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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Aromaterapia para ansiedade funciona? O que os estudos mostram

Pode aliviar a ansiedade de momentos específicos, com evidência de baixa qualidade. Quase todos os ensaios testaram inalar óleos essenciais antes de cirurgias, exames ou durante tratamentos médicos, e uma revisão de 2023 com 44 ensaios encontrou redução da ansiedade, com certeza baixa ou muito baixa. Pra transtornos de ansiedade, a pesquisa é escassa. No SUS desde 2018, a aromaterapia é prática complementar e não substitui tratamento. A psicoterapia tem pesquisa ampla nesses quadros.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Aromaterapia para ansiedade funciona? O que os estudos mostram: comparação lado a lado
CritérioAromaterapiaPsicoterapia
O que éAromaterapia: O uso intencional de óleos essenciais, concentrados voláteis extraídos de plantas, pra promover saúde e bem-estar, segundo o Ministério da Saúde.Psicoterapia: Um tratamento conduzido por uma profissional de saúde mental, com método e teoria sobre o sofrimento psíquico, em que você fala do que sente e vive.
Como é usadaAromaterapia: Inalando o óleo, por difusor de ambiente ou inalador individual, ou em massagem, diluído em outro óleo, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.Psicoterapia: Encontros regulares em que você conta o que está acontecendo e a profissional ajuda a entender e lidar com isso.
Pesquisa sobre ansiedadeAromaterapia: Uma revisão de 2023 com 44 ensaios de inalação encontrou redução da ansiedade, com certeza baixa ou muito baixa e alto risco de viés em boa parte dos estudos.Psicoterapia: Ampla. Uma meta-análise de 2018 reuniu 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e encontrou vantagem moderada pra terapia.
Em quem foi estudadaAromaterapia: Quase sempre em ansiedade com gatilho claro: antes de cirurgia, de exame invasivo, no parto, na hemodiálise, na quimioterapia.Psicoterapia: Em pessoas com transtornos de ansiedade e relacionados, diagnosticados, nos ensaios reunidos pela meta-análise de 2018.
Comparação com placeboAromaterapia: Os controles foram óleo sem cheiro ou só o cuidado de rotina. Como quem participa sente o cheiro, é difícil esconder quem está recebendo o óleo essencial.Psicoterapia: A terapia cognitivo-comportamental foi testada contra placebo psicológico e de comprimido, em dezenas de ensaios randomizados.
Revisões CochraneAromaterapia: Uma análise de 2019 achou quatro revisões Cochrane sobre aromaterapia, em náusea, demência, câncer e dor no parto. Nenhuma sobre ansiedade.Psicoterapia: A meta-análise de 2018 citada aqui reuniu só ensaios randomizados contra placebo, o tipo de comparação que falta na aromaterapia pra ansiedade.
Efeitos indesejadosAromaterapia: Na pele, alergia e irritação; com óleos cítricos, sensibilidade ao sol. Engolir grandes quantidades não é recomendado.Psicoterapia: Falar de assuntos difíceis pode trazer desconforto em algumas fases, e a profissional acompanha isso ao longo das sessões.
No SUSAromaterapia: Incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018.Psicoterapia: Faz parte do cuidado em saúde mental da rede pública, conduzida por profissionais de saúde.

O que é aromaterapia e como ela é usada?

A portaria do Ministério da Saúde que incluiu a aromaterapia no SUS, em 2018, a define como o uso intencional de concentrados voláteis extraídos de plantas, os óleos essenciais, pra promover ou melhorar a saúde, o bem-estar e a higiene. O texto diz ainda que ela pode ser adotada por diferentes profissionais de saúde e combinada com outras práticas.

Na prática, os jeitos mais comuns são três, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos: espalhar o óleo no ambiente com um difusor, inalar de perto com um inalador individual, ou fazer massagem com o óleo essencial diluído num óleo carreador.

O que a pesquisa mostra sobre aromaterapia e ansiedade?

Em 2011, uma revisão reuniu 16 ensaios randomizados com pessoas com sintomas de ansiedade. A maioria mostrou efeito positivo, e nenhum relatou evento adverso. Os autores recomendaram a aromaterapia como complemento, e pediram estudos com metodologia melhor.

Em 2023, uma revisão maior reuniu 44 ensaios, todos com inalação, e encontrou redução da ansiedade do momento e da ansiedade como traço. O óleo de laranja-amarga (Citrus aurantium) apareceu como o de resultado mais consistente. Os próprios autores, porém, disseram que a maior parte dos ensaios tinha alto risco de viés e evidência de qualidade baixa ou muito baixa, e que a credibilidade dos resultados é baixa.

Há um detalhe que muda a leitura. Quase todos esses ensaios foram feitos com ansiedade ligada a um procedimento médico: cirurgia, colonoscopia, ressonância, cateterismo, parto, hemodiálise. Isso diz pouco sobre a ansiedade que acompanha alguém há meses, sem um gatilho só. E, numa análise de 2019 das revisões Cochrane sobre as práticas incluídas no SUS em 2018, as quatro revisões sobre aromaterapia tratavam de náusea, demência, câncer e dor no parto, sem nenhuma sobre ansiedade.

Óleo de lavanda funciona pra ansiedade?

A lavanda é o óleo mais estudado. Uma revisão de 2019 juntou dezenas de ensaios e separou três formas de uso: inalar, tomar em cápsula e usar em massagem. A cápsula de óleo de lavanda tomada por boca teve o resultado mais claro, e a inalação mostrou indicação de efeito. Os autores apontaram como principal limitação a baixa qualidade média dos estudos.

Aqui vale uma distinção importante. A cápsula que se engole foi estudada como medicamento, e fica fora do que se entende por aromaterapia, que é inalar ou passar na pele. Se você pensa em tomar algo pela boca pra ansiedade, mesmo que seja de origem vegetal, converse antes com um médico, principalmente se já usa outro remédio.

Aromaterapia faz mal?

Na maioria dos usos, os efeitos indesejados são pequenos, mas existem. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos cita alergia e irritação quando o óleo encosta na pele, sensibilidade ao sol com óleos cítricos aplicados na pele, e diz que engolir grandes quantidades de óleo essencial não é recomendado. O mesmo texto registra que óleos de lavanda e de melaleuca tiveram efeitos parecidos com os do estrogênio e foram associados a crescimento das mamas em meninos antes da puberdade.

O risco que mais me preocupa, porém, é outro: usar o difusor como única resposta a uma ansiedade que já atrapalha o sono, o trabalho ou as relações, e adiar o tratamento de que a pessoa precisa.

Por que a aromaterapia está no SUS?

A aromaterapia entrou na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018, junto com outras práticas como cromoterapia, terapia de florais e constelação familiar. A portaria justifica a inclusão pela recomendação da Organização Mundial da Saúde de incorporar medicinas tradicionais e complementares e pelo reconhecimento dessas práticas por categorias profissionais de saúde.

Estar no SUS garante acesso, e não equivale a atestado de eficácia pra ansiedade. O próprio Ministério da Saúde, na página de perguntas frequentes, diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar, e que a oferta varia de município pra município.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Aromaterapia
Pode ser um recurso de conforto em momentos pontuais, como antes de um exame ou num dia difícil, se você gosta do cheiro e toma os cuidados com a pele. Foi aí que ela mais foi estudada. Pra uma ansiedade que dura meses e atrapalha a vida, ela não tem base pra ser o tratamento, e o próprio Ministério da Saúde a apresenta como complemento.
Psicoterapia
Faz mais sentido quando a ansiedade é frequente, intensa ou está com você há bastante tempo, e você quer entender de onde ela vem e o que fazer com ela. Se ela aparece em crises fortes e bem definidas, como no pânico, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais estudos. Se faz parte de um momento de vida, como uma mudança de país ou um esgotamento, outras abordagens também podem ajudar. Quando um remédio parece necessário, essa decisão é com médico psiquiatra.

Perguntas frequentes

Aromaterapia tem comprovação científica para ansiedade?

Há ensaios com resultado favorável, mas com evidência de qualidade baixa ou muito baixa, segundo uma revisão de 2023 com 44 ensaios. Quase todos estudaram ansiedade ligada a cirurgia, exame ou tratamento médico. Pra transtornos de ansiedade, não há evidência científica suficiente pra dizer que a aromaterapia trata.

Qual o melhor óleo essencial para ansiedade?

Na revisão de 2023, a laranja-amarga (Citrus aurantium) teve o resultado mais consistente entre os óleos inalados, e a lavanda é o óleo mais estudado. Os autores, porém, classificaram a qualidade da evidência como baixa ou muito baixa, então nenhum óleo tem base firme pra ser indicado como tratamento.

Posso tomar óleo essencial ou cápsula de lavanda para ansiedade?

Engolir grandes quantidades de óleo essencial não é recomendado, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. As cápsulas de óleo de lavanda estudadas em ensaios são um produto pra tomar, pesquisado como medicamento. Antes de tomar qualquer coisa pela boca pra ansiedade, converse com um médico.

Aromaterapia substitui a terapia ou o remédio?

Não. O Ministério da Saúde diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais. Se você toma remédio, qualquer mudança é decidida com o médico que acompanha você. Se faz terapia, a aromaterapia pode existir ao lado dela.

Posso usar aromaterapia e fazer terapia ao mesmo tempo?

Pode. Nada impede, e a própria política do SUS trata a aromaterapia como complemento. Se um cheiro te ajuda a se acalmar antes da sessão ou em casa, isso também pode virar assunto na terapia: o que ele desperta, em que momentos você recorre a ele.

Passar óleo essencial na pele faz mal?

Pode causar alergia e irritação, e óleos cítricos na pele podem deixar a pele sensível ao sol, segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. Na massagem, o óleo essencial é usado diluído num óleo carreador.

Tem aromaterapia pelo SUS?

A aromaterapia está entre as 29 práticas integrativas do SUS desde a Portaria GM/MS nº 702, de 2018, mas a oferta varia de município pra município. O Ministério da Saúde orienta procurar a Unidade Básica de Saúde de referência ou a Secretaria de Saúde da sua cidade.

Psicóloga pode usar aromaterapia na sessão?

Não encontrei documento do CFP específico sobre aromaterapia. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica e proíbe vincular o título de psicóloga a técnicas não reconhecidas pela profissão. Segundo orientação do CRP de Mato Grosso, estar no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usar uma prática integrativa.

De onde vem cada afirmação

  1. Ministério da Saúde (2018). Portaria nº 702, de 21 de março de 2018: altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na PNPIC. Diário Oficial da União, Seção 1, 22/03/2018 (texto no Datalegis, base de legislação do governo federal). Inclui a aromaterapia na PNPIC, define a prática pelo uso intencional de óleos essenciais e justifica a inclusão pela OMS e pelas categorias profissionais.
  2. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). gov.br/saude (consultado em 23/09/2026). Lista a aromaterapia entre as 29 práticas integrativas do SUS, que atuam de forma complementar ao tratamento convencional.
  3. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Perguntas Frequentes (FAQ). gov.br/saude (publicado em 16/09/2026, consultado em 23/09/2026). Diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais, que a oferta varia por município e como procurar pela Unidade Básica de Saúde.
  4. Lee, Y.-L., Wu, Y., Tsang, H. W. H., Leung, A. Y. & Cheung, W. M. (2011). A systematic review on the anxiolytic effects of aromatherapy in people with anxiety symptoms. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, 17(2), 101-108. Revisão de 16 ensaios randomizados: a maioria com efeito positivo e nenhum evento adverso relatado; os autores pedem estudos com metodologia melhor.
  5. Tan, L., Liao, F.-F., Long, L.-Z., Ma, X.-C., Peng, Y.-X., Lu, J.-M., Qu, H. & Fu, C.-G. (2023). Essential oils for treating anxiety: a systematic review of randomized controlled trials and network meta-analysis. Frontiers in Public Health, 11, 1144404. Revisão de 44 ensaios de inalação, quase todos com ansiedade ligada a procedimentos médicos: redução da ansiedade, com alto risco de viés na maior parte e evidência de qualidade baixa ou muito baixa.
  6. Donelli, D., Antonelli, M., Bellinazzi, C., Gensini, G. F. & Firenzuoli, F. (2019). Effects of lavender on anxiety: A systematic review and meta-analysis. Phytomedicine, 65, 153099. Revisão sobre lavanda por inalação, por via oral e em massagem: resultado mais claro na cápsula oral, indicação de efeito na inalação, e baixa qualidade média dos estudos como principal limitação.
  7. Riera, R., Pacheco, R. L., Hosni, N. D., Braga, V. L., Rocha, L. P. S., Bernardo, D. D. et al. (2019). O que as revisões sistemáticas Cochrane dizem sobre o uso das 10 novas práticas de medicina integrativa incorporadas ao Sistema Único de Saúde. Diagnóstico & Tratamento, 24(1), 25-36. Encontrou quatro revisões Cochrane sobre aromaterapia (náusea pós-operatória, demência, massagem no câncer e dor no parto), nenhuma sobre ansiedade.
  8. National Cancer Institute (EUA) (2023). Aromatherapy With Essential Oils (PDQ): Patient Version. cancer.gov (atualizado em 11/09/2023). Descreve as formas de uso (difusor, inalador, massagem diluída) e os efeitos indesejados: alergia e irritação na pele, sensibilidade ao sol com óleos cítricos, e a recomendação de não engolir grandes quantidades.
  9. Carpenter, J. K., Andrews, L. A., Witcraft, S. M., Powers, M. B., Smits, J. A. J. & Hofmann, S. G. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514. Meta-análise de 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e relacionados, com vantagem moderada pra terapia.
  10. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Artigo 1º, alínea c: técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica; artigo 2º, alínea f: vedação de vincular o título a técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão.
  11. Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (MT) (2024). Orientação técnica: uso de técnicas psicológicas e não psicológicas. CRP-MT (revisada em 09/01/2024). Explica que não há norma específica sobre práticas integrativas no Sistema Conselhos e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga as incorpore à prática.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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