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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Síndrome da impostoraTema: Síndrome da impostora28 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Síndrome do impostor: 6 mitos que a internet repete

Síndrome do impostor: mitos como achar que é doença, falsa modéstia ou coisa de gente insegura. Entenda o que essa experiência é, sem simplificações.


A síndrome do impostor virou assunto popular, e com a popularidade vieram as simplificações. Os mitos mais repetidos são: que é uma doença, que é falsa modéstia, que só atinge gente insegura, que se resolve pensando positivo, que passa quando você faz sucesso e que é só coisa de quem trabalha. Nenhum deles se sustenta. A síndrome do impostor é uma experiência comum, não um diagnóstico, em que a pessoa não consegue reconhecer as próprias conquistas como fruto da sua capacidade e vive com medo de ser "descoberta".

Vamos um por um.

Mito 1: "Síndrome do impostor é uma doença"

Não é. Apesar do nome "síndrome", ela não aparece como diagnóstico nos manuais usados na saúde mental, como o DSM-5 e a CID-11.

O termo original, inclusive, era "fenômeno do impostor". Foi assim que as psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes o chamaram, num artigo de 1978, ao descrever mulheres bem-sucedidas que se sentiam uma fraude. A palavra "síndrome" pegou depois, na linguagem do dia a dia.

Por que isso importa? Porque tratar como doença pode fazer você achar que tem algo "quebrado" em você. E não tem. É uma forma de se perceber que foi aprendida, geralmente por bons motivos, e que pode ser revista.

Isso não quer dizer que ela seja pequena. Ela pode trazer muito sofrimento e aparecer junto de ansiedade, esgotamento ou baixa autoestima. Nesses casos, vale uma avaliação com um profissional.

Mito 2: "É falsa modéstia"

Esse é um dos mais injustos. Falsa modéstia é quando a pessoa sabe do próprio valor e finge não saber, às vezes pra receber mais elogio.

Na síndrome do impostor, a pessoa realmente não acredita. Quando ela diz "foi sorte" ou "qualquer um faria", não está jogando charme. Ela está descrevendo, com sinceridade, como se sente por dentro.

Tanto que o elogio, em vez de agradar, costuma incomodar. Parece que aumentou a distância entre o que os outros acham e o que ela acha que "realmente" é. E aumenta o medo de decepcionar.

Mito 3: "Só atinge quem é inseguro em tudo"

Muita gente que se sente impostora é, em várias áreas da vida, segura, articulada, competente. Justamente por isso, às vezes ninguém em volta imagina o que ela sente.

A sensação costuma aparecer mais em contextos específicos: no trabalho, nos estudos, em lugares novos, quando se ganha visibilidade ou se ocupa um cargo que parecia "grande demais". Não é uma insegurança generalizada.

Também não é o mesmo que baixa autoestima, embora as duas possam se misturar. Escrevi sobre essa diferença em impostora ou baixa autoestima, porque ela costuma confundir bastante.

Mito 4: "É só pensar positivo"

"Acredite em você." "Você é incrível." Frases assim são bem-intencionadas, mas raramente ajudam.

Quem se sente impostora já ouviu mil vezes que é capaz. O problema não é falta de informação positiva. É que existe um filtro interno que descarta essa informação. Então repetir afirmações sem olhar pro filtro costuma gerar mais frustração: se todo mundo diz que eu sou boa e eu não consigo sentir, deve ter algo errado comigo.

O que costuma ajudar é outro movimento: entender de onde vem esse filtro, perceber quando ele atua, separar o que é sentimento do que é fato. Coisa que leva tempo e não cabe numa frase motivacional.

Mito 5: "Passa quando você faz sucesso"

Seria lógico, né? Se a pessoa se sente uma fraude, é só ela provar o contrário que a sensação vai embora.

Só que, com frequência, acontece o oposto. Cada conquista nova traz mais visibilidade, mais responsabilidade, mais gente olhando. E, com isso, mais medo de ser desmascarada. A promoção vira ameaça. O prêmio vira pressão.

Isso acontece porque o sucesso não passa pelo filtro. Ele é explicado por fatores de fora (sorte, timing, ajuda, esforço exagerado), e nunca é incorporado como "isso é meu". Enquanto esse mecanismo continuar, dá pra acumular conquistas e continuar se sentindo exatamente igual.

Mito 6: "É coisa de trabalho, de carreira"

O trabalho é onde a síndrome do impostor mais aparece, e é onde ela é mais discutida. Mas ela não mora só lá.

Tem gente que se sente impostora como mãe ("todo mundo sabe o que está fazendo, menos eu"), nas amizades ("não sei por que elas gostam de mim"), nos relacionamentos ("uma hora ele vai perceber quem eu sou de verdade"), nos estudos, na arte, em qualquer lugar onde exista a sensação de estar sendo avaliada.

Por isso, quando a gente olha pra ela só como "dificuldade profissional", perde uma parte grande da história.

Então, o que é verdade sobre a síndrome do impostor?

Algumas coisas que dá pra dizer com mais segurança:

  • É uma experiência comum, descrita há décadas, e não um diagnóstico.
  • Envolve dificuldade de reconhecer as próprias conquistas e medo de ser "descoberta".
  • Costuma ter raízes na história de vida: rótulos, cobranças, perfeccionismo, contexto cultural.
  • Pode conviver com sucesso e até se intensificar com ele.
  • Pode trazer sofrimento real, e merece cuidado quando isso acontece.

Se você quer se observar com um pouco mais de clareza, fiz um teste de síndrome do impostor com perguntas próprias, pensadas pra ajudar a perceber como essa sensação aparece no seu dia a dia.

Por que desfazer os mitos importa

Porque cada mito, de algum jeito, coloca a responsabilidade toda em você. Se é doença, você está "quebrada". Se é falsa modéstia, você está "fazendo drama". Se é só pensar positivo, você "não está se esforçando".

Nenhuma dessas leituras ajuda. O que ajuda é olhar pra essa experiência com curiosidade e gentileza, entendendo que ela faz sentido na sua história, e que você não precisa carregá-la sozinha.


A síndrome do impostor não é um defeito seu nem uma frescura. É uma forma de se enxergar que foi aprendida, e que pode, com cuidado, ser revista.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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