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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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TDAHTema: TDAH06 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Como saber se tenho dislexia: sinais em adultos e diagnóstico

Como saber se tenho dislexia sendo adulta? Veja os sinais na leitura e na escrita, como é feito o diagnóstico, quem avalia e o que pode ajudar no dia a dia.


Pra saber se você tem dislexia, o caminho é uma avaliação feita por profissionais com experiência em leitura e escrita, como fonoaudióloga e neuropsicóloga, muitas vezes em equipe. Antes disso, dá pra observar alguns sinais: ler devagar e com esforço, precisar reler pra entender, errar a escrita de palavras que você conhece, evitar ler em voz alta e lembrar de dificuldade pra aprender a ler na infância. Na dislexia, essa dificuldade é persistente e não se explica por falta de estudo, problema de visão ou de audição.

Muitos adultos passam a vida achando que são lentos, distraídos ou "ruins de português". Às vezes a pergunta só aparece quando um filho recebe o diagnóstico e a mãe se reconhece nele.

O que é dislexia

Dislexia é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a leitura. A pessoa tem dificuldade de ler palavras com precisão, com rapidez, ou as duas coisas, e muitas vezes também de escrever as palavras do jeito certo. Isso acontece mesmo com ensino que funcionou bem pros colegas.

A Associação Brasileira de Dislexia adotou em 2025 a nova definição da International Dyslexia Association. Ela descreve a dislexia como um contínuo, do mais leve ao mais intenso, com causas que misturam genética, neurobiologia e ambiente. Dificuldade em lidar com os sons da fala e com a estrutura das palavras é comum, mas não aparece em todo mundo.

Dislexia não tem relação com inteligência. Pessoas muito inteligentes podem ter dislexia, e muitas aprendem a compensar tão bem que ninguém percebe.

Dislexia no CID e no DSM

Nos manuais usados pra diagnóstico, a dislexia aparece assim:

  • CID-11 (6A03.0): transtorno do desenvolvimento da aprendizagem com prejuízo na leitura. A Organização Mundial da Saúde lista "dislexia do desenvolvimento" como um dos nomes pra esse quadro.
  • CID-10 (F81.0): transtorno específico de leitura. É o código que ainda aparece em muitos laudos no Brasil.
  • DSM-5-TR: transtorno específico da aprendizagem com prejuízo na leitura.

Explicando o que o DSM-5-TR descreve, nas minhas palavras: a pessoa tem dificuldade pra ler palavras com precisão ou fluência, ou pra entender o que lê, e essa dificuldade dura, mesmo com apoio. O desempenho fica bem abaixo do esperado pra idade e atrapalha a escola, o trabalho ou a vida. Os sinais começam nos anos de escola, mesmo que só fiquem claros depois, quando a exigência aumenta. E a dificuldade não é melhor explicada por deficiência intelectual, problema de visão ou audição, outra condição neurológica, falta de acesso ao ensino ou falta de domínio da língua.

Sinais de dislexia em adultos

Em adultos, a dislexia costuma aparecer de um jeito mais discreto do que na criança. Alguns sinais:

  • Ler devagar, com muito esforço, e se cansar rápido.
  • Reler várias vezes pra entender um texto.
  • Pular linhas ou palavras sem perceber.
  • Trocar, inverter ou esquecer letras ao escrever, inclusive em palavras do dia a dia.
  • Dificuldade com palavras novas ou longas, nomes próprios e termos técnicos.
  • Evitar ler em voz alta em reunião, na igreja, em sala de aula.
  • Preferir ouvir a ler: áudio, vídeo, explicação falada.
  • Demorar mais em provas, formulários e e-mails do que colegas.
  • Dificuldade maior pra aprender outra língua, principalmente na escrita.
  • História de dificuldade pra aprender a ler, de repetir ano ou de ouvir que era "preguiçosa".
  • Casos parecidos na família.

Nenhum sinal sozinho fecha nada. Ansiedade, cansaço, TDAH, depressão e problemas de visão também deixam a leitura mais difícil.

Dislexia, TDAH e altas habilidades

Dislexia e TDAH aparecem juntos com frequência, e um pode confundir o outro. A pessoa com TDAH pode ler com dificuldade porque a atenção escapa. A pessoa com dislexia pode parecer desatenta porque ler cansa demais. Se você se reconhece nos dois, os textos sobre o que é TDAH e sintomas de TDAH em adultos podem ajudar a separar as perguntas.

Também existe quem tem dislexia e altas habilidades ao mesmo tempo. Isso se chama dupla excepcionalidade. Escrevi sobre isso em como saber se tenho altas habilidades.

Como é feito o diagnóstico de dislexia

Não existe exame de sangue ou de imagem pra dislexia. O diagnóstico é clínico e costuma envolver mais de um profissional:

  • Fonoaudióloga, que avalia a leitura, a escrita e o processamento dos sons da fala.
  • Neuropsicóloga ou psicóloga, que avalia o funcionamento cognitivo, como inteligência, memória e atenção, e ajuda a ver o que mais pode estar acontecendo.
  • Médico, como neurologista ou psiquiatra, quando é preciso investigar outras causas ou condições junto.
  • Exames de visão e audição, pra descartar que a dificuldade venha daí.

Uma avaliação cuidadosa olha pra sua história desde a alfabetização, pro seu desempenho atual em leitura e escrita e pro que pode explicar melhor o que acontece, como TDAH ou ansiedade. Por isso se fala tanto em equipe multidisciplinar.

No Brasil, a Lei 14.254/2021 prevê, pra estudantes da educação básica com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, identificação precoce, encaminhamento pra diagnóstico e acompanhamento por equipe multidisciplinar no serviço de saúde. A lei fala de estudantes, mas mostra como o diagnóstico é pensado: em conjunto, entre saúde e educação.

A Associação Brasileira de Dislexia reúne informação confiável e orientação pra quem está com essa dúvida.

Existe teste de dislexia online?

Existem questionários online sobre leitura e escrita. Eles podem ajudar a organizar a dúvida, mas não diagnosticam dislexia. O diagnóstico depende de tarefas de leitura e escrita aplicadas por profissional, da sua história e da exclusão de outras causas.

Onde eu entro

A avaliação neuropsicológica que eu faço é focada em TDAH e autismo em adultos. Ela não é uma avaliação de dislexia. Se a sua dúvida principal é dislexia, procure fonoaudióloga ou neuropsicóloga com experiência em transtornos de aprendizagem em adultos.

Se você está em dúvida entre os profissionais, explico a diferença entre psicólogo e neuropsicólogo e entre psicólogo e psicopedagogo. E se a sua dúvida é também sobre TDAH, você pode conhecer a avaliação neuropsicológica online.

O que pode ajudar

Dislexia acompanha a pessoa a vida toda, mas muita coisa pode deixar o dia a dia mais leve.

  • Intervenção focada em leitura e escrita, com fonoaudióloga ou psicopedagoga. Adultos também se beneficiam.
  • Tecnologia a favor: leitor de tela, audiolivro, ditado por voz, corretor ortográfico, fontes e espaçamentos que cansam menos.
  • Mais tempo em provas. Vestibulares, o Enem e concursos costumam prever atendimento especializado pra quem tem dislexia. Confira as regras de cada edital.
  • Combinar o que funciona no trabalho, como receber instruções também por áudio ou ter mais prazo pra textos longos.
  • Cuidar da autoestima. Anos ouvindo que você não se esforça deixam marca.

Essa última parte é onde a terapia entra. Ela não trata a leitura. Ela cuida da vergonha, da comparação, do medo de ler na frente dos outros e da voz interna que diz que você é menos capaz. Esse peso merece cuidado, com ou sem laudo.

Perguntas frequentes

Adulto pode descobrir que tem dislexia?

Pode. A dislexia começa na infância, mas muitos adultos compensaram por anos e só desconfiam mais tarde. A avaliação olha pra sua história desde a alfabetização.

Dislexia tem cura?

Dislexia não é uma doença que passa. Ela acompanha a pessoa, mas intervenção, estratégias e adaptações podem diminuir bastante o quanto ela atrapalha.

Quem diagnostica dislexia?

Em geral, uma equipe: fonoaudióloga e neuropsicóloga, às vezes com médico. Exames de visão e audição ajudam a descartar outras causas.

Dislexia tem a ver com inteligência?

Não. Dislexia é uma dificuldade específica com a leitura e a escrita. Ela aparece em pessoas com qualquer nível de inteligência, inclusive em quem tem altas habilidades.

Qual o CID da dislexia?

Na CID-11, o código é 6A03.0, transtorno do desenvolvimento da aprendizagem com prejuízo na leitura. Na CID-10, é F81.0, transtorno específico de leitura.

Trocar letras é sinal de dislexia?

Pode ser, quando acontece com frequência, junto com outros sinais e desde a infância. Trocar letras de vez em quando, por pressa ou cansaço, acontece com todo mundo.

Fontes

  • Organização Mundial da Saúde. CID-11, código 6A03.0: Developmental learning disorder with impairment in reading.
  • American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, texto revisado, 2022.
  • International Dyslexia Association. Definição de dislexia, 2025: dyslexiaida.org.
  • Associação Brasileira de Dislexia. O que é dislexia: dislexia.org.br.
  • Brasil. Lei nº 14.254, de 30 de novembro de 2021. Acompanhamento integral pra educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem.

Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional. Não é diagnóstico.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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