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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Relacionamento abusivoTema: Relacionamento abusivo28 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Relacionamento abusivo: o que é e como ele começa sem você perceber

O que é relacionamento abusivo: uma relação em que um controla, diminui ou machuca o outro. Veja os tipos de violência e como o abuso começa.


Relacionamento abusivo é uma relação em que uma pessoa, de forma repetida, controla, diminui, ameaça ou machuca a outra. Nem sempre tem agressão física. Muitas vezes o abuso é feito de palavras, silêncios, ciúme que vira vigilância e pequenas humilhações que, somadas, vão tirando da mulher a confiança em si mesma.

E quase nunca começa assim. Começa com carinho, intensidade, a sensação de ter encontrado alguém que te enxerga como ninguém. O controle chega depois, devagar, e por isso é tão difícil de reconhecer por dentro.

O que é relacionamento abusivo, na prática

Toda relação tem briga, desencontro, dia ruim. Isso não é abuso. O que diferencia uma relação difícil de uma relação abusiva é o padrão: a repetição de comportamentos que colocam um dos dois numa posição de poder sobre o outro.

Numa relação saudável, os dois podem discordar, dizer não, ter amigos, ter opinião, ficar tristes, sem medo do que vai acontecer depois. Numa relação abusiva, você começa a medir o que fala, a prever o humor do outro, a evitar assuntos. A relação deixa de ser um lugar de descanso e vira um lugar de cuidado constante pra "não dar problema".

Um jeito simples de se perguntar é: eu tenho medo da reação dele? Não medo de magoar, que é natural. Medo mesmo. Se a resposta for sim com frequência, vale olhar com atenção.

Os tipos de violência num relacionamento abusivo

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), no artigo 7º, descreve cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Elas ajudam a dar nome ao que muitas vezes a gente sente mas não sabe explicar.

  • Violência psicológica: humilhar, xingar, ridicularizar, ameaçar, controlar o que você faz, vigiar, isolar de amigos e família, te fazer duvidar da própria memória. É a mais difícil de enxergar, justamente porque não deixa marca no corpo.
  • Violência moral: caluniar, difamar ou injuriar. Espalhar mentiras sobre você, expor sua intimidade, te chamar de louca na frente dos outros.
  • Violência patrimonial: controlar seu dinheiro, reter seus documentos, quebrar seus objetos, impedir que você trabalhe ou estude.
  • Violência física: empurrar, apertar o braço, sacudir, jogar objetos, bater. Não precisa deixar marca pra ser violência.
  • Violência sexual: forçar ou pressionar relação sexual, impedir o uso de método contraceptivo, obrigar a práticas que você não quer. Isso vale também dentro do casamento ou do namoro.

Essas formas raramente aparecem sozinhas. É comum que a violência psicológica venha primeiro e prepare o terreno para as outras.

Como um relacionamento abusivo começa sem você perceber

O abuso quase nunca se apresenta como abuso. Ele se instala em etapas pequenas, e cada etapa parece pequena demais pra justificar ir embora.

No começo, tudo é intenso

Muita atenção, muita mensagem, planos de futuro em poucas semanas. Às vezes a sensação é de conto de fadas. Nem toda paixão intensa é sinal de abuso, mas quando a intensidade vem junto com pressa pra "fechar" a relação, vale prestar atenção.

Depois, o ciúme aparece como prova de amor

"Eu só pergunto porque me importo." "Não gosto daquela sua amiga, ela não te faz bem." No início, parece cuidado. Aos poucos, você começa a avisar onde está, a deixar de ir a certos lugares, a mostrar o celular pra evitar briga.

O isolamento vem em silêncio

Nem sempre ele proíbe você de ver sua família. Às vezes é só que, toda vez que você vê, tem uma cara fechada, uma briga, um clima. Fica mais fácil não ir. E, sem perceber, as pessoas que poderiam te dizer "isso não tá certo" vão ficando longe.

As críticas viram rotina

Comentários sobre sua roupa, seu corpo, seu jeito de falar, sua inteligência. Às vezes em tom de brincadeira. Quando você reclama, é "sensível demais". Com o tempo, você começa a acreditar que precisa melhorar pra merecer o carinho dele.

E a culpa muda de lugar

Esse talvez seja o ponto mais cruel. Depois de um tempo, quem pede desculpa é você. Você se pergunta o que fez pra ele ficar daquele jeito. A responsabilidade pelo comportamento dele passa a morar em você.

Por que é tão difícil perceber de dentro

Porque o abuso vem misturado com afeto. Tem dias bons, às vezes muito bons, e são esses dias que fazem você pensar que o problema foi só uma fase. Esse vai e vem tem nome e é bem conhecido: o ciclo da violência, em que a tensão, a explosão e o arrependimento se repetem.

Também é difícil porque a gente aprende, culturalmente, que amor exige sacrifício, que ciúme é tempero, que relação boa dá trabalho. Tudo isso tem um fundo de verdade, e é justamente por isso que confunde. Dar trabalho é diferente de doer o tempo todo.

E tem a vergonha. Muitas mulheres inteligentes, independentes, bem-sucedidas vivem relações abusivas e sentem que "deveriam saber". Estar numa relação assim não diz nada sobre a sua inteligência. Diz sobre como o abuso funciona: devagar, com carinho no meio, minando a confiança que você teria pra perceber.

Algumas perguntas pra se fazer com calma

Se você está lendo isso com uma sensação estranha no peito, talvez ajude se fazer algumas perguntas, sem pressa e sem julgamento:

  • Você mudou seu jeito de ser pra evitar a reação dele?
  • Você se afastou de pessoas importantes desde que a relação começou?
  • Você sente que precisa pedir permissão pra coisas simples?
  • Você se pega duvidando da própria memória depois de uma conversa com ele?
  • Você sente alívio quando ele não está por perto?

Nenhuma dessas perguntas, sozinha, define nada. Mas elas podem ser um começo de conversa com você mesma. Se quiser olhar isso de um jeito mais organizado, preparei um teste de relacionamento abusivo com perguntas sobre situações do dia a dia. Não é diagnóstico, e ninguém vê suas respostas. É um espelho pra você se escutar.

O que fazer se você se reconheceu aqui

Primeiro, respira. Reconhecer já é um movimento importante, e não precisa vir acompanhado de uma decisão imediata.

Algumas coisas que costumam ajudar:

  • Conversar com alguém de confiança. Uma amiga, alguém da família, uma pessoa que te conhece de antes da relação.
  • Buscar informação e orientação. O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas, é gratuito e pode ser anônimo. Lá você tira dúvidas, entende seus direitos e descobre onde procurar ajuda na sua cidade.
  • Em situação de risco imediato, ligue 190. Se você sente que a sua segurança, ou a de alguém, está em perigo agora, a Polícia Militar atende pelo 190.
  • Procurar um espaço de escuta. A terapia não serve pra te dizer o que fazer. Serve pra te ajudar a recuperar a própria voz, entender o que está vivendo e pensar nos próximos passos no seu tempo, com segurança.

Se o sofrimento estiver muito pesado, a ponto de você pensar em se machucar ou sentir que não aguenta mais, o CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br.


Relacionamento abusivo não é culpa de quem sofre. Se alguma coisa aqui fez sentido pra você, isso merece ser olhado com cuidado, sem pressa e sem vergonha.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de relacionamento abusivo pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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