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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

Terapia em grupo ou individual: qual escolher?

As duas funcionam. Quando a mesma terapia foi oferecida nos dois formatos, uma revisão de 67 estudos não encontrou diferença de resultado nem de abandono. Na individual, a sessão inteira é sua, no seu ritmo, e só a terapeuta ouve. No grupo, você divide o espaço com pessoas que vivem algo parecido, o que ajuda a se sentir menos sozinha, e o tempo da terapeuta é dividido. A escolha depende mais de você, do seu momento e da oferta disponível do que de qual formato é melhor.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026

Lado a lado

Terapia em grupo ou individual: qual escolher?: comparação lado a lado
CritérioTerapia individualTerapia em grupo
Quem está na sessãoTerapia individual: Você e a terapeutaTerapia em grupo: Um grupo de participantes e um ou mais terapeutas
Seu tempo de falaTerapia individual: A sessão inteira, e o assunto é você quem escolheTerapia em grupo: Dividido com o grupo; há encontros em que você fala muito e outros em que mais escuta
O que o formato ofereceTerapia individual: Atenção inteira, ritmo seu, espaço pra assuntos que você não diria na frente de ninguémTerapia em grupo: Ouvir pessoas que vivem algo parecido, perceber que não está sozinha e experimentar jeitos novos de se relacionar ali mesmo
Quem ouve o que você dizTerapia individual: Só a terapeuta, que tem o dever do sigilo profissionalTerapia em grupo: O grupo todo. A terapeuta tem o dever do sigilo; os outros participantes seguem as regras combinadas no grupo, e isso depende de cada um
Resultado na pesquisaTerapia individual: Equivalente ao grupo quando a terapia é a mesma. Na depressão, uma meta-análise de 2008 achou leve vantagem no fim do tratamento e menos abandonoTerapia em grupo: Equivalente à individual numa revisão de 67 estudos. Na depressão, a pequena desvantagem de 2008 não apareceu mais no acompanhamento
O que se liga ao bom resultadoTerapia individual: A aliança com a terapeuta, associada ao resultado em 295 estudos, em abordagens diferentesTerapia em grupo: A coesão do grupo, o quanto as pessoas se sentem ligadas ali, associada a melhores resultados em 55 estudos
HorárioTerapia individual: Combinado entre você e a terapeuta, e dá pra ajustarTerapia em grupo: Horário fixo do grupo, igual pra todos; alguns grupos têm data de início e fim
Morando foraTerapia individual: O horário se encaixa no seu fusoTerapia em grupo: Achar um grupo em português, num horário que sirva pro seu fuso, costuma ser mais difícil
ComigoTerapia individual: É o que eu faço, com mulheres, online e presencial na Asa SulTerapia em grupo: Eu não conduzo grupos. Se o grupo faz mais sentido pra você, eu digo

Terapia em grupo funciona tanto quanto a individual?

Pela revisão mais ampla que encontrei, sim. Burlingame e colegas reuniram, em 2016, 67 estudos que compararam os dois formatos dentro do mesmo estudo. Em 46 deles, a terapia, o tipo de paciente e o número de sessões eram iguais nos dois braços, e o resultado foi praticamente o mesmo. Também não houve diferença na aceitação do tratamento, no abandono, na remissão ou na melhora. Os autores notaram um detalhe: quando as terapias eram diferentes, a preferência dos pesquisadores por um formato pesava nos resultados.

Na depressão, uma meta-análise anterior, de Cuijpers e colegas (2008), com 15 estudos, encontrou uma pequena vantagem da terapia individual no fim do tratamento e menos abandono nela. Os próprios autores disseram não ter certeza da relevância clínica dessa diferença, e ela não apareceu mais nos acompanhamentos de um a seis meses.

Como funciona uma sessão de terapia em grupo?

Um ou mais terapeutas conduzem um grupo de pessoas, em encontros com horário fixo. Há grupos com um tema em comum, como luto, ansiedade ou maternidade, e grupos abertos a assuntos variados. Alguns seguem um roteiro, como os de terapia cognitivo-comportamental; outros são mais livres, e o que acontece entre os participantes vira parte do trabalho.

No começo, o grupo costuma combinar regras, como o que fica ali dentro, pontualidade e respeito à vez de cada um. Uma meta-análise de 2018, com 55 estudos, encontrou relação entre a coesão do grupo, o quanto as pessoas se sentem ligadas e aceitas, e resultados melhores. É uma associação, e não prova sozinha que a coesão causa a melhora, mas ajuda a entender por que o clima do grupo conta.

Tenho vergonha de falar na frente de outras pessoas. Terapia em grupo serve pra mim?

Pode servir, e às vezes é justamente o lugar de praticar isso. Mas vale saber o que a pesquisa diz. Numa grande meta-análise em rede de 2014 sobre ansiedade social, tanto a terapia cognitivo-comportamental individual quanto a em grupo funcionaram melhor do que a lista de espera, e os autores apontaram a individual como a primeira escolha pra começar o tratamento.

Isso vale pra ansiedade social como quadro, que só uma avaliação com profissional define. Timidez comum não impede ninguém de aproveitar um grupo. Se a ideia de falar em grupo te paralisa hoje, começar pela individual e pensar no grupo depois é um caminho possível.

Grupo terapêutico e grupo de apoio são a mesma coisa?

Não. O grupo terapêutico é conduzido por um profissional, com objetivo de tratamento, e segue as regras da profissão dele. O grupo de apoio reúne pessoas que vivem algo parecido e se ajudam entre si, muitas vezes sem um terapeuta conduzindo. Os dois têm valor, cada um no seu lugar, e escrevi uma comparação só sobre isso.

Como escolher entre terapia individual e em grupo?

Algumas perguntas ajudam a decidir:

  • Tem assunto que eu só conseguiria falar com uma pessoa, sem ninguém mais ouvindo?
  • Me faria bem ouvir outras pessoas que passam pelo mesmo que eu?
  • Eu preciso de um horário que se ajuste à minha rotina ou ao meu fuso?
  • O que cabe no meu orçamento agora, sem virar mais uma fonte de aperto?
  • Estou num momento de crise? Aí o cuidado individual, e às vezes o de emergência, costuma vir primeiro.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Terapia individual
Costuma fazer mais sentido quando você precisa de espaço pra assuntos muito pessoais, quando está num momento de crise, quando falar em grupo hoje é difícil demais, ou quando precisa de um horário que se ajuste à sua vida e ao seu fuso.
Terapia em grupo
Costuma fazer mais sentido quando o que pesa é a sensação de estar sozinha no que vive, quando você quer praticar jeitos de se relacionar com outras pessoas, quando existe um grupo com o tema que te trouxe, ou quando o valor por encontro do grupo cabe melhor no orçamento. A pesquisa mostra que ele funciona tanto quanto a individual em muitos casos.
As duas
Dá pra fazer as duas ao mesmo tempo, com profissionais diferentes ou não. Se for o seu caso, conte a cada uma que existe a outra, pra ninguém trabalhar às cegas.

Perguntas frequentes

Terapia em grupo é mais barata que individual?

Costuma ser, porque o tempo da terapeuta é dividido entre os participantes. Mas isso varia de serviço pra serviço. Vale comparar o valor por encontro e a duração de cada formato antes de decidir.

O que eu falo na terapia em grupo fica em sigilo?

A terapeuta tem o dever do sigilo profissional, que o Código de Ética do Psicólogo estende também a grupos. Os outros participantes não são profissionais e seguem o que o grupo combinou. Por isso, é normal cada pessoa escolher o quanto contar ali, e tudo bem guardar alguns assuntos pra um espaço individual.

Terapia em grupo funciona pra depressão?

Funciona. Numa meta-análise de 2008 sobre depressão, a terapia individual teve uma vantagem pequena no fim do tratamento, mas ela não se manteve nos acompanhamentos de um a seis meses. Depressão que pesa muito no dia a dia também pede avaliação com psiquiatra, qualquer que seja o formato da terapia.

Quem pode conduzir um grupo terapêutico?

Psicólogas e outros profissionais com formação pra isso. Se a pessoa diz que é psicóloga, você pode conferir o registro no Cadastro Nacional do Conselho Federal de Psicologia, por nome, CPF ou número de registro. Vale perguntar também sobre a formação dela em grupos.

Posso fazer terapia individual e em grupo ao mesmo tempo?

Pode. Os dois formatos se complementam: no grupo, você convive e se reconhece nos outros; na individual, aprofunda o que é só seu. Conte a cada profissional que existe o outro espaço.

Existe terapia em grupo pra brasileiras que moram fora?

Se você encontrar um grupo online em português, antes de entrar pergunte quem conduz, se é psicóloga com registro ativo, qual é o objetivo do grupo e quais são as regras de sigilo. Um grupo de conversa entre brasileiras também pode fazer bem, e ele é outra coisa: é grupo de apoio.

Você faz terapia em grupo?

Não. Eu atendo só em terapia individual, com mulheres, online em português e presencialmente na Asa Sul, em Brasília.

De onde vem cada afirmação

  1. Burlingame, G. M., Seebeck, J. D., Janis, R. A., Whitcomb, K. E., Barkowski, S., Rosendahl, J. & Strauss, B. (2016). Outcome differences between individual and group formats when identical and nonidentical treatments, patients, and doses are compared: A 25-year meta-analytic perspective. Psychotherapy, 53(4), 446-461. 67 estudos que compararam os dois formatos: equivalência de resultado quando terapia, pacientes e número de sessões eram iguais (46 estudos), sem diferença em aceitação, abandono, remissão e melhora; preferência dos pesquisadores influenciou quando as terapias diferiam.
  2. Cuijpers, P., van Straten, A. & Warmerdam, L. (2008). Are individual and group treatments equally effective in the treatment of depression in adults? A meta-analysis. The European Journal of Psychiatry, 22(1). 15 estudos em depressão: pequena vantagem da individual no fim do tratamento e menos abandono; relevância clínica incerta segundo os autores; diferença não significativa no acompanhamento de um a seis meses.
  3. Burlingame, G. M., McClendon, D. T. & Yang, C. (2018). Cohesion in group therapy: A meta-analysis. Psychotherapy, 55(4), 384-398. 55 estudos: a coesão do grupo aparece associada ao resultado da terapia em grupo, de forma moderada. É associação, sem provar causa.
  4. Flückiger, C., Del Re, A. C., Wampold, B. E. & Horvath, A. O. (2018). The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis. Psychotherapy, 55(4), 316-340. 295 estudos com mais de 30 mil pacientes: a aliança entre terapeuta e paciente aparece associada ao resultado, de forma consistente entre abordagens. É correlação, sem isolar a aliança como causa.
  5. Mayo-Wilson, E., Dias, S., Mavranezouli, I., Kew, K., Clark, D. M., Ades, A. E. & Pilling, S. (2014). Psychological and pharmacological interventions for social anxiety disorder in adults: A systematic review and network meta-analysis. The Lancet Psychiatry, 1(5), 368-376. 101 ensaios em ansiedade social: TCC individual e em grupo funcionaram melhor que a lista de espera; os autores indicam a TCC individual como primeira escolha pro tratamento inicial.
  6. Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005, de 21 de julho de 2005). Conselho Federal de Psicologia. Art. 9º: dever do psicólogo de respeitar o sigilo profissional, protegendo a intimidade das pessoas, grupos ou organizações a que tenha acesso no exercício profissional.
  7. Conselho Federal de Psicologia (s.d.). Como saber se uma pessoa é psicóloga(o)?. Conselho Federal de Psicologia. Explica a consulta ao Cadastro Nacional de Psicólogas(os) por nome, CPF ou número de registro.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação individual · Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999.

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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