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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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DepressãoTema: Depressão06 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Tipos de depressão: quais são e como cada um aparece

Quais são os tipos de depressão segundo o DSM-5-TR e a CID-11: depressão maior, distimia, pós-parto, sazonal, TDPM, depressão bipolar, atípica, psicótica e outras. Com códigos e como diferenciar.


Os principais tipos de depressão são: a depressão maior (em episódio único ou recorrente), a distimia ou transtorno depressivo persistente, a depressão pós-parto, a depressão sazonal, o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), a depressão causada por remédio, substância ou outra doença, e o transtorno misto de ansiedade e depressão. A depressão bipolar faz parte de outro grupo, o do transtorno bipolar. E a depressão ainda pode ser descrita como leve, moderada ou grave, e com características próprias, como atípica, melancólica ou psicótica.

Saber o tipo não é colecionar rótulo. Ajuda a escolher o tratamento. Uma depressão bipolar, por exemplo, pede um cuidado bem diferente de uma depressão maior.

Quais são os tipos de depressão segundo os manuais

O DSM-5-TR (APA, 2022) e a CID-11 da OMS organizam os quadros depressivos de jeitos um pouco diferentes. Neste texto eu junto os dois, com as minhas palavras. Os códigos da CID ajudam se você recebeu um laudo ou atestado.

TipoCID-11CID-10
Depressão maior, episódio único6A70F32
Depressão maior recorrente6A71F33
Distimia6A72F34.1
Misto de ansiedade e depressão6A73F41.2
Depressão no pós-parto (sem sintomas psicóticos)6E20F53
Transtorno disfórico pré-menstrualGA34.41sem código próprio
Transtorno bipolar tipo I e tipo II6A60 e 6A61F31

Depressão maior (episódio depressivo)

É a que a maioria das pessoas conhece. Por pelo menos duas semanas, quase todos os dias, a pessoa sente tristeza profunda ou perde o interesse e o prazer pelas coisas, junto com outros sinais: mudança de sono e apetite, cansaço, culpa, dificuldade de concentração, lentidão ou agitação, pensamentos de morte. Escrevi sobre o que é depressão e os sintomas de depressão.

Ela pode ser:

  • Episódio único. Um episódio, sem histórico anterior.
  • Recorrente. Pelo menos dois episódios, com um tempo de melhora entre eles. A CID-11 chama de transtorno depressivo recorrente.

Depressão leve, moderada e grave

Não são tipos diferentes, e sim a intensidade de um episódio. Os profissionais olham pra quantos sintomas existem, quanto eles pesam e o quanto atrapalham a vida.

  • Leve: os sintomas estão lá, incomodam, mas a pessoa ainda consegue manter boa parte da rotina, com esforço.
  • Moderada: mais sintomas, mais intensos, e dificuldade clara de dar conta do trabalho, da casa, das relações.
  • Grave: muitos sintomas, muito intensos, a vida fica muito comprometida. Pode haver sintomas psicóticos.

Leve não quer dizer que pode esperar. Uma depressão leve que dura muito também cobra seu preço.

Distimia (transtorno depressivo persistente)

Um humor deprimido de fundo, quase constante, por pelo menos dois anos em adultos. Costuma ser menos intensa que a depressão maior e, por isso, passa anos parecendo "o jeito da pessoa". Escrevi um texto só sobre ela: distimia.

Depressão pós-parto

É a depressão que começa na gravidez ou depois do parto. O DSM-5-TR não tem um diagnóstico separado: ele descreve uma depressão maior "com início no periparto". A CID-11 tem uma categoria própria pra quadros que começam na gravidez ou em até cerca de seis semanas depois do parto.

Ela não é o baby blues, aquela tristeza e choro fácil dos primeiros dias, que passa sozinha. Segundo a OMS, mais de 10% das gestantes e das mulheres que acabaram de ter filho passam por depressão. Escrevi sobre o que é depressão pós-parto, os sintomas de depressão pós-parto e a diferença entre baby blues e depressão pós-parto.

Depressão sazonal

É a depressão que volta sempre na mesma época do ano, geralmente no outono e no inverno, e melhora quando a estação muda. No DSM-5-TR, não é um transtorno separado. É uma depressão maior "com padrão sazonal", quando isso se repete por pelo menos dois anos.

Ela costuma vir com mais sono, mais fome, vontade de doce e carboidrato, e muito cansaço. Eu atendo muitas brasileiras que moram fora, e é comum ouvir que o primeiro inverno longo e escuro pesou de um jeito que nunca tinha pesado no Brasil. Nem toda tristeza de inverno é depressão sazonal, mas vale prestar atenção se o padrão se repete.

Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)

Não é TPM forte. No TDPM, nos dias antes da menstruação, aparecem sintomas emocionais intensos, como tristeza profunda, irritação, ansiedade, sensação de estar fora de controle, que melhoram poucos dias depois que a menstruação começa. O DSM-5-TR coloca o TDPM entre os transtornos depressivos e pede que os sintomas sejam anotados dia a dia por pelo menos dois ciclos. Escrevi sobre a diferença em TPM e TDPM.

Transtorno misto de ansiedade e depressão

Na CID-11, é quando sintomas de ansiedade e de depressão aparecem juntos, na maioria dos dias, por duas semanas ou mais, mas nenhum dos dois, sozinho, chega a fechar outro diagnóstico. Na prática, a mistura de ansiedade e depressão é muito comum. O DSM-5-TR descreve algo parecido como um especificador, "com sintomas ansiosos". Se a ansiedade é a parte mais forte pra você, escrevi sobre o que é ansiedade.

Depressão bipolar

Parece igual à depressão maior por fora, mas faz parte do transtorno bipolar. A diferença está na história: em algum momento a pessoa teve fases de humor muito elevado ou irritado, com energia de sobra, pouca necessidade de sono, fala acelerada, impulsividade. Na mania (tipo I) isso é intenso. Na hipomania (tipo II), é mais leve e às vezes passa por "fase boa".

Essa diferença importa muito, porque o tratamento com remédio é outro. Por isso, se você já teve fases assim, conte ao psiquiatra, mesmo que pareçam ter sido ótimas. O teste de bipolaridade pode ajudar a organizar essas lembranças antes da consulta.

Especificadores: atípica, melancólica, psicótica e outras

O DSM-5-TR usa especificadores pra descrever como um episódio de depressão se apresenta. Os mais comuns:

  • Com características atípicas. O humor melhora com coisas boas, e vêm junto mais sono, mais fome, sensação de corpo pesado e muita sensibilidade à rejeição.
  • Com características melancólicas. Perda quase total de prazer, piora pela manhã, acordar muito cedo, culpa excessiva, perda de apetite. Escrevi sobre anedonia, a perda de prazer.
  • Com características psicóticas. Delírios ou alucinações, geralmente com conteúdo de culpa, doença ou punição. Pede avaliação psiquiátrica urgente.
  • Com sintomas ansiosos. Tensão, inquietação, medo de que algo terrível aconteça.
  • Com características mistas. Alguns sinais de humor elevado no meio da depressão.
  • Com catatonia. Alterações importantes nos movimentos, como ficar parada por muito tempo.

Depressão causada por remédio, substância ou doença

Alguns remédios, o álcool, outras drogas e a retirada delas podem provocar sintomas de depressão. Doenças também: hipotireoidismo, anemia, deficiências de vitamina, doenças neurológicas, entre outras. Por isso, uma avaliação de depressão costuma incluir uma consulta médica e, às vezes, exames de sangue.

Depressão em crianças e adolescentes

Em crianças e adolescentes, a depressão muitas vezes aparece como irritação, e não como tristeza. O DSM-5-TR também tem um quadro próprio da infância, o transtorno disruptivo da desregulação do humor, com explosões de raiva frequentes e um humor irritado quase constante. Quem avalia é psiquiatra infantil ou psicóloga que atende crianças.

E "depressão silenciosa" ou "depressão funcional"?

São expressões populares, não tipos de depressão nos manuais. Costumam descrever pessoas que seguem trabalhando e cuidando de tudo enquanto estão afundando por dentro. O sofrimento é real e merece a mesma atenção. E muitas vezes, olhando de perto, é uma depressão maior ou uma distimia que não estava sendo vista.

Também não é depressão toda tristeza. Luto e tristeza são respostas humanas a perdas. Escrevi sobre tristeza ou depressão e luto ou depressão.

Como saber qual é o meu tipo de depressão

Só uma avaliação com psiquiatra ou psicóloga pode dizer. O que ajuda a chegar lá: há quanto tempo você se sente assim, se já teve outros episódios, se o humor muda com as estações ou com o ciclo menstrual, se já teve fases de muita energia, se começou depois do parto, quais remédios você usa.

Este texto não é diagnóstico. Se quiser um ponto de partida, o teste de depressão (PHQ-9) usa um questionário validado, criado por Kroenke e colegas em 2001, pra rastrear sintomas nas últimas duas semanas. Ele não diz qual é o tipo, mas ajuda a levar números e lembranças pra consulta.

O tratamento muda conforme o tipo?

Muda. A psicoterapia é indicada em quase todos os tipos. A medicação depende muito do quadro: na depressão bipolar, por exemplo, o psiquiatra costuma usar remédios diferentes dos usados na depressão maior. Comparei os caminhos em remédio ou terapia para depressão.

Eu trabalho na abordagem centrada na pessoa (ACP). Na terapia comigo, a gente olha pra você além do rótulo: o que estava acontecendo quando a depressão chegou, o que ela levou, o que você precisa agora. Quando o quadro pede, eu trabalho junto com um psiquiatra.

Perguntas frequentes

Quantos tipos de depressão existem?

Depende do manual e de como se conta. Os principais são a depressão maior, a distimia, a depressão pós-parto, o TDPM, a depressão causada por substância ou doença e o misto de ansiedade e depressão. Pós-parto e sazonal, no DSM-5-TR, são formas de descrever uma depressão maior.

Qual o tipo de depressão mais grave?

Não existe um tipo "mais grave" em si. O que define a gravidade é a intensidade dos sintomas e o risco. Depressão com sintomas psicóticos ou com pensamentos de suicídio pede atendimento urgente, seja qual for o tipo.

Depressão atípica é rara?

Não. Apesar do nome, as características atípicas são relativamente comuns. "Atípica" se refere a um jeito diferente do clássico de a depressão aparecer, com mais sono e mais fome em vez de menos.

Ansiedade é um tipo de depressão?

Não. São grupos diferentes nos manuais, mas andam muito juntos. A CID-11 tem uma categoria pra quando as duas aparecem misturadas sem fechar outro diagnóstico.

Depressão tem cura?

Eu não prometo cura. A depressão tem tratamento com boa evidência, e muita gente sai de um episódio e volta a se sentir bem. Em alguns tipos, como a recorrente, o cuidado costuma incluir prevenir novos episódios.

Se estiver muito pesado

Se vierem pensamentos de sumir, de morrer ou de se machucar, não espere. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Reuni outros contatos em ajuda agora. Em emergência, ligue 192 (SAMU) ou procure o pronto-socorro mais próximo.

Referências

  • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). APA Publishing.
  • World Health Organization. (2024). Clinical descriptions and diagnostic requirements for ICD-11 mental, behavioural and neurodevelopmental disorders (CDDR). who.int
  • World Health Organization. (2026). Depressive disorder (depression) (fact sheet). who.int
  • Kroenke, K., Spitzer, R. L. & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: Validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606-613. doi.org/10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x

O nome do tipo de depressão é uma pista pro tratamento, não uma sentença sobre você.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

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Fernanda Pessoa Ferro

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Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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