Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Encaminhamento · psicóloga e psiquiatra

Quando procurar psiquiatra em vez de psicóloga?

Procure psiquiatra quando o corpo entrou na história: sono desfeito, apetite ou peso muito alterados, pensamentos de morte, ou um sofrimento que já não deixa você trabalhar e cuidar de si. Psiquiatra é médica e pode investigar causa clínica e prescrever. Psicóloga, não. Em muitos casos você não escolhe entre as duas: usa as duas.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

01-Encaminhamento · psicóloga e psiquiatra

Qual a diferença entre psicólogo e psiquiatra?

Psiquiatra é médica: cursou medicina, pode pedir exame, investigar causa física e prescrever medicação. Psicóloga cursou psicologia e trabalha com escuta e processo, sem prescrever e sem pedir exame. São formações diferentes, com atos diferentes, e nenhuma das duas é versão mais leve da outra.

A confusão mais comum é achar que psiquiatra é pra caso grave e psicóloga é pra caso leve. Não é escala de gravidade, é tipo de trabalho. Tem gente em sofrimento intenso que se organiza bem só com psicoterapia, e tem gente com queixa aparentemente simples que precisa de avaliação médica pra descobrir que era tireoide, anemia ou o efeito de outro remédio.

Eu não prescrevo, não ajusto dose, não suspendo nada e não emito laudo. Isso não é modéstia: é o limite legal da minha profissão, e ultrapassá-lo seria um problema ético meu e um risco seu.

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Quais são os sinais de que preciso de avaliação psiquiátrica?

Não existe lista que decida isso por você, e nada aqui é diagnóstico. O que costuma indicar que vale marcar uma consulta médica é o sofrimento ter passado do campo do humor e chegado no funcionamento: dormir, comer, trabalhar, sair da cama. Se você se reconhecer abaixo, procure avaliação.

  • Você não dorme, ou dorme demais, há semanas, e isso não muda com nenhum ajuste de rotina.
  • Perdeu ou ganhou peso de forma importante sem estar tentando.
  • Aparecem pensamentos de morte, de sumir, ou de se machucar.
  • Você deixou de dar conta do básico: trabalho, contas, higiene, cuidar de quem depende de você.
  • Houve mudança marcada de energia, de comportamento ou de percepção que assustou quem convive com você.
  • Você está bebendo ou usando alguma substância de um jeito que já não controla.

03-Encaminhamento · psicóloga e psiquiatra

Preciso de psicóloga e psiquiatra ao mesmo tempo?

Em vários quadros, sim, e essa combinação é comum. Uma meta-análise reunindo 52 estudos comparou medicação sozinha com medicação acompanhada de psicoterapia e encontrou vantagem para a combinação. Isso descreve grupos de pacientes, não prevê o seu caso, e quem decide sobre medicação é a médica.

Na prática, as duas coisas fazem trabalhos que não se substituem. A consulta médica olha o quadro clínico e a prescrição. A sessão de psicoterapia é onde a sua história tem tempo e onde o que você sente pode ser dito inteiro, sem precisar caber em quinze minutos de consulta.

Se você já faz acompanhamento psiquiátrico, isso não atrapalha nada aqui. Você pode me contar o que está tomando, e eu trato essa informação como parte do seu contexto, sem opinar sobre a conduta da sua médica.

04-Quando não fazer

Quando a psicoterapia sozinha não basta?

Quando o quadro pede investigação ou conduta médica, quando existe risco à vida, ou quando o sofrimento já tirou de você a capacidade de sustentar o dia. Nesses casos a sessão semanal não é o cuidado suficiente, e insistir só nela adia o que você precisa. Eu digo isso na cara, não depois de meses.

  • Risco de vida ou pensamento de se machucar agora: emergência local, antes de qualquer sessão.
  • Suspeita de causa clínica por trás do sintoma, como alteração de tireoide, anemia, efeito de outro medicamento ou quadro neurológico.
  • Uso de álcool ou outra substância fora de controle, que costuma pedir serviço especializado além da psicoterapia.
  • Transtorno alimentar em curso, que costuma pedir equipe: médica, nutricionista e psicóloga juntas.
  • Necessidade de laudo, relatório para benefício, perícia ou processo judicial. Eu não emito nenhum desses documentos.

Quando é um desses casos, o encaminhamento é para psiquiatra, clínica geral, serviço de saúde da sua região ou serviço especializado, dependendo do que apareceu. Encaminhar não é abrir mão de você: o Código de Ética da profissão coloca como dever da psicóloga direcionar a profissionais habilitados o que extrapassa o seu campo de atuação.

Se o que está acontecendo é agora, não espere por sessão nenhuma: onde pedir ajuda no seu país reúne linhas de apoio e serviços de emergência, e é o primeiro passo em qualquer situação de risco.

Sobre o meu atendimento

Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999. Atendo mulheres por videochamada, em português, partindo da Abordagem Centrada na Pessoa. Não prescrevo, não emito laudo, não faço terapia de casal e não atendo emergência.

Se você está em acompanhamento médico, a psicoterapia entra ao lado dele, não no lugar dele. Eu não interfiro na conduta da sua psiquiatra e não sugiro mudança de medicação, nem por tabela.

Se na primeira conversa ficar claro que o seu próximo passo é uma avaliação médica e não uma sessão comigo, eu digo isso ali, e você não perde semanas descobrindo sozinha.

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Referências

De onde vem cada afirmação

  1. 01

    Cuijpers, P., Sijbrandij, M., Koole, S. L., Andersson, G., Beekman, A. T. & Reynolds, C. F. (2014). World Psychiatry, 13(1), 56-67. Ver a fonte

    Meta-análise de 52 estudos e 3.623 pacientes. A comparação é medicação antidepressiva SOZINHA contra medicação antidepressiva JUNTO de psicoterapia, medida ao fim do tratamento: g = 0,43 a favor da combinação. Não é psicoterapia contra medicação, e não diz nada sobre quanto tempo dura tratamento nenhum.

  2. 02

    Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo, Resolução CFP nº 10/2005. Ver a fonte

    Texto oficial. É de onde vem o dever de assumir responsabilidade apenas por atividades para as quais a profissional esteja capacitada e de encaminhar a profissionais habilitados as demandas que extrapolem o campo de atuação da psicóloga.

Esta página é conteúdo informativo. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico, prescrição nem recomendação clínica individual, e nada aqui substitui uma consulta. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, Psicóloga Clínica, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.