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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Cromoterapia funciona? O que a pesquisa mostra

Não há evidência científica suficiente pra afirmar que a cromoterapia trata ansiedade ou outra condição. Uma análise de 2019 não encontrou nenhuma revisão Cochrane sobre ela, e os estudos que existem são poucos, sem protocolo padronizado, como um ensaio de 2025 em que pacientes de quimioterapia passaram 20 minutos numa sala azul. No SUS desde 2018, é prática complementar. A terapia com luz branca intensa, usada na depressão de inverno, é outra coisa e tem ensaios.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Cromoterapia funciona? O que a pesquisa mostra: comparação lado a lado
CritérioCromoterapiaPsicoterapia
O que éCromoterapia: Segundo o Ministério da Saúde, uma prática que usa as cores no tratamento de doenças, com o objetivo de harmonizar o corpo do nível físico aos mais sutis.Psicoterapia: Um tratamento conduzido por uma profissional de saúde mental, com método e teoria sobre o sofrimento psíquico, em que você fala do que sente e vive.
Como é aplicadaCromoterapia: Por contato, visualização, instrumentos, cabines de luz, luz polarizada ou meditação, segundo a portaria que a incluiu no SUS.Psicoterapia: Encontros regulares em que você conta o que está acontecendo e a profissional ajuda a entender e lidar com isso.
A ideia por trásCromoterapia: Cada cor teria um efeito sobre o corpo, que poderia ser usado como tratamento, buscando equilíbrio físico e energético.Psicoterapia: Teorias sobre o sofrimento psíquico e sobre como ele muda, testadas em pesquisa clínica.
Revisões de pesquisaCromoterapia: Uma análise de 2019 não encontrou nenhuma revisão Cochrane sobre cromoterapia. Uma revisão de 2026 aponta escassez de evidência robusta.Psicoterapia: Ampla. Uma meta-análise de 2018 reuniu 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e encontrou vantagem moderada pra terapia.
Ensaios sobre ansiedadeCromoterapia: Isolados. Num ensaio de 2025, pacientes de quimioterapia que ficaram 20 minutos numa sala azul tiveram menos ansiedade do que os que ficaram num ambiente hospitalar comum.Psicoterapia: A terapia cognitivo-comportamental foi testada contra placebo psicológico e de comprimido, em dezenas de ensaios randomizados.
ProtocoloCromoterapia: A revisão de 2026 aponta ausência de protocolos padronizados pra aplicar a prática.Psicoterapia: Os 41 ensaios da meta-análise de 2018 testaram a terapia cognitivo-comportamental em transtornos definidos, sempre com um grupo de comparação.
RiscosCromoterapia: Não encontrei estudo sobre danos. O risco que mais me preocupa é adiar um tratamento de que a pessoa precisa.Psicoterapia: Falar de assuntos difíceis pode trazer desconforto em algumas fases, e a profissional acompanha isso ao longo das sessões.
No SUSCromoterapia: Incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018.Psicoterapia: Faz parte do cuidado em saúde mental da rede pública, conduzida por profissionais de saúde.

O que é cromoterapia e como é uma sessão?

A portaria do Ministério da Saúde que incluiu a cromoterapia no SUS, em 2018, a descreve como uma prática que usa as cores no tratamento de doenças desde as civilizações antigas, e que atua do nível físico aos mais sutis, com o objetivo de harmonizar o corpo. Segundo o texto, as cores podem ser aplicadas por contato, por visualização, com instrumentos, em cabines de luz, com luz polarizada ou em meditação, às vezes sobre regiões específicas do corpo.

Uma análise de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo resume o princípio assim: cada cor teria um efeito sobre o corpo, e esse efeito poderia ser convertido em tratamento. É essa ideia que a pesquisa precisaria testar.

O que a pesquisa mostra sobre cromoterapia?

Pouco. Em 2019, pesquisadores da disciplina de Medicina Baseada em Evidências da Unifesp procuraram, na biblioteca Cochrane, revisões sistemáticas sobre as dez práticas incluídas no SUS em 2018. Pra cromoterapia, não encontraram nenhuma, e por isso não havia como tirar conclusão sobre eficácia ou segurança a partir dessas revisões.

Uma revisão integrativa publicada em 2026, feita por pesquisadores de enfermagem que veem a cromoterapia como ferramenta complementar de cuidado, chegou a um diagnóstico parecido: escassez de evidências científicas robustas e ausência de protocolos padronizados. Ou seja, mesmo uma revisão favorável à prática reconhece que falta base de estudos.

Com esse conjunto, não há evidência científica suficiente pra afirmar que a cromoterapia trata ansiedade ou outra condição. Isso não quer dizer que cor e ambiente não mexam com o nosso estado. Quer dizer que não se sabe se a cromoterapia, como prática, faz o que promete.

Cor acalma? O que um ensaio com sala azul encontrou

Em 2025, um ensaio sorteou 190 pacientes de quimioterapia entre dois grupos. Um ficou 20 minutos numa sala terapêutica azul, o outro 20 minutos num ambiente hospitalar comum. A ansiedade caiu no grupo da sala azul e não mudou no outro, e os autores recomendaram a prática como complemento de baixo custo.

É um resultado que merece ser registrado, e tem limites claros. É um ensaio só, num contexto muito específico. O grupo de comparação ficou no ambiente de sempre, então não dá pra separar o efeito da cor do efeito de sair da rotina, ir pra uma sala preparada e ter 20 minutos de pausa. Pra isso, seria preciso comparar com uma sala igual em tudo, menos na cor.

Cromoterapia e terapia de luz são a mesma coisa?

Não, e a diferença importa pra quem mora num país de inverno longo e escuro. A terapia de luz, ou fototerapia com luz intensa, usa luz branca forte, de pelo menos 1.000 lux nos ensaios reunidos por uma meta-análise de 2020, e foi estudada principalmente na depressão sazonal, a que aparece no outono e no inverno.

Essa meta-análise reuniu 19 ensaios randomizados que compararam luz intensa com luz fraca ou simulada e concluiu que ela é um tratamento eficaz pra depressão sazonal, com a ressalva de estudos pequenos a médios, diferentes entre si e com risco de viés moderado a alto. Ela não parte da ideia de que cada cor tenha um efeito próprio sobre o corpo, que é o princípio da cromoterapia. Se você suspeita que o inverno está te derrubando, isso pede avaliação com um médico, e a terapia também pode ajudar a atravessar essa fase.

Por que a cromoterapia está no SUS?

A cromoterapia entrou na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares pela Portaria GM/MS nº 702, de 21 de março de 2018, junto com outras práticas como aromaterapia, terapia de florais e constelação familiar. A portaria justifica a inclusão pela recomendação da Organização Mundial da Saúde de incorporar medicinas tradicionais e complementares e pelo reconhecimento dessas práticas por categorias profissionais de saúde.

Entrar numa política pública garante acesso, e não equivale a atestado de eficácia. O próprio Ministério da Saúde, na página de perguntas frequentes, diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais e são usadas de forma complementar.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Cromoterapia
Se você procura a cromoterapia como um momento de pausa e se sente bem com ela, não há motivo pra culpa nem pra vergonha. Pelo que a pesquisa mostra, porém, ela não tem base pra ser o tratamento de ansiedade, depressão ou outra condição, e o próprio Ministério da Saúde a apresenta como complemento. Se você já faz tratamento, não troque o tratamento por ela sem conversar com quem acompanha você.
Psicoterapia
Faz mais sentido quando o que você sente é frequente, intenso ou está com você há bastante tempo, e você quer entender de onde vem e o que fazer com isso. Se a ansiedade aparece em crises fortes e bem definidas, como no pânico, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais estudos. Se o que pesa é um momento de vida, como uma mudança de país, um inverno difícil longe de casa ou um esgotamento, outras abordagens também podem ajudar. Quando um remédio parece necessário, essa decisão é com médico psiquiatra.

Perguntas frequentes

Cromoterapia tem comprovação científica?

Não há evidência científica suficiente pra afirmar que a cromoterapia trata alguma condição. Uma análise de 2019 não encontrou nenhuma revisão Cochrane sobre ela, e uma revisão de 2026 aponta escassez de evidência robusta e falta de protocolos padronizados.

Cromoterapia funciona para ansiedade?

Há poucos estudos isolados. Num ensaio de 2025, pacientes de quimioterapia que passaram 20 minutos numa sala azul tiveram menos ansiedade que os que ficaram no ambiente comum, mas a comparação não separa o efeito da cor do efeito da pausa. Não há base pra usar a cromoterapia como tratamento da ansiedade.

Qual cor acalma a ansiedade?

Não encontrei pesquisa sólida que aponte uma cor certa. O ensaio de 2025 usou uma sala azul, mas um estudo só, num contexto muito específico, não permite recomendar uma cor pra tratar ansiedade.

Cromoterapia faz mal?

Não encontrei estudo sobre danos da cromoterapia. O risco que mais me preocupa é indireto: usar a prática no lugar de um tratamento quando a ansiedade ou a tristeza já atrapalham o sono, o trabalho ou as relações.

Luz forte ajuda na tristeza do inverno?

A terapia com luz branca intensa tem ensaios na depressão sazonal, e uma meta-análise de 2020 com 19 ensaios concluiu que ela é eficaz, com estudos pequenos e risco de viés. Ela é diferente da cromoterapia. Se o inverno está te derrubando, procure avaliação com um médico, e considere a terapia pra atravessar a fase.

Posso fazer cromoterapia e terapia ao mesmo tempo?

Pode. Nada impede, e o Ministério da Saúde apresenta as práticas integrativas como complemento. Vale contar pra sua psicóloga, porque o que você sente nas sessões também é assunto da terapia.

Tem cromoterapia pelo SUS?

A cromoterapia está entre as 29 práticas integrativas do SUS desde a Portaria GM/MS nº 702, de 2018, mas a oferta varia de município pra município. O Ministério da Saúde orienta procurar a Unidade Básica de Saúde de referência ou a Secretaria de Saúde da sua cidade.

Psicóloga pode usar cromoterapia?

Não encontrei documento do CFP específico sobre cromoterapia. O Código de Ética pede técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica e proíbe vincular o título de psicóloga a técnicas não reconhecidas pela profissão. Segundo orientação do CRP de Mato Grosso, estar no SUS não autoriza, por si só, a psicóloga a usar uma prática integrativa.

De onde vem cada afirmação

  1. Ministério da Saúde (2018). Portaria nº 702, de 21 de março de 2018: altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na PNPIC. Diário Oficial da União, Seção 1, 22/03/2018 (texto no Datalegis, base de legislação do governo federal). Inclui a cromoterapia na PNPIC, descreve a prática e as formas de aplicação, e justifica a inclusão pela OMS e pelas categorias profissionais.
  2. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). gov.br/saude (consultado em 23/09/2026). Lista a cromoterapia entre as 29 práticas integrativas do SUS, que atuam de forma complementar ao tratamento convencional.
  3. Ministério da Saúde (2026). Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Perguntas Frequentes (FAQ). gov.br/saude (publicado em 16/09/2026, consultado em 23/09/2026). Diz que as práticas integrativas não substituem os tratamentos convencionais, que a oferta varia por município e como procurar pela Unidade Básica de Saúde.
  4. Riera, R., Pacheco, R. L., Hosni, N. D., Braga, V. L., Rocha, L. P. S., Bernardo, D. D. et al. (2019). O que as revisões sistemáticas Cochrane dizem sobre o uso das 10 novas práticas de medicina integrativa incorporadas ao Sistema Único de Saúde. Diagnóstico & Tratamento, 24(1), 25-36. Resume o princípio da cromoterapia e não encontra nenhuma revisão sistemática Cochrane sobre ela.
  5. Rodrigues, B. G. C. & Pereira, E. J. (2026). Atuação do enfermeiro nos cuidados da cromoterapia: uma revisão integrativa da literatura. Revista Delos, 19(80), e9265. Revisão integrativa favorável ao uso complementar que, mesmo assim, aponta escassez de evidências científicas robustas e ausência de protocolos padronizados.
  6. Panahi, S., Safari Nezhad, M., Salari, N. & Jalali, R. (2025). The Effect of Color Therapy on Anxiety in Chemotherapy Patients Attending the Oncology Department: A Randomized Clinical Trial. Sage Open Nursing, 11, 23779608251396225. Ensaio com 190 pacientes de quimioterapia: 20 minutos numa sala azul reduziram a ansiedade, frente a 20 minutos no ambiente hospitalar comum, sem mudança no grupo de comparação.
  7. Pjrek, E., Friedrich, M.-E., Cambioli, L., Dold, M., Jäger, F., Komorowski, A., Lanzenberger, R., Kasper, S. & Winkler, D. (2020). The Efficacy of Light Therapy in the Treatment of Seasonal Affective Disorder: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Psychotherapy and Psychosomatics, 89(1), 17-24. Meta-análise de 19 ensaios com luz branca intensa contra luz fraca ou simulada: eficaz na depressão sazonal, com estudos pequenos a médios, heterogêneos e com risco de viés moderado a alto.
  8. Carpenter, J. K., Andrews, L. A., Witcraft, S. M., Powers, M. B., Smits, J. A. J. & Hofmann, S. G. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: A meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514. Meta-análise de 41 ensaios que compararam a terapia cognitivo-comportamental com placebo em transtornos de ansiedade e relacionados, com vantagem moderada pra terapia.
  9. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Artigo 1º, alínea c: técnicas reconhecidamente fundamentadas na ciência psicológica; artigo 2º, alínea f: vedação de vincular o título a técnicas não regulamentadas ou reconhecidas pela profissão.
  10. Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (MT) (2024). Orientação técnica: uso de técnicas psicológicas e não psicológicas. CRP-MT (revisada em 09/01/2024). Explica que não há norma específica sobre práticas integrativas no Sistema Conselhos e que a autorização do Ministério da Saúde não garante, por si só, que a psicóloga as incorpore à prática.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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