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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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AlexitimiaTema: Alexitimia28 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Causas da alexitimia: de onde vem a dificuldade de sentir

Causas da alexitimia: família em que sentir não tinha espaço, negligência emocional, trauma e fatores do neurodesenvolvimento. Entenda de onde ela vem.


As causas da alexitimia costumam ser uma mistura de fatores. Os mais estudados são: crescer numa família em que as emoções não eram nomeadas nem acolhidas, a negligência emocional na infância, experiências traumáticas que levaram a pessoa a se desligar do que sente, e fatores do temperamento e do neurodesenvolvimento, como no autismo. Raramente existe uma causa única.

Entender de onde vem não serve pra achar culpados. Serve pra você olhar pra sua dificuldade de sentir com mais gentileza. Ela não surgiu do nada, e ela tem sentido na sua história.

Causas da alexitimia: por que é uma mistura

A alexitimia é um traço, não uma doença. E, como quase todo traço, ela se forma no encontro entre o jeito que a gente nasce e o ambiente em que a gente cresce.

Tem pessoas que parecem nascer com mais facilidade pra perceber o próprio mundo interno. Outras, com menos. E tem ambientes que ensinam, desde cedo, a dar nome ao que se sente. Outros, nem tanto. A alexitimia costuma aparecer quando essas coisas se somam.

Se você ainda está conhecendo o tema, escrevi antes sobre o que é alexitimia.

Alexitimia e infância: quando sentir não tinha espaço

A gente não nasce sabendo o nome das emoções. A gente aprende. E aprende principalmente com os adultos que cuidam da gente.

Quando uma criança chora e alguém diz "você tá triste porque o amigo foi embora, né?", ela está aprendendo duas coisas: o que aquilo se chama, e que tudo bem sentir. Aos poucos, a sensação no corpo ganha palavra, e a palavra ganha permissão.

Agora imagina uma casa onde isso não acontecia. Não necessariamente uma casa ruim ou violenta. Às vezes só uma casa em que:

  • Ninguém falava de sentimentos, nem os adultos entre si.
  • Choro era recebido com "para com isso" ou "engole o choro".
  • Raiva era castigada, e só a obediência era bem-vinda.
  • Os adultos estavam tão sobrecarregados que não sobrava energia pra perceber a criança.
  • Tudo era resolvido de forma prática, e o que se sentia ficava de fora.

Nessas casas, a criança aprende que emoção é um incômodo. E, pra se adaptar, vai se desligando um pouco dela. Não por escolha, mas por sobrevivência.

Negligência emocional: a ausência que não aparece

Negligência emocional é quando as necessidades físicas da criança são atendidas (comida, escola, casa), mas as emocionais não. Ela é difícil de reconhecer justamente porque não é algo que aconteceu. É algo que faltou.

Muita gente cresce assim e, adulta, diz: "minha infância foi normal, não tenho do que reclamar". E pode ser verdade que não houve nada grave. Mas se ninguém perguntava como você estava, se ninguém te consolava quando você tinha medo, se suas emoções não eram vistas, é natural que você tenha tido pouca oportunidade de aprender a enxergá-las.

Falar disso não é acusar ninguém. Muitos pais e mães fizeram o melhor que podiam com o que tinham, e muitos também nunca aprenderam a nomear o que sentiam. Às vezes a alexitimia passa de geração em geração, sem que ninguém perceba.

Alexitimia e trauma

Experiências traumáticas também podem ter um papel. Diante de algo que é demais pra suportar, a mente às vezes se protege desligando parte da emoção. É um mecanismo de defesa importante, que ajuda a atravessar o momento.

O problema é quando esse desligamento continua depois que o perigo passou. A pessoa segue funcionando, mas com um certo "anestesiamento", uma distância do que sente. Isso pode aparecer depois de situações muito diferentes: violência, perdas, abuso, acidentes, ambientes de medo constante.

Se você vive ou viveu violência doméstica, o Ligue 180 atende mulheres 24h, de graça; em perigo imediato, ligue 190. E se o sofrimento vier com pensamentos de se machucar, o CVV atende pelo 188 ou em cvv.org.br.

Fatores de neurodesenvolvimento

Nem toda alexitimia tem a ver com a história familiar. Pesquisas mostram que ela aparece com mais frequência em pessoas autistas, por exemplo. Nesses casos, a dificuldade de identificar emoções pode estar ligada a um jeito diferente de perceber sinais internos do corpo, e não à forma como a pessoa foi criada.

Isso importa porque muda o tipo de cuidado. Se você desconfia que pode ser autista, ou que existe alguma outra questão de neurodesenvolvimento por trás, o caminho é buscar uma avaliação com psiquiatra ou neuropsicólogo. A psicoterapia pode caminhar junto, como espaço de acolhimento, mas não substitui essa avaliação.

O que causa alexitimia na vida adulta

Além da infância, algumas situações da vida adulta podem aumentar o desligamento das emoções: períodos longos de sobrecarga, depressão, luto não elaborado, relações em que você precisou se anular. Nesses casos, pode ser algo mais ligado ao momento do que um traço antigo.

Não dá pra entender a causa sem olhar pra história inteira.

Como começar a entender a sua história

Um primeiro passo pode ser observar como você lida hoje com o que sente. Preparei um teste de alexitimia gratuito com perguntas sobre como você percebe e expressa suas emoções.

E se, lendo esse texto, algo da sua infância fez sentido, vale levar isso pra uma conversa com uma psicóloga. Na abordagem centrada na pessoa, a gente não fica revirando o passado à força. A gente cria um espaço seguro onde, aos poucos, o que não teve lugar antes pode finalmente ter.

Você não escolheu ter dificuldade de sentir. Mas pode escolher, agora, começar a se ouvir com mais cuidado.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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