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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Relacionamento abusivoTema: Relacionamento abusivo07 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Gaslighting: o que é, de onde vem o nome e o que a lei diz

Gaslighting, o que é: manipulação que faz você duvidar da própria memória. Veja a origem do termo, por que é violência psicológica e como se reencontrar.


Gaslighting é uma forma de manipulação psicológica em que uma pessoa, de forma repetida, faz a outra duvidar da própria memória, percepção e sanidade. Ele nega coisas que aconteceram, distorce o que você disse, diz que você está exagerando ou "ficando louca", até que você passa a confiar mais na versão dele do que no que você mesma viveu.

O nome vem de uma peça de teatro dos anos 1930, depois adaptada para o cinema em 1944, chamada Gaslight (no Brasil, À Meia Luz). Na história, o marido diminui as luzes a gás da casa e, quando a esposa percebe, ele insiste que ela está imaginando coisas. Aos poucos, ela passa a acreditar que está perdendo a razão.

É uma imagem forte, e muitas mulheres se reconhecem nela.

Gaslighting: o que é e como ele funciona

O gaslighting não acontece de uma vez. Ele é construído com pequenas negações, uma de cada vez. No início você estranha, discute, tem certeza do que lembra. Com o tempo, a certeza vai ficando mais fraca.

Nem toda discordância sobre o passado é gaslighting. Duas pessoas podem lembrar de um mesmo fato de jeitos diferentes, e isso é humano. O gaslighting aparece quando é sempre você quem está errada, quando a sua versão nunca tem espaço, e quando o efeito é você se sentir confusa, insegura e dependente da versão do outro.

Ele costuma funcionar em três movimentos:

  1. Negar a realidade. "Eu nunca disse isso." "Isso não aconteceu."
  2. Desqualificar a sua percepção. "Você é sensível demais." "Você sempre inventa coisa."
  3. Colocar em dúvida a sua sanidade. "Você precisa se tratar." "Todo mundo acha que você tá estranha."

Frases comuns de gaslighting

Às vezes ajuda ver as frases escritas (reuni mais exemplos, e como reconhecer cada um, em gaslighting no relacionamento). Elas podem parecer inofensivas isoladas, mas repetidas criam um efeito enorme:

  • "Você tá louca, isso nunca aconteceu."
  • "Eu não falei desse jeito, você entendeu errado de novo."
  • "Você é muito dramática."
  • "Olha como você fica, é por isso que ninguém te aguenta."
  • "Você tá imaginando coisas."
  • "Até sua mãe acha que você exagera."
  • "Eu tava brincando, você não tem senso de humor."
  • "Se você tivesse uma memória melhor, a gente não brigava."
  • "Eu fiz isso por sua causa."

Repara que muitas dessas frases mudam o foco do que aconteceu pra como você reagiu. A conversa deixa de ser sobre o que ele fez e passa a ser sobre o quanto você é exagerada.

Sinais de que você pode estar vivendo gaslighting

O efeito do gaslighting aparece em como você se sente, mais do que em qualquer frase específica. Alguns sinais:

  • Você pede desculpa com frequência, mesmo sem saber bem pelo quê.
  • Você começou a anotar conversas ou tirar print pra ter certeza do que aconteceu.
  • Você sente que não consegue mais tomar decisões simples sozinha.
  • Você se pergunta se é "sensível demais" o tempo todo.
  • Você esconde coisas da relação dos amigos porque não sabe explicar direito.
  • Você sente que era uma pessoa mais confiante antes.

Se isso soa familiar, não quer dizer automaticamente que você está numa relação abusiva. Mas é um sinal de que vale olhar com atenção. O gaslighting costuma aparecer junto com outros comportamentos de controle, e faz parte do que a Lei Maria da Penha reconhece como violência psicológica. Se quiser olhar pra sua relação como um todo, preparei um teste de relacionamento abusivo com perguntas sobre o dia a dia. Não é diagnóstico, e ninguém vê suas respostas.

Gaslighting é violência psicológica?

A palavra "gaslighting" não aparece na lei. Mas o que ela descreve, sim. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), no artigo 7º, inclui a manipulação entre as condutas de violência psicológica contra a mulher, ao lado de humilhação, isolamento, vigilância e chantagem. E o artigo 147-B do Código Penal, incluído pela Lei 14.188/2021, também cita a manipulação no crime de violência psicológica.

Se quiser entender melhor o lado jurídico, escrevi sobre violência psicológica na Lei Maria da Penha. O que importa aqui é: o que você sente tem nome, e esse nome é reconhecido.

Por que o gaslighting funciona

Porque ele ataca justamente a ferramenta que você usaria pra se proteger: a sua percepção. Se você não confia no que viu, fica difícil dizer "isso não está certo".

Também funciona porque geralmente vem de alguém que você ama e em quem confia. A gente tende a dar crédito pra quem está perto. E, muitas vezes, o gaslighting vem misturado com momentos de carinho, o que faz a dúvida ficar ainda maior.

E funciona porque muitas mulheres crescem ouvindo que são emocionais demais, que exageram, que precisam se controlar. O gaslighting encontra esse terreno já preparado.

Como recuperar a confiança na própria percepção

Não existe um passo a passo que resolva tudo, mas algumas coisas costumam ajudar:

Volte a registrar o que você sente

Não pra provar nada pra ninguém, e sim pra você. Escrever o que aconteceu e como você se sentiu, logo depois, ajuda a ter um ponto de apoio quando a dúvida aparecer.

Converse com pessoas de fora da relação

Amigas, família, alguém que te conhece de antes. Contar o que acontece, em voz alta, pra alguém que não está dentro da dinâmica, muitas vezes devolve a clareza. O isolamento é um dos maiores aliados do gaslighting.

Repare no seu corpo

Aperto no peito, tensão nos ombros, vontade de chorar depois de uma conversa. O corpo costuma perceber antes da cabeça. Isso também é informação.

Não precisa ganhar a discussão

Uma armadilha comum é tentar convencer o outro da sua versão. Com quem pratica gaslighting, isso raramente acontece. Você não precisa que ele concorde pra saber o que viveu.

Busque um espaço de escuta

Na terapia, a gente não vai decidir por você nem julgar a sua relação. O trabalho é te ajudar a voltar a escutar a sua própria voz, com calma, até que ela volte a ter peso dentro de você.

Quando buscar ajuda

Se o gaslighting vem junto com ameaças, controle, isolamento ou qualquer forma de agressão, você pode buscar orientação no Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, gratuito, 24 horas e que pode ser anônimo. Em situação de risco imediato, ligue 190.

E se o peso estiver grande demais, com pensamentos de se machucar, o CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br.

Se quiser entender melhor o contexto mais amplo, escrevi também sobre o que é relacionamento abusivo e como ele começa sem a gente perceber.


Duvidar de tudo o que sente, depois de tanto ouvir que exagera, não quer dizer que você esteja louca. Quando alguém desautoriza sua memória o tempo todo, a dúvida é efeito dessa dinâmica, não defeito seu. E a confiança em você mesma pode, sim, ser reconstruída.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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