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Fernanda Ferro
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LutoTema: Luto10 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Fases do luto: o que o modelo das 5 fases acerta e o que ele não conta

Fases do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação não seguem ordem. Veja o que o modelo acerta, o que não conta e por que tudo vem misturado.


As famosas cinco fases do luto são negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Elas foram descritas pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross no livro Sobre a Morte e o Morrer, de 1969. Mas tem uma coisa que pouca gente sabe: essas fases não acontecem em ordem, não são obrigatórias e nem foram pensadas, no começo, pra descrever o luto de quem perde alguém. Na vida real, as emoções do luto vêm misturadas, vão e voltam, e cada pessoa vive isso de um jeito.

Muita gente se cobra por não estar "na fase certa". Por isso vale olhar pro modelo com carinho, sem tomá-lo como regra.

De onde vêm as 5 fases do luto

Kübler-Ross trabalhava com pacientes que estavam no fim da vida. As cinco fases surgiram a partir das conversas com essas pessoas, sobre como elas reagiam à notícia da própria morte. Só depois o modelo passou a ser usado pra falar do luto de quem perde alguém.

A própria autora, em trabalhos posteriores, disse que as fases não eram etapas lineares, nem um roteiro que todo mundo segue. Mas a ideia de uma escadinha, em que você sobe degrau por degrau até chegar na aceitação, ficou muito popular. E é aí que mora o problema.

As fases do luto, uma por uma

Vale conhecer cada uma, não como etapa, mas como emoção que pode aparecer.

  • Negação. A sensação de que aquilo não pode ser verdade. Pegar o celular pra ligar, esperar ouvir a voz. É uma forma de a mente se proteger de um impacto grande demais pra absorver de uma vez.
  • Raiva. Da vida, dos médicos, de Deus, de quem ficou, da pessoa que foi, de si mesma. Muita gente sente vergonha dessa raiva. Ela é muito mais comum do que se fala.
  • Barganha. O "e se". E se eu tivesse levado antes ao médico, e se eu tivesse ligado naquele dia. É a mente tentando encontrar um jeito de ter controle sobre algo que não teve.
  • Depressão. Aqui, no sentido de tristeza profunda, não do diagnóstico. O peso da ausência, o cansaço, a vontade de ficar quieta.
  • Aceitação. Não é ficar bem com a perda. É reconhecer que ela aconteceu e, aos poucos, encontrar um jeito de seguir carregando esse vínculo.

O que o modelo das fases do luto acerta

O modelo tem um mérito enorme: ele deu nome pra coisas que as pessoas sentiam e não tinham coragem de dizer. Graças a ele, muita gente entendeu que sentir raiva no luto não é monstruoso. Que ficar repassando "e se" não é loucura. Que a negação, no começo, tem uma função.

Ele também ajudou a trazer o luto pra conversa, num tempo em que falar de morte era quase proibido. Isso não é pouco.

O que ele não conta

O problema é quando o modelo vira regra. Algumas coisas que ele não conta:

  • Não existe ordem. Você pode sentir aceitação num dia e raiva no seguinte. Pode passar pela barganha depois de meses. Pode nunca sentir negação.
  • As emoções vêm misturadas. No mesmo dia, às vezes na mesma hora, cabem saudade, alívio, culpa, amor e raiva. Isso não é confusão. É luto.
  • Nem todo mundo passa por todas. Não sentir uma das fases não quer dizer que você "pulou" alguma coisa ou que vai ter que viver isso depois.
  • Tem muita coisa que não está na lista. Alívio, por exemplo, depois de uma doença longa. Culpa por estar aliviada. Medo. Solidão. Sensação de irrealidade. Nenhum desses cabe em cinco caixinhas.
  • A aceitação não é o fim. O luto não é uma prova com linha de chegada. A saudade continua existindo, só que de outra forma.

Outras formas de entender o luto

Hoje, quem estuda o luto costuma usar outros olhares, que conversam melhor com a vida real. Um deles é o modelo do processo dual, das pesquisadoras Margaret Stroebe e Henk Schut. Ele descreve o luto como um movimento de vai e vem: tem momentos em que a gente mergulha na dor e na saudade, e momentos em que a gente se volta pra vida, pra rotina, pras coisas práticas. Esse balanço é considerado saudável. Descansar da dor não é esquecer.

Outra ideia importante é a de vínculos contínuos: a gente não precisa romper a ligação com quem morreu pra seguir em frente. O vínculo pode continuar, só que de outra forma.

E se eu sinto que estou travada numa fase?

Às vezes a pessoa sente que ficou presa numa emoção. A raiva que não solta, a culpa que volta todo dia, a negação que continua mesmo depois de muito tempo. Quando isso acontece por muitos meses e vai tirando espaço da vida, vale prestar atenção. Escrevi sobre isso no texto sobre quanto tempo dura o luto.

Se quiser se observar com um pouco mais de calma, preparei um teste sobre as fases do luto e como você está vivendo a sua perda, online e gratuito, com perguntas que eu mesma escrevi. Ele não diz em que fase você está. É um convite pra você se escutar.

Se a dor estiver muito pesada, com pensamentos de não querer mais viver, por favor, procure ajuda agora. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou pelo site cvv.org.br.

Como a terapia olha pras fases do luto

Na terapia, eu não uso as fases como mapa pra saber onde você "deveria" estar. Uso como vocabulário, quando ajuda, pra você dar nome ao que sente. Trabalho na abordagem centrada na pessoa, então o que guia o caminho é a sua experiência, do jeito que ela é, com as emoções misturadas, os dias bons e os dias que parecem voltar tudo pro começo.


As fases do luto podem ajudar a nomear o que você sente, mas não são um roteiro. O seu luto não precisa caber em cinco etapas. Este texto é informativo e não é diagnóstico.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de luto pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

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