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Fernanda Ferro
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AnsiedadeTema: Outros textos15 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Valeriana para ansiedade: o que os estudos dizem e não dizem

Valeriana serve para ansiedade? O que a revisão Cochrane encontrou, o que a Anvisa indica, quem não deve usar, interações com outros remédios e quando a ansiedade pede avaliação e terapia.


A valeriana é uma planta cuja raiz vira chá, cápsula, comprimido e tintura, usada há séculos para tensão e sono. Para ansiedade, a revisão Cochrane que avaliou o tema encontrou um único estudo pequeno e concluiu que não havia evidência suficiente para dizer se ela funciona. A indicação da Anvisa é outra: sedativo leve e distúrbios do sono associados à ansiedade, não o tratamento da ansiedade em si.

Eu sou psicóloga, e este texto não indica dose nem produto. "Como tomar valeriana para ansiedade", em quantidade, horário e combinação com outros remédios, é assunto de médico ou farmacêutico. O que cabe a mim é situar a valeriana dentro do cuidado com a ansiedade, com base no que as fontes oficiais dizem.

O que dizem as revisões

A principal revisão sobre o tema é a da Cochrane, "Valerian for anxiety disorders" (Miyasaka, Atallah e Soares, 2006). Os autores buscaram ensaios clínicos randomizados com valeriana em pessoas com transtornos de ansiedade. Só um estudo cumpriu os critérios:

  • 36 pessoas com transtorno de ansiedade generalizada, em um estudo-piloto de 4 semanas que comparou valeriana, diazepam e placebo;
  • entre valeriana e placebo, não houve diferença significativa na escala de ansiedade usada pelos clínicos (HAM-A);
  • entre valeriana e diazepam, também não houve diferença nessa escala, mas em outra medida (STAI-Traço) a melhora foi maior no grupo do diazepam;
  • efeitos colaterais e abandono do estudo não diferiram entre os três grupos.

A conclusão dos autores: com um estudo pequeno, há evidência insuficiente para qualquer conclusão sobre eficácia ou segurança da valeriana para ansiedade, e fazem falta estudos maiores. A busca dessa revisão foi feita em agosto de 2006, então ela não inclui estudos publicados depois. Quem quiser saber o que existe hoje pode perguntar ao médico ou ao farmacêutico, que têm acesso à literatura atual.

Isso não prova que a valeriana não faz efeito. Quer dizer que, para ansiedade, a pergunta continua sem resposta firme.

O que a Anvisa indica

O Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, publicado pela Anvisa, descreve a raiz de Valeriana officinalis como "sedativo moderado, hipnótico e no tratamento de distúrbios do sono associados à ansiedade". Duas observações sobre essa frase:

  • o foco está no sono e na sedação leve;
  • ansiedade aparece como contexto do distúrbio do sono, e não como transtorno tratado pela planta.

O mesmo documento diz que o uso contínuo recomendado dura de 2 a 4 semanas e que, se os sintomas persistirem ou piorarem depois de 2 semanas de uso contínuo, o médico deve ser consultado.

Por que "como tomar" e dose são do médico ou do farmacêutico

Quantidade e forma variam conforme a preparação (chá, extrato seco, tintura, cápsula), e o Memento traz faixas diferentes para cada uma. Um produto de farmácia traz a quantidade na bula, que pode ser diferente da do produto ao lado. Por isso não escrevo número aqui: quem avalia o seu caso, os seus remédios e o produto que você tem em mãos é o médico ou o farmacêutico.

Psicólogo não prescreve nem indica suplemento ou fitoterápico. Prescrever está fora da atuação da psicologia, e eu me mantenho dentro dela. Posso ajudar a pensar no que a ansiedade está fazendo na sua vida, e isso não depende de comprimido nenhum.

Interações e quando não usar

Segundo o Memento Fitoterápico da Anvisa:

  • Quem não deve usar: menores de 12 anos, gestantes, lactantes e pessoas com histórico de alergia a qualquer componente do produto.
  • Sonolência: o fitoterápico pode causar sonolência, e por isso não é recomendável usar antes de dirigir, operar máquinas ou fazer atividade de risco que exija atenção.
  • Outros depressores do sistema nervoso central: a valeriana pode potencializar o efeito de barbitúricos, anestésicos, benzodiazepínicos e outros remédios com ação sedativa. Em estudos com animais, o efeito foi aditivo. Se você toma ansiolítico, remédio para dormir ou antidepressivo, converse com quem prescreve antes.
  • Álcool: o documento recomenda evitar o uso junto com bebida alcoólica, pela possível exacerbação do efeito sedativo.
  • Uso prolongado: com o uso em longo prazo, o Memento cita cefaleia, cansaço, insônia, midríase e desordens cardíacas. Altas doses por muitos anos aumentaram a possibilidade de síndrome de abstinência na retirada abrupta.
  • Efeitos adversos relatados nos ensaios: tontura, desconforto gastrointestinal, alergia de contato, cefaleia e midríase, em geral leves.

Para outras plantas e suplementos mais citados, veja chás para ansiedade e melatonina e magnésio para ansiedade.

Quando a ansiedade pede avaliação

  • aparece quase todos os dias, por semanas;
  • atrapalha trabalho, estudo ou relações;
  • vêm crises com falta de ar, aperto no peito ou sensação de perda de controle;
  • você passou a depender de comprimido, planta, bebida ou comida para aguentar o dia ou a noite;
  • você já usa valeriana ou outro produto e nada mudou, ou pensa em aumentar por conta própria.

Sintoma no corpo também precisa passar por um médico, porque nem tudo é ansiedade. Se a dor emocional estiver grande a ponto de pensar em se machucar, ligue para o CVV no 188, 24 horas, ou procure um pronto-atendimento.

Onde a terapia entra

A planta, quando indicada, atua sobre a sedação. A psicoterapia trabalha com aquilo que sustenta a ansiedade: o que dispara, o que se repete nos pensamentos, como o corpo reage e o que se evita por medo. Quando a ansiedade atrapalha o sono, o ciclo costuma passar pelos dois lugares, e o texto sobre insônia e ansiedade descreve esse ciclo. Existe também abordagem própria para o sono, em terapia para insônia.

Terapia e acompanhamento médico não se excluem. Cada profissional cuida do que é da sua área, e quem decide sobre planta ou remédio é o médico.

Como buscar ajuda

  1. Psicóloga ou psicólogo avalia o que está acontecendo e conduz a psicoterapia. Confira o CRP no cadastro público: como consultar o CRP.
  2. Médico (clínico, psiquiatra) descarta causas físicas e decide sobre medicação, fitoterápico e suplemento.
  3. Um primeiro retrato: o teste emocional de ansiedade é gratuito e ajuda a organizar o que você sente. Ele não faz diagnóstico.

Para entender o quadro como um todo, veja o que é ansiedade. Atendo online, por vídeo, e você pode agendar uma conversa.

Este texto é informativo e não substitui orientação médica.

Perguntas frequentes

Valeriana serve para ansiedade?

Não está estabelecido. A revisão Cochrane encontrou um único estudo pequeno, sem diferença significativa em relação ao placebo, e concluiu que a evidência é insuficiente. A indicação da Anvisa é para sedação leve e distúrbios do sono associados à ansiedade.

Como tomar valeriana para ansiedade?

A quantidade e a forma dependem do produto e de cada pessoa, e a decisão é do médico ou do farmacêutico. A bula do produto que você comprou traz as orientações do fabricante.

Posso tomar valeriana com remédio para ansiedade ou para dormir?

Converse com quem prescreve antes. Segundo o Memento Fitoterápico da Anvisa, a valeriana pode potencializar o efeito de outros depressores do sistema nervoso central, como benzodiazepínicos, e o uso com álcool deve ser evitado.

Quem não deve tomar valeriana?

O Memento Fitoterápico contraindica o uso em menores de 12 anos, gestantes, lactantes e pessoas com alergia a componentes do produto. Em caso de dúvida, pergunte ao médico ou ao farmacêutico.

Referências

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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