Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Atendimento online · mães brasileiras no exterior

Ser mãe fora do Brasil, sem a rede que te criaria junto

No Brasil, ninguém cria um filho sozinha. Tem avó, tem tia, tem vizinha que segura o bebê enquanto você toma banho. Aí você descobre que aqui o colo é só o seu.

Você não precisa esperar o seu filho crescer pra cuidar de você.

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · atualizado em julho de 2026

Sessões de 50 minutosPor videochamada, em portuguêsSigilo profissional

O que muda em ser mãe longe da sua rede?

Muda quem divide o cuidado com você.

Dito de forma direta: ser mãe no exterior sem rede de apoio é a situação em que a mãe imigrante passa a acumular sozinha (ou só com o parceiro) todas as tarefas de cuidado que no país de origem eram divididas com a família em volta: o colo do bebê, as noites mal dormidas, o revezamento nas doenças, a ida e a volta da escola, a leitura do sistema de saúde local, a tradução do idioma e a orientação de quem já criou filho antes.

No Brasil, mãe, irmã, tia e vizinha revezam o colo e ensinam pelo exemplo. Fora, o colo é o seu, todo dia, em outra língua e dentro de um sistema de escola e de saúde que você ainda está aprendendo a ler. O cansaço tem essa origem concreta.

01-Talvez você se reconheça

Mãe brasileira exausta no exterior: quais são os sinais?

É mais ou menos assim.

  • 01

    Você teve o seu bebê sem a sua mãe do outro lado da porta

  • 02

    Você passou o puerpério inteiro sem ninguém aparecer na sua casa com comida pronta

  • 03

    Você já calculou quanto custaria uma hora sozinha e desistiu da conta

  • 04

    Você olha o seu filho brincando na outra língua e sente um aperto que não sabe se tem direito de sentir

  • 05

    Você recebe um aviso da escola e precisa traduzir duas vezes: o idioma e o que aquilo quer dizer aí

  • 06

    Você desliga a chamada de vídeo com a sua mãe e chora no banheiro pra não acordar ninguém

  • 07

    Você pensa que os seus pais estão envelhecendo do outro lado de uma tela e o seu filho está crescendo longe deles

  • 08

    Você tem vergonha de admitir que em alguns dias se arrepende de ter vindo com filho pequeno

Você não precisa se reconhecer em tudo. Se duas ou três dessas frases pareceram suas, já vale olhar pra isso com cuidado.

02-A parte que ninguém avisa

Criar filho no exterior sem rede de apoio: por que é tão mais pesado?

A rede não atravessou com você.

Parir sem a sua mãe do lado é uma coisa muito específica. Não é só a falta de ajuda prática. É a falta de alguém que já passou por aquilo, que olha pra você e diz que é assim mesmo, que fica com o bebê meia hora sem você precisar explicar como se faz. Muita mãe brasileira fora do Brasil atravessa o puerpério sem receber uma única visita.

Depois o bebê cresce e a conta continua. Não ter quem fique uma hora com ele muda o tamanho da sua vida. Consulta médica, banho demorado, uma conversa inteira com o seu parceiro: tudo passa a depender de dinheiro, de agenda de babá ou de sorte. Você aprende a não pedir, e aí para de reparar no quanto isso pesa.

Se o que está mais fresco aí é o pós-parto, com o corpo em recuperação e o dia sem forma, o atendimento voltado pro puerpério fala especificamente desse período. E se o que mais aparece é o silêncio da casa depois que todos dormem, a página sobre solidão morando fora talvez descreva melhor o que você sente.

03-O filho que tem outra língua

Meu filho não quer falar português: o que fazer?

Ele vai ser de um lugar que você não é.

Uma hora você percebe que o seu filho tem referências que não são as suas. As músicas de infância dele são outras, as brincadeiras são outras, o jeito de fazer amizade é outro. Ele te ensina coisas sobre o país onde vocês moram. É bonito e dá um aperto, e as duas coisas cabem juntas.

Sobre a língua de casa existe pesquisa, e ela é mais cuidadosa do que o discurso que circula na internet. Tseng e Fuligni (2000), no Journal of Marriage and Family, encontraram associação entre pais e filhos conversarem na mesma língua em casa e as famílias relatarem mais coesão e proximidade. É um achado correlacional, e essa palavra importa: nada ali diz que a sua família adoece se o seu filho não falar português. Diz que a língua de casa funciona como um canal, e que vale cuidar dele sem virar cobrança.

Tem outra parte dessa história que quase ninguém conta. Em algum momento o filho vira tradutor dos pais: na consulta médica, no telefone com a operadora, na reunião da escola. Weisskirch (2021) reúne estudos sobre essa experiência e o retrato tem dois lados reais. Sentir vergonha nesse papel apareceu associado a mais sintomas depressivos nas crianças e adolescentes; e a mesma experiência também apareceu associada a mais empatia e mais sensação de ser útil na família. O que parece machucar não é traduzir. É traduzir com vergonha.

Isso muda a conversa no consultório. Em vez de perguntar se você deveria ou não pedir ajuda ao seu filho, a gente olha pro clima em que isso acontece: se ele sente orgulho ou se sente peso, se você se sente diminuída na frente dele quando não entende o idioma. Essas cenas costumam mexer com a sua imagem de mãe, e é aí que dá pra trabalhar.

Referências: Tseng, V. & Fuligni, A. J. (2000). Journal of Marriage and Family, sobre língua usada em casa e relações entre pais e filhos em famílias imigrantes · Weisskirch, R. S. (2021), sobre a experiência de filhos que traduzem para os pais.

04-A culpa que vem dobrada

Culpa de criar meus filhos longe dos avós no Brasil: por que ela vem dobrada?

Em falta com a sua mãe e com o seu filho.

De um lado, a sua mãe envelhecendo longe e você sem poder aparecer num domingo. Do outro, o seu filho crescendo sem avô, sem prima, sem aquela casa cheia. Você não tirou nada de ninguém, e ainda assim carrega a sensação de estar devendo pros dois lados ao mesmo tempo. É uma conta que não fecha, porque ela foi montada pra não fechar.

No meio disso aparecem pensamentos que a gente aprende a não dizer em voz alta. Os dois textos abaixo falam justamente deles, sem julgamento e sem diagnóstico. Se não for o seu momento, deixe pra depois: ler não obriga você a nada.

  • Se em algum dia passou pela sua cabeça que você talvez não fizesse isso de novo, existe um texto aqui sobre arrependimento da maternidade escrito pra quem já pensou isso sem querer perder o filho de vista.
  • E se o que aparece é uma distância estranha quando você olha o seu bebê, uma coisa que você não conseguiria explicar pra ninguém aí, tem um texto sobre não sentir amor pelo próprio bebê que trata isso como assunto de conversa, não como defeito seu.

05-O que a terapia faz com isso

Maternidade longe da família: como a terapia ajuda a aguentar?

Uma hora que é só sua.

A primeira coisa costuma ser bem prática: existir uma hora por semana em que você não é a mãe de ninguém. Uma hora em que você fala em português, sem traduzir, sem escolher palavra fácil, sem pedir desculpa por chorar por causa de uma bobagem que aconteceu na padaria da sua infância.

Depois a gente separa o que está junto. O cansaço de maternar sem rede, a saudade da sua mãe, o medo de que o seu filho não te reconheça na sua língua. Cada uma dessas coisas pede uma conversa diferente, e quando elas vêm todas no mesmo bolo dá a impressão de que o problema é você. Sobre por que a língua importa nesse trabalho, tem uma página inteira sobre terapia em português.

Meu trabalho é baseado na Abordagem Centrada na Pessoa (Carl Rogers): escuta empática, congruência e aceitação sem julgamento. Eu não entrego manual de maternidade nem plano de dez sessões pra você virar outra mãe. O ritmo é o seu, e o assunto é o que você trouxer.

Como funciona a terapia online pra quem mora fora

-Quem vai te atender

Antes de decidir, me conheça um pouco.

Escolher uma psicóloga de longe é escolher no escuro. Aqui eu me apresento em vídeo, pra você sentir se faz sentido antes de mandar mensagem.

Um recado meu, antes de você decidir.

06-Se quiser chegar com algo pronto

Você tem pouco tempo. Não gaste a primeira sessão se apresentando.

Um teste curto de autoconhecimento adianta essa parte. Você chega com o que sente já colocado em palavras e a hora inteira sobra pra você. Não é diagnóstico, é só um espelho. Dá pra fazer com o bebê no colo, em três minutos.

Um passo antes

Se você ainda não sabe como explicar o que está sentindo.

Muita gente lê uma página dessas, se reconhece em cada linha e trava na hora de escrever a primeira mensagem, porque ainda não achou as palavras pra dizer o que está acontecendo. Fiz um teste curto pensando nisso: dez perguntas sobre como anda a sua vida aí, anônimo. Ele não diz o que você tem. Ele te devolve em palavras o que você anda sentindo.

E se depois você quiser conversar comigo, é só trazer o resultado junto. A gente começa de onde você já chegou, e não do zero.

São dez perguntas, leva uns três minutos. Anônimo e sem diagnóstico.

07-Onde você estiver

Maternar muda de endereço.

Ser mãe em Portugal não é a mesma coisa que ser mãe no Japão. Muda a escola, muda quem pode te ajudar, muda o que se espera de uma mãe na rua. Veja como isso aparece no seu país:

Se o seu país não está aí, o mapa completo com mais de 50 países provavelmente tem. O atendimento é online e o horário a gente combina pelo seu fuso, inclusive na soneca dele.

08-Dúvidas

Perguntas frequentes

Meu filho não fala português. Isso é problema?
Não é um veredito, e eu não vou te dar susto com isso. Existe pesquisa apontando associação entre pais e filhos conversarem na mesma língua em casa e as famílias relatarem mais proximidade (Tseng e Fuligni, 2000). Associação não é causa: nada ali diz que a sua família vai adoecer se o seu filho responder na língua do país. O que costuma pesar de verdade é você sentir que perdeu o canal com ele, e isso a gente consegue conversar sem transformar a língua em cobrança.
Puerpério longe da família em outro país: é normal me sentir abandonada?
É uma sensação que aparece muito nesse período, e ela tem base concreta. No Brasil o resguardo é coletivo: alguém aparece com comida, alguém segura o bebê, alguém já passou por aquilo e diz que é assim mesmo. Fora, o dia do puerpério costuma acontecer dentro de casa, em silêncio, com o parceiro trabalhando e ninguém batendo na porta. Sentir-se abandonada nesse cenário não é ingratidão nem exagero: é a leitura correta de uma ausência real de rede. O que a terapia faz é dar um lugar pra isso ser dito antes de virar culpa.
Depressão pós-parto morando no exterior: com quem eu falo em português?
Com uma psicóloga brasileira que atenda online, e é exatamente pra isso que este atendimento existe. Falar do pós-parto na sua língua importa porque é nela que estão as palavras do seu corpo, da sua família e da sua infância, e traduzir tudo isso pra um profissional que não conhece a sua cultura cansa antes de ajudar. Vale dizer com clareza: nada aqui define diagnóstico, e só um profissional pode avaliar o que está acontecendo com você, presencialmente ou por videochamada. Se você já acompanha com médico ou parteira no país onde mora, esse acompanhamento continua sendo o lugar das questões de saúde física.
Avós longe dos netos: a videochamada é suficiente?
A videochamada mantém o rosto e a voz, e isso já não é pouco. O que ela não faz é criar a convivência solta, aquela em que a criança senta no colo sem motivo, escuta as histórias repetidas e aprende os jeitos da família sem que ninguém esteja ensinando. Vale parar de medir esse vínculo pela pergunta de suficiência, porque ela só te condena. Muita mãe brasileira encontra o próprio arranjo (chamadas curtas e frequentes em vez de longas e raras, o avô lendo um livro, a avó cozinhando junto pela tela) e nenhuma dessas soluções apaga a falta. A terapia entra na parte que sobra: a culpa de ter feito uma escolha que cobra isso dos seus filhos.
É normal me arrepender de ter vindo com filho pequeno?
Esse pensamento aparece com muito mais frequência do que se fala em voz alta. Ter o pensamento não faz de você uma mãe ruim, e também não significa que você quer desfazer a sua vida. Costuma ser o cansaço de sustentar tudo sem rede pedindo passagem. Vale dizer isso em algum lugar onde você não precise se defender depois.
Às vezes eu perco a paciência de um jeito que me assusta. Posso falar disso?
Pode, e esse é um dos assuntos que mais aparece quando não existe ninguém pra render a mãe. Perder a paciência sem rede em volta tem outro tamanho de quem tem uma tia na sala ao lado. Aqui você conta isso sem virar suspeita, e a gente olha o cansaço que vem antes do grito, que é onde dá pra mexer de verdade.
Como começo?
Você manda uma mensagem e a gente marca uma primeira conversa online, de 50 minutos, em português. Nesse encontro você fala e eu escuto: o que está acontecendo, como está a sua rotina com o seu filho, o que está pesando mais. No fim a gente vê juntas se faz sentido continuar. Se preferir chegar com algo já organizado, dá pra fazer um dos testes de autoconhecimento antes.

Se você estiver passando por um momento de crise ou pensamentos de se machucar, ou de machucar o seu bebê, procure o serviço de emergência ou a linha de apoio do país onde mora. Alguns exemplos: nos Estados Unidos, 988 (Suicide & Crisis Lifeline); no Reino Unido, Samaritans, 116 123; em Portugal, SOS Voz Amiga; na Alemanha, Telefonseelsorge, 0800 111 0 111. Em risco imediato, ligue para o número de emergência local.

Primeiro passo

Você também precisa de colo.

Sessões online de 50 minutos, em português, de onde você estiver. No primeiro encontro você fala e eu escuto; os próximos passos a gente decide depois.

E se a dúvida é como fazer terapia com bebê em casa: do jeito que der, e isso não desqualifica a sessão. São 50 minutos por videochamada, e você pode amamentar, ninar, andar pela casa, deixar a câmera desligada ou pausar quando ele chorar. Muita gente marca no horário do sono dele ou combina o fuso de forma que caia num momento mais calmo. Fone de ouvido resolve boa parte da questão do sigilo, e a gente acerta na primeira conversa o que funciona pra sua rotina.

Ou manda mensagem antes

Atendimento online a brasileiras que moram fora · CRP 01/30999 · conhecer o trabalho completo.