atividades para as quais esteja capacitado, de não propor atividades privativas de outras categorias profissionais e de encaminhar a profissionais habilitados as demandas que extrapolem o seu campo de atuação.
Esta página é conteúdo informativo. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico, prescrição nem recomendação clínica individual, e nada aqui substitui uma consulta. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, Psicóloga Clínica, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.