Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Gravidez e pós-parto · segurança e limite

Posso fazer terapia grávida ou no pós-parto?

Pode. Psicoterapia não tem contraindicação por gravidez nem por pós-parto, e é justamente um período em que muita mulher precisa de um lugar pra falar sem ser corrigida. O que a terapia não faz é acompanhar a sua saúde física: isso segue com quem cuida do pré-natal ou do puerpério, e as duas coisas caminham juntas.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

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Qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

O chamado baby blues costuma começar nos primeiros dois a três dias depois do parto e se resolver em cerca de duas semanas, sem tratamento, sem prejuízo importante do funcionamento, e não é classificado como transtorno mental. A depressão perinatal é mais grave e pode durar meses quando não recebe cuidado.

Essa descrição vem de material de referência clínica de acesso aberto, citado no fim da página. Ela existe pra você ter um parâmetro de tempo e de intensidade, e não pra você se classificar: nenhuma página diz se alguém tem depressão pós-parto. Isso é avaliação de profissional, presencial ou não.

O ponto prático é o relógio. Choro fácil, sensibilidade e oscilação nos primeiros dias são descritos como esperados e passageiros. Quando passa de duas semanas, quando aperta em vez de aliviar, ou quando você já não consegue cuidar de você nem do bebê, isso deixou de ser o esperado e vale procurar avaliação.

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É seguro fazer terapia durante a gravidez?

É. Psicoterapia não envolve procedimento, não interage com nada que você esteja tomando e não tem restrição por trimestre. O que costuma mudar é o assunto: medo do parto, mudança de corpo, relação com a própria mãe, o trabalho que espera, e a distância de quem cuidaria de você se estivesse perto.

Grávida ouve conselho o tempo todo, de todo mundo, sem ter pedido. A sessão costuma ser o único lugar da semana em que alguém escuta sem completar a sua frase e sem dizer o que você deveria estar sentindo.

Se você mora fora do Brasil, existe uma camada a mais: passar por isso num sistema de saúde que você não conhece, em outra língua, longe de quem faria comida e ficaria com você. Isso entra em sessão como assunto legítimo, não como frescura.

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Dá pra fazer sessão com o bebê no colo?

Dá, e acontece bastante. A sessão não precisa de silêncio de biblioteca nem de você arrumada. Bebê chora, mama, dorme, e a gente continua. O que costuma ser mais difícil não é o barulho: é achar cinquenta minutos em que outra pessoa fique com ele, se é isso que você precisa pra falar à vontade.

Vale combinar antes o que fazer se a sessão precisar parar no meio. Ter isso resolvido tira de você a pressão de segurar o choro do bebê pra não atrapalhar, que é exatamente a pressão que já sobra no pós-parto.

Se você não tem com quem deixar o bebê em nenhum horário, isso não é obstáculo pra começar. É assunto, e às vezes o primeiro assunto.

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Não sentir amor pelo bebê é normal?

É mais comum do que se conta, e dizer isso em voz alta costuma ser o passo mais difícil. Vínculo nem sempre chega de imediato, e a demora não é veredito sobre você como mãe. Também não é assunto pra você resolver sozinha: quando vem junto com desespero ou com medo de se machucar, procure avaliação agora.

Na sessão isso pode ser dito sem que ninguém te olhe torto. Não tem julgamento, não tem conselho automático e não tem a frase de que passa rápido, que você provavelmente já ouviu de gente demais.

Existem dois textos deste site sobre isso, escritos com mais cuidado, e eles estão nos links do fim da página.

05-Quando não fazer

Quando a terapia não é o suficiente na gravidez ou no pós-parto?

Quando existe risco a você ou ao bebê, ou quando o quadro pede avaliação médica junto. Neste período, mais do que em qualquer outro, psicoterapia não caminha sozinha: quem acompanha o pré-natal ou o puerpério precisa saber o que está acontecendo, e às vezes precisa entrar antes de mim.

  • Pensamento de se machucar, ou de machucar o bebê, em qualquer intensidade: isso é agora, e é serviço de emergência ou a equipe que te acompanha.
  • Tristeza intensa que já passou de duas semanas depois do parto, ou que aperta em vez de aliviar.
  • Você não está conseguindo cuidar de você nem do bebê no básico.
  • Alterações no pensamento ou na percepção, como ouvir ou ver o que outras pessoas não veem, ou ideias que assustam quem está por perto.
  • Sintomas do corpo que precisam de médica: sangramento, febre, dor, sono ou apetite muito alterados.
  • Você está sozinha, sem ninguém por perto, num momento em que não deveria estar sozinha.

Nesses casos o próximo passo é a equipe que acompanha a sua gravidez ou o seu pós-parto, uma psiquiatra, ou o serviço de emergência local se o risco é agora. Psicoterapia entra ao lado disso. Eu não faço pré-natal, não prescrevo e não avalio nada do corpo, e não vou fingir que faço.

Se o que está acontecendo é agora, não espere por sessão nenhuma: onde pedir ajuda no seu país reúne linhas de apoio e serviços de emergência, e é o primeiro passo em qualquer situação de risco.

Sobre o meu atendimento

Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999. Atendo mulheres por videochamada, em português, partindo da Abordagem Centrada na Pessoa, em sessões de cinquenta minutos, e maternidade é um dos assuntos que mais aparecem aqui.

Eu não diagnostico depressão pós-parto, não prescrevo, não emito laudo e não atendo emergência. Se o que você me contar na primeira conversa pedir avaliação médica, eu digo, e a gente vê junto como você organiza isso.

A sessão por vídeo tem uma vantagem prática nesse período: você não precisa se arrumar, sair de casa nem organizar transporte com um bebê pequeno pra ter cinquenta minutos seus.

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As dez perguntas de segurança e limite estão reunidas em segurança e limites do atendimento.

Referências

De onde vem cada afirmação

  1. 01

    Carlson, K., Mughal, S., Azhar, Y. & Siddiqui, W. (2025). Perinatal Depression. StatPearls, National Library of Medicine (NCBI Bookshelf). Ver a fonte

    Verbete de referência clínica de acesso aberto. É de onde vêm as três afirmações usadas nesta página: o baby blues surge em dois a três dias após o parto e se resolve em cerca de duas semanas; não causa prejuízo funcional importante e não é considerado transtorno mental; a depressão perinatal é mais grave e pode durar meses quando não tratada. O verbete também registra prevalência de depressão perinatal entre 6,5% e 20% no pós-parto, com variação por país.

Esta página é conteúdo informativo. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico, prescrição nem recomendação clínica individual, e nada aqui substitui uma consulta. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, Psicóloga Clínica, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.