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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Remédio ou terapia para depressão: o que a pesquisa mostra?

Na depressão, psicoterapia e antidepressivo tiveram resultado parecido quando comparados frente a frente, e os dois juntos ficaram à frente de cada um sozinho em depressão moderada a grave. A OMS recomenda oferecer psicoterapia e escolher entre psicoterapia e tratamento combinado conforme a preferência da pessoa. Na depressão menos grave, o NICE não recomenda remédio como primeira opção de rotina. Eu sou psicóloga e não receito: remédio se decide com médico, de preferência psiquiatra.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Remédio ou terapia para depressão: o que a pesquisa mostra?: comparação lado a lado
CritérioAntidepressivoPsicoterapia
Quem indica e acompanhaAntidepressivo: Médico, de preferência psiquiatra. É quem avalia, receita, ajusta e decide quando e como mudar ou parar.Psicoterapia: Psicólogo, ou outro profissional com formação em psicoterapia. Não receita e não mexe na medicação.
Onde atuaAntidepressivo: No organismo, sobre os sintomas da depressão. O efeito e os ajustes são avaliados nas consultas médicas.Psicoterapia: No que você está vivendo: a história, as perdas, as relações, o jeito como você se trata e o que mantém o sofrimento.
Comparados frente a frenteAntidepressivo: Na depressão maior, sem diferença importante em relação à psicoterapia. Na distimia, levou vantagem numa análise, que perdeu força quando outros fatores foram controlados.Psicoterapia: Na depressão maior, sem diferença importante em relação ao antidepressivo, tanto numa meta-análise de 2013 quanto numa de 2020.
Somado ao outroAntidepressivo: Sozinho, ficou atrás da combinação com psicoterapia, em estudos com depressão na maior parte moderada a grave.Psicoterapia: Sozinha, também ficou atrás da combinação com antidepressivo, nos mesmos estudos.
Abandono do tratamentoAntidepressivo: Nos estudos, mais gente deixou o tratamento quando ele era só com remédio.Psicoterapia: Menos abandono do que o remédio sozinho, e o mesmo vale para a combinação.
Recomendação da OMS (2023), depressão moderada a graveAntidepressivo: Deve ser considerado. Remédio sozinho, para a OMS, é opção quando não há psicoterapia disponível. Recomendações condicionais, com certeza baixa ou muito baixa.Psicoterapia: Psicoterapias estruturadas devem ser oferecidas. Recomendação forte, com certeza moderada. Psicoterapia ou tratamento combinado conforme a preferência da pessoa.
Diretriz do NICE, depressão menos graveAntidepressivo: Não oferecer de rotina como primeira opção; só se for a preferência informada da pessoa.Psicoterapia: Entre as primeiras opções: autoajuda guiada, TCC em grupo e ativação comportamental em grupo, ao lado de atividade física estruturada.
Efeitos indesejadosAntidepressivo: Pode ter efeitos colaterais, e a OMS pede que quem prescreve os leve em conta e acompanhe. Qualquer efeito se conversa com quem receitou.Psicoterapia: Também pode ter: piora passageira ao mexer em assunto difícil, desgaste em relações, dependência da terapia. Vale falar disso na sessão.

O que os estudos compararam entre antidepressivo e psicoterapia?

Uma meta-análise de 2013 reuniu os estudos que sortearam pessoas com depressão ou ansiedade para receber psicoterapia ou antidepressivo. Na depressão maior, não houve diferença importante entre os dois. Na distimia, uma depressão mais leve e prolongada, o remédio levou vantagem, mas essa diferença perdeu força quando outros fatores dos estudos foram levados em conta.

Em 2020, uma meta-análise em rede com 101 estudos comparou psicoterapia, remédio e os dois juntos, em depressão que, na maioria dos estudos, era moderada a grave. Psicoterapia sozinha e remédio sozinho ficaram parecidos entre si. A combinação ficou à frente de cada um isolado. E menos pessoas abandonaram o tratamento na psicoterapia e na combinação do que no remédio sozinho.

Esses resultados descrevem grupos de pessoas. Eles não dizem qual caminho é o certo para você, e não servem para ninguém decidir sozinha começar, mudar ou parar remédio. Servem para você chegar na consulta sabendo que as duas opções têm base e que a combinação costuma ser considerada.

O que a OMS e o NICE recomendam para depressão?

A diretriz da Organização Mundial da Saúde de 2023, feita para serviços de saúde em geral, recomenda oferecer psicoterapias estruturadas para adultos com depressão moderada a grave: ativação comportamental, psicoterapia psicodinâmica breve, TCC, terapia interpessoal, terapia de solução de problemas e terapias de terceira onda. Para escolher entre psicoterapia e tratamento combinado, ela pede que se considere a preferência da pessoa e o equilíbrio entre benefícios e riscos, e deixa o antidepressivo sozinho para quando não houver psicoterapia disponível.

Na revisão que embasa essa recomendação, a OMS também encontrou resposta mais duradoura, de seis a doze meses depois, com psicoterapia do que com remédio sozinho, e o melhor resultado geral com os dois juntos. A certeza dessa evidência foi classificada como baixa.

A diretriz britânica do NICE para depressão, de 2022, separa a depressão menos grave da mais grave. Na menos grave, recomenda não oferecer antidepressivo de rotina como primeira opção, a não ser que essa seja a preferência informada da pessoa, e coloca opções como autoajuda guiada, TCC em grupo e atividade física estruturada entre as primeiras. Quem define se a sua depressão é menos ou mais grave é uma avaliação profissional, e não esta página.

Como se decide o tratamento da depressão na prática?

A decisão sobre remédio é médica e se toma na consulta. O que eu posso fazer aqui é mostrar o que costuma pesar nessa conversa, para você levar as suas perguntas.

  • A intensidade: o quanto a depressão tirou de você o sono, o apetite, o trabalho, o cuidado consigo e com quem depende de você.
  • Pensamentos de morte ou de se machucar, que pedem avaliação médica e ajuda imediata, antes de qualquer outra coisa.
  • Como foram os tratamentos que você já fez, se fez algum.
  • A sua preferência, depois de entender prós e contras. A OMS e o NICE dão peso a ela.
  • O que está ao seu alcance: acesso a psicoterapia e a consulta médica na cidade ou no país onde você mora.
  • Gravidez, amamentação, outros remédios e outras doenças, que são assunto da equipe médica.

Se eu melhorei com antidepressivo, posso trocar pela terapia?

Essa decisão não é sua sozinha, nem minha. Quando e como parar um antidepressivo é decisão de quem receitou, tomada com você e com acompanhamento. A própria OMS trata a continuação do remédio depois da melhora como parte planejada do tratamento, acompanhada de perto pelo serviço de saúde.

Começar psicoterapia não precisa ter nada a ver com parar o remédio. Muita gente faz as duas coisas ao mesmo tempo. Se a vontade de parar existe, leve para a consulta médica. Na sessão, a gente pode conversar sobre o que está por trás dessa vontade, sem que eu opine sobre a conduta. Escrevi mais sobre isso na página sobre fazer terapia tomando remédio, nos links no fim desta.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Antidepressivo
Costuma entrar na conversa com o médico quando a depressão é mais intensa, quando já tirou de você o básico do dia, quando psicoterapia não está ao seu alcance agora, quando tratamentos anteriores com remédio ajudaram, ou quando você prefere esse caminho depois de entender prós e contras. Quem indica, e quem decide como e até quando, é o médico.
Psicoterapia
Costuma fazer sentido quando você quer entender o que está vivendo e mudar o que mantém o sofrimento, quando a depressão é menos grave e você prefere começar sem remédio, ou quando ela está ligada a uma perda, uma relação, uma mudança de país. Se aparecer pensamento de morte, ou se o dia deixar de se sustentar, a psicoterapia continua e deixa de ser o único cuidado.
Os dois juntos
Na depressão moderada a grave, a combinação ficou à frente de cada um sozinho nos estudos, e a OMS a coloca entre as opções principais. Cada profissional cuida da sua parte e, com a sua autorização, os dois podem conversar.

Se você está em sofrimento agora, com vontade de sumir ou de se machucar, não espere uma sessão nem converse só com um aplicativo. No Brasil, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas. Se você mora fora, aqui estão os canais do seu país.

Perguntas frequentes

Depressão leve precisa de remédio?

Não necessariamente. A diretriz do NICE recomenda não oferecer antidepressivo de rotina como primeira opção na depressão menos grave, a não ser que seja a preferência informada da pessoa. Mas quem avalia se a sua depressão é leve é um profissional, e a decisão sobre remédio é com médico.

Psicólogo pode receitar antidepressivo?

Não. Prescrever não está entre as funções que a Lei 4.119/1962 dá ao psicólogo, e antidepressivo é receitado por médico. O psicólogo pode perceber que o caso pede avaliação médica e encaminhar, como o Código de Ética da profissão manda fazer.

Posso parar o antidepressivo quando começar a terapia?

Não por conta própria. Começar psicoterapia não é motivo para mudar ou parar remédio. Essa decisão é sempre com quem receitou, e parar sem acompanhamento pode ter consequências. Se você quer parar, leve isso para a consulta.

Qual terapia é indicada para depressão?

A OMS recomenda psicoterapias estruturadas: ativação comportamental, psicodinâmica breve, TCC, terapia interpessoal, solução de problemas e terapias de terceira onda. A Abordagem Centrada na Pessoa, com que eu trabalho, não está nessa lista.

Depressão tem cura só com terapia?

Muitas pessoas melhoram com psicoterapia, e a pesquisa mostra resultado parecido com o do antidepressivo quando os dois são comparados. Ninguém pode prometer cura ou prazo, e eu não prometo. Se a depressão está intensa, a avaliação médica vem junto.

Tomo antidepressivo há anos. Terapia ainda faz sentido?

Pode fazer. Psicoterapia não interfere na sua medicação, e muita gente começa terapia depois de anos de remédio, para cuidar do que o remédio não alcança, como uma relação, um luto ou uma decisão travada. A medicação continua com o seu médico.

Depressão na gravidez ou no pós-parto: remédio ou terapia?

Aqui a avaliação médica é indispensável, porque remédio na gravidez e na amamentação é decisão da equipe que acompanha você e o bebê. A psicoterapia pode caminhar junto. Se é o seu caso, procure quem já cuida da sua saúde e fale abertamente do que está sentindo.

De onde vem cada afirmação

  1. Cuijpers, P., Sijbrandij, M., Koole, S. L., Andersson, G., Beekman, A. T. & Reynolds, C. F. (2013). The efficacy of psychotherapy and pharmacotherapy in treating depressive and anxiety disorders: a meta-analysis of direct comparisons. World Psychiatry, 12(2), 137-148. Meta-análise de 67 ensaios de comparação direta: sem diferença significativa entre psicoterapia e antidepressivo na depressão maior; vantagem do remédio na distimia, que deixou de ser significativa na análise multivariada.
  2. Cuijpers, P., Noma, H., Karyotaki, E., Vinkers, C. H., Cipriani, A. & Furukawa, T. A. (2020). A network meta-analysis of the effects of psychotherapies, pharmacotherapies and their combination in the treatment of adult depression. World Psychiatry, 19(1), 92-107. Meta-análise em rede de 101 estudos, com depressão na maioria moderada a grave: combinação à frente de cada tratamento sozinho; psicoterapia e remédio sem diferença significativa entre si; menos abandono na psicoterapia e na combinação do que no remédio sozinho.
  3. Organização Mundial da Saúde (2023). Mental Health Gap Action Programme (mhGAP) guideline for mental, neurological and substance use disorders, 3ª edição. World Health Organization. Recomendações DEP3 e DEP4: psicoterapias estruturadas devem ser oferecidas (forte, certeza moderada); psicoterapia ou tratamento combinado conforme a preferência, e antidepressivo sozinho quando não houver psicoterapia disponível (condicional, certeza baixa); DEP2 trata a continuação do remédio como parte monitorada do tratamento.
  4. Dworzynski, K., Pilling, S. & Power, E. (2026). Should antidepressants be prescribed simply if it is the patient's preference?. British Journal of General Practice, 76(762), 12. Carta de integrantes do NICE que cita a recomendação 1.5.3 revisada da diretriz NG222: não oferecer antidepressivo de rotina como primeira opção na depressão menos grave, só se for a preferência informada da pessoa, e lista as primeiras opções não medicamentosas.
  5. Linden, M. & Schermuly-Haupt, M.-L. (2014). Definition, assessment and rate of psychotherapy side effects. World Psychiatry, 13(3), 306-309. Descreve efeitos indesejados da psicoterapia, como piora de sintomas, tensão em relações e dependência do processo, e propõe como defini-los e avaliá-los.
  6. Brasil. Presidência da República (1962). Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962. Dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Planalto (legislação federal). Lista as funções privativas do psicólogo (art. 13, § 1º); prescrever remédio não está entre elas.
  7. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005). Conselho Federal de Psicologia. Manda o psicólogo encaminhar a profissionais habilitados o que extrapola o seu campo (art. 6º) e não propor atividades privativas de outras profissões (art. 20).

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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