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Fernanda Ferro
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LutoTema: Luto16 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Luto pela morte da mãe: quando parece que o chão sumiu

Luto pela morte da mãe mexe com identidade, papéis e a sensação de ter um lugar no mundo. Entenda por que essa perda pesa tanto e como se cuidar nesse processo.


O luto pela morte da mãe costuma ser uma das perdas mais desorganizadoras da vida de uma mulher. Não é só a falta de uma pessoa querida. É a perda de um lugar, de uma referência, de alguém que conhecia a sua história desde o começo. Por isso é tão comum sentir que o chão sumiu, mesmo quando a morte já era esperada, mesmo quando a relação era complicada.

Se você perdeu sua mãe: não existe idade em que isso fica fácil. Perder a mãe aos 20, aos 40 ou aos 60 dói de jeitos diferentes, mas dói.

Por que o luto pela mãe mexe tanto com a gente

A mãe, pra muita gente, é a primeira casa. Mesmo adulta, independente, com a própria família, você talvez ainda tivesse nela um lugar pra onde voltar. Alguém pra ligar quando algo dava certo ou errado. Alguém que lembrava da sua infância, das suas manias, do seu jeito.

Quando essa pessoa morre, várias perdas acontecem ao mesmo tempo:

  • A perda da testemunha da sua história. Quem vai lembrar de como você era aos cinco anos?
  • A perda de um lugar de filha. Muitas mulheres dizem que se sentiram "órfãs" de repente, mesmo sendo adultas.
  • A perda de planos. A viagem que não aconteceu, o neto que ela não vai conhecer, as conversas que ficaram pra depois.
  • A perda de uma rotina. O telefonema de domingo, o almoço na casa dela, as mensagens do dia a dia.

Não é exagero sentir tudo isso ao mesmo tempo. É o tamanho do vínculo.

Quando a relação com a mãe era difícil

Nem toda relação entre mãe e filha é amorosa e tranquila. Tem mães ausentes, críticas, controladoras. Tem relações com mágoas que nunca foram conversadas.

E o luto, nesses casos, pode vir misturado com coisas que parecem não combinar: raiva, alívio, culpa, saudade de uma mãe que você nunca teve de verdade. Às vezes a dor maior é a de perder a chance de um dia ter a conversa que você esperava.

Tudo isso é luto também. Não existe um sentimento "correto" pra sentir quando a mãe morre. Existe o que você sente, e ele merece espaço.

A identidade em jogo: quem eu sou sem ela?

Uma das coisas que mais escuto no consultório é a sensação de não saber mais o próprio lugar. Muitas mulheres, depois da morte da mãe, passam a ocupar papéis que eram dela: cuidar do pai, organizar os encontros da família, ser a pessoa que todos procuram.

Isso acontece às vezes de forma quase automática, no meio do velório. E, junto com a dor, vem uma responsabilidade nova, que ninguém perguntou se você queria.

Também é comum que a mulher que perdeu a mãe olhe pra si mesma de outro jeito: pra própria maternidade, pro envelhecimento, pra própria saúde. Perceber traços da mãe no espelho, na voz, num gesto, pode trazer conforto e dor ao mesmo tempo.

O luto pela morte da mãe tem prazo?

Não. E essa é uma das perguntas que mais aparecem. As pessoas em volta costumam esperar que, depois de algumas semanas, você "volte ao normal". Mas a saudade da mãe acompanha a vida inteira, e ela tende a aparecer com força em momentos específicos: um casamento, um nascimento, uma doença, uma conquista que você queria contar pra ela.

O que costuma mudar com o tempo não é o fim da saudade, e sim o jeito como ela ocupa a sua vida. No começo, ela está em tudo. Aos poucos, se o luto encontra espaço pra ser vivido, ela passa a conviver com outras coisas.

Se quiser entender melhor esses movimentos, escrevi sobre as fases do luto e por que elas não acontecem em ordem.

Cuidados possíveis depois de perder a mãe

Não tenho uma receita, porque cada luto é um. Mas algumas coisas costumam ajudar:

Dar nome ao que você perdeu. Não só "minha mãe", mas o que ela era pra você. A pessoa que te acalmava, que te irritava, que fazia o melhor bolo, que te criticava e te amava ao mesmo tempo.

Não carregar sozinha os papéis que eram dela. Se a família espera que você assuma tudo, vale conversar, dividir, dizer o que você dá conta agora e o que não dá.

Manter vínculos de algum jeito. Guardar uma receita, usar uma peça de roupa, conversar com ela em pensamento. Continuar ligada a quem se foi não é "não aceitar a morte". É parte de como a gente elabora uma perda.

Cuidar do básico. Sono, comida, algum movimento. O luto cansa o corpo, e ele precisa de atenção.

Procurar gente que entende. Amigas que também perderam a mãe, grupos de apoio ao luto, uma escuta profissional.

Quando vale buscar ajuda

A dor da perda da mãe é esperada. Mas tem sinais que indicam que o luto pode estar pesando além do que você consegue sustentar sozinha:

  • A sensação de que a vida parou e não volta a andar, mesmo depois de muitos meses.
  • Uma culpa constante pelo que você fez ou deixou de fazer.
  • Dificuldade de trabalhar, cuidar de si ou se relacionar por muito tempo.
  • Evitar tudo que lembra ela, ou não conseguir pensar em mais nada.

Se você se reconhece em alguns desses pontos, preparei um teste de luto gratuito que pode ajudar a organizar o que você está sentindo. São perguntas que escrevi pensando em quem está passando por uma perda. É um convite pra se escutar com mais cuidado.

E se em algum momento surgir a vontade de não estar mais aqui, por favor, procure ajuda imediata. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Em emergência, ligue 192 ou procure um pronto-socorro.

Uma palavra pra você

Perder a mãe é perder uma parte do mundo como você conhecia. Não precisa fingir força, nem apressar a dor, nem ser a filha perfeita no luto. Você pode chorar no supermercado quando vê o biscoito que ela gostava. Pode ter dias bons e se sentir culpada por eles. Pode sentir falta até do que te machucava.

O chão pode demorar pra voltar. Mas, com tempo e apoio, muitas mulheres vão encontrando um novo jeito de pisar, levando a mãe junto de outra forma.


Este texto é informativo. Não é diagnóstico e não substitui uma avaliação profissional.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de luto pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

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