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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Burnout maternoTema: Burnout materno06 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Mãe solo: o peso emocional de criar um filho sozinha

Mãe solo ou mãe solteira? O que muda no termo, o que pesa no dia a dia de ser mãe solo, a culpa, a solidão, o pai ausente e como cuidar de si nesse caminho.


Mãe solo é a mulher que cria o filho sem um parceiro dividindo o cuidado no dia a dia. O termo veio substituir "mãe solteira", porque o que define essa maternidade não é o estado civil, é a solidão no cuidado. Uma mulher casada com um marido ausente pode viver isso, e uma mulher solteira com uma rede forte pode não viver. No Brasil, é a realidade de milhões de famílias.

Um levantamento do FGV IBRE, feito pela economista Janaína Feijó com dados de 2022, contou 11,3 milhões de lares chefiados por mães solo no país, 1,7 milhão a mais que dez anos antes. Ou seja, se você cria seu filho sozinha, está longe de ser exceção. Mesmo assim, é comum se sentir a única.

Mãe solteira ou mãe solo?

"Mãe solteira" foi, por muito tempo, um rótulo carregado de julgamento. Ele colocava a atenção no fato de a mulher não ser casada, como se isso fosse o problema, e não no fato de ela estar cuidando sozinha.

"Mãe solo" muda o foco. Fala de quem faz o trabalho. E deixa espaço pra várias histórias:

  • A mulher que se separou e ficou com a guarda e a rotina.
  • A mulher cujo parceiro foi embora durante a gravidez.
  • A mulher que escolheu ter um filho sozinha, com ou sem tratamento de fertilidade.
  • A mulher viúva.
  • A mulher que tem um companheiro em casa, mas carrega o cuidado inteiro.

Muitas mães solo também são mães atípicas, de filhos com autismo ou deficiência, e aí a sobrecarga se multiplica.

Você pode usar o termo que fizer mais sentido pra você. O que importa é o que você vive.

O que pesa em ser mãe solo

Não é só cansaço físico. Ser mãe solo mexe com várias camadas ao mesmo tempo.

A sobrecarga sem revezamento

Quando o filho acorda de madrugada, é você. Quando fica doente e precisa faltar no trabalho, é você. Quando a escola liga, é você. Não tem turno, não tem folga combinada, não tem alguém que assume quando você não aguenta mais. Esse acúmulo tem nome: burnout materno. E muito dele é a carga mental materna, a lista que não para de rodar na cabeça.

O dinheiro

O mesmo estudo do FGV IBRE mostrou que, em 2022, mães solo ganhavam em média 39% menos que pais casados com filhos. A preocupação com dinheiro não é só prática. Ela vira insônia, medo do futuro, aceitar trabalho ruim por não poder arriscar.

A solidão

Tomar todas as decisões sozinha. Não ter com quem comentar o primeiro passo, a febre que não baixa, a nota baixa. Muitas mães solo dizem que a solidão das noites é mais difícil que o trabalho do dia. Se isso te soa familiar, leia sobre sinais de solidão.

A culpa

Culpa por não ter dado "uma família completa". Por trabalhar demais. Por perder a paciência. Por querer um tempo sem a criança. Por namorar de novo, ou por não querer namorar nunca mais. A culpa da mãe solo costuma ser alimentada pelo olhar dos outros, e depois passa a falar com a voz de dentro.

O julgamento

Perguntas como "e o pai?", "não deu certo?", comentários da família, da escola, do trabalho. Ainda existe muito preconceito, e ele cansa.

Ser mãe solo com um pai ausente ou presente demais

Uma parte grande do sofrimento da mãe solo envolve o pai da criança. Às vezes ele sumiu. Às vezes aparece quando quer, desmarca visita, promete e não cumpre. Às vezes a relação é de briga constante sobre pensão, guarda e regras.

Algumas coisas que costumam ajudar:

  • Separar o que é seu e o que é dele. Você não consegue fazer ele ser um pai presente. Consegue cuidar de como você e seu filho atravessam a ausência.
  • Evitar ser a ponte o tempo todo. Explicar e desculpar o pai pra criança é um peso a mais. A criança pode ouvir a verdade, em palavras da idade dela, sem que você precise defender nem atacar.
  • Buscar orientação jurídica pras questões de pensão e guarda. A Defensoria Pública atende quem não pode pagar advogado. Ter isso resolvido libera energia emocional.
  • Prestar atenção em sinais de violência. Se o contato com o pai envolve ameaça, controle ou humilhação, isso não é "só conflito". Ligue 180 é a central de atendimento à mulher, gratuita.

Ser mãe solo por escolha

Nem toda mãe solo chegou aí por uma perda. Muitas mulheres decidem ter um filho sozinhas, às vezes depois de anos esperando o "momento certo" com alguém. Essa escolha também tem seus pesos: a pressão de dar conta pra provar que a decisão foi certa, a solidão das decisões, o julgamento de quem acha egoísmo.

Se você está considerando esse caminho e a questão do tempo e da fertilidade está pesando, escrevi sobre o lado emocional disso em infertilidade.

Mãe solo no puerpério

Os primeiros meses depois do parto são intensos pra qualquer mulher. Sem um parceiro em casa, o puerpério pode ser ainda mais solitário. Se você está nessa fase, vale ficar atenta aos sinais de depressão pós-parto, que pode aparecer com mais força quando falta apoio.

Como cuidar de si sendo mãe solo

Não vou te dar uma lista de autocuidado que exige tempo que você não tem. Algumas coisas pequenas que costumam fazer diferença:

  • Montar uma rede, mesmo pequena. Uma vizinha, outra mãe da escola, uma amiga. Trocar favores: hoje eu fico com o seu, sábado você fica com o meu.
  • Aceitar ajuda sem justificar. Você não precisa provar que está no limite pra merecer apoio.
  • Baixar a régua. Comida simples, casa menos arrumada, menos atividades. Sobreviver bem é melhor que tentar ser perfeita e quebrar.
  • Ter um tempo seu na semana, mesmo curto, que não seja pra resolver nada.
  • Falar com alguém sobre o que você sente, e não só sobre o que você precisa fazer.

Terapia para mãe solo

Na terapia, você não precisa ser a mãe forte que dá conta de tudo. Na abordagem centrada na pessoa, que é a minha, o espaço é pra você chegar como está: com raiva do pai, com saudade da vida de antes, com orgulho de ter chegado até aqui, com medo. Atendo online, o que costuma facilitar pra quem não tem com quem deixar o filho.

Este texto não é diagnóstico. Se quiser medir com calma o tamanho do seu cansaço, o teste de burnout materno pode ajudar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre mãe solo e mãe solteira?

Mãe solteira fala do estado civil. Mãe solo fala de quem cria o filho sem dividir o cuidado com um parceiro. Muitas mulheres preferem "mãe solo" porque o termo tira o foco do casamento e coloca no trabalho que elas fazem.

Quantas mães solo existem no Brasil?

O FGV IBRE contou 11,3 milhões de lares chefiados por mães solo em 2022, segundo um estudo da economista Janaína Feijó com dados da PNAD Contínua, do IBGE.

Filho de mãe solo sofre mais?

Não existe uma regra. Pesa a qualidade do cuidado e da relação, e o estresse que a família atravessa, como falta de dinheiro e conflito entre os pais. Por isso o apoio à mãe faz tanta diferença: uma mãe com algum fôlego consegue estar mais presente.

Como lidar com a solidão de ser mãe solo?

Ajuda muito ter pelo menos uma pessoa adulta com quem conversar sobre o dia a dia, e espaços em que você não é só mãe. Grupos de mães, amigas, família, terapia. A solidão não some de uma vez, mas diminui quando você tem com quem dividir.

É errado sentir raiva do pai do meu filho?

Não. Raiva é uma resposta compreensível a quem deixou você carregar tudo sozinha. O desafio é encontrar um lugar pra essa raiva que não seja a criança. A terapia pode ser esse lugar.

Se estiver muito pesado

Se você sente que não aguenta mais, pensa em sumir ou em se machucar, procure ajuda agora. O CVV atende 24 horas, de graça, pelo 188 ou em cvv.org.br. Se você vive violência, o Ligue 180 atende mulheres 24 horas. Veja também ajuda agora.

Referências

  • Feijó, J. (2023). Mães solo no mercado de trabalho. Blog do IBRE, Fundação Getulio Vargas. blogdoibre.fgv.br

Criar um filho sozinha não é prova de que faltou alguma coisa em você. É prova de quanto você carrega. E quem carrega também precisa de apoio.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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