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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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AutoestimaTema: Autoestima06 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Insegurança: de onde vem e como lidar com ela

O que é insegurança, como ela aparece no relacionamento, no trabalho e no espelho, de onde costuma vir e o que ajuda a parar de ser tão insegura.


Insegurança é a sensação de não estar firme: de que você não é suficiente, de que vai errar, de que as pessoas podem ir embora a qualquer momento. Todo mundo sente em alguma fase. Ela vira um problema quando passa a decidir por você, quando faz você checar, se comparar, pedir confirmação o tempo todo ou desistir antes de tentar.

Insegurança não é um transtorno. É um jeito de se sentir, e costuma ter história.

O que é insegurança emocional

É quando o chão interno depende demais do que vem de fora. Se alguém elogia, você respira. Se alguém demora pra responder, o dia desaba. A opinião dos outros vira termômetro do seu valor.

Ela aparece de muitos jeitos:

  • Comparação constante com outras mulheres, colegas, amigas, ex do parceiro.
  • Pedir confirmação o tempo todo: "você gostou?", "tá bravo comigo?", "ficou bom?".
  • Dificuldade de decidir sem ouvir várias opiniões antes.
  • Medo de errar que leva a adiar ou a fazer tudo dez vezes.
  • Ler rejeição em coisas neutras, como uma resposta curta ou um olhar.
  • Desconfiar de elogio, como se fosse educação ou pena.

De onde vem a insegurança

Não costuma ter uma causa só. Algumas origens comuns:

  • Uma infância em que o afeto parecia condicionado. Ser amada quando ia bem na escola, quando não dava trabalho, quando agradava. Carl Rogers, que criou a abordagem com que eu trabalho, chamava isso de condições de valor: a gente aprende que só vale quando cumpre certas exigências.
  • Críticas repetidas, em casa, na escola, em relações.
  • Relações em que você foi enganada ou desvalorizada, que deixam o alarme ligado.
  • Um jeito de se vincular mais ansioso, em que a distância do outro soa como perigo. Escrevi sobre apego ansioso.
  • Autoestima baixa, que é parente próxima da insegurança. Se quiser se olhar por aí, veja os sinais de autoestima baixa.

Insegurança no relacionamento

É onde ela costuma doer mais. A insegurança no relacionamento aparece como ciúme, medo de ser trocada, necessidade de saber onde o outro está, interpretação de cada silêncio como sinal de que acabou.

Geraldine Downey e Scott Feldman descreveram, em 1996, a sensibilidade à rejeição: a tendência de esperar a rejeição com ansiedade, enxergá-la com facilidade e reagir forte a ela. Nos estudos deles, quem entrava nas relações com essa expectativa via rejeição intencional em comportamentos ambíguos do parceiro, e os dois lados ficavam menos satisfeitos com a relação.

O que dá pra tirar disso: muitas vezes a insegurança cria justamente o que teme. Você cobra, o outro se afasta, você confirma que estava certa. Escrevi mais sobre esse medo em medo de rejeição e em medo do abandono na relação.

Uma diferença importante: às vezes a insegurança não é só sua. Se o parceiro mente, some, desqualifica você ou faz você duvidar do que viu, a sensação de não estar firme tem motivo. Aí o trabalho não é "parar de ser insegura", é olhar pra relação.

Como lidar com a insegurança

Repare no que dispara

Insegurança costuma ter gatilhos parecidos: uma mensagem sem resposta, uma reunião, uma foto, uma comparação. Anotar quando ela aparece ajuda a perceber o padrão e a se surpreender menos com ele.

Separe o fato da interpretação

"Ele respondeu seco" é o fato. "Ele não gosta mais de mim" é a interpretação. Perguntar a si mesma que outras explicações existem não apaga a ansiedade, mas abre espaço entre o que aconteceu e o que você concluiu.

Peça confirmação com menos frequência, e com mais clareza

Pedir carinho é legítimo. O que cansa os dois lados é a checagem repetida, que acalma por pouco tempo. Às vezes ajuda trocar dez perguntas soltas por uma conversa direta: "quando você some, eu fico insegura. Dá pra me avisar?".

Mude o jeito de falar consigo

Muita insegurança vem de uma voz interna dura, que aponta cada erro. Tratar-se com a mesma gentileza que você teria com uma amiga não é se iludir. É o que a pesquisa chama de autocompaixão, e ela tem sido associada a menos sofrimento psicológico.

Faça coisas inseguras mesmo assim

Esperar a segurança chegar pra depois agir costuma não funcionar. A confiança costuma vir depois de tentar, errar e ver que você continua de pé.

Como parar de ser insegura

A pergunta é compreensível, mas talvez a meta não seja zerar a insegurança. Ela aparece em situações novas, em mudanças, em relações que importam. Isso é humano. A meta pode ser ela deixar de mandar: você sente o frio na barriga e faz mesmo assim, sente ciúme e conversa em vez de vasculhar.

Quando a insegurança é antiga e atravessa várias áreas da vida, costuma pedir mais que dicas. A terapia é um espaço pra entender de onde ela veio e pra experimentar, numa relação, ser aceita sem precisar cumprir condições. Na abordagem centrada na pessoa, é justamente essa experiência que ajuda a pessoa a confiar mais no que sente e no que vale.

Este texto não é diagnóstico. Se quiser se olhar com calma, o teste de autoestima do site pode ajudar a organizar o que você sente.

Perguntas frequentes

Insegurança é falta de amor-próprio?

Pode ter relação, mas não é tão simples. Muita gente insegura gosta de si em vários aspectos e trava em outros, como no amor ou no trabalho. E amor-próprio não se cria por decisão. Costuma ser construído aos poucos, também nas relações.

Insegurança tem cura?

Insegurança não é doença, então não se fala em cura. Ela pode diminuir bastante e deixar de comandar as suas escolhas, principalmente quando você entende de onde ela vem.

Insegurança no relacionamento é culpa minha?

Não é questão de culpa. Às vezes vem da sua história, às vezes da forma como o parceiro age, quase sempre das duas coisas juntas. Vale olhar com honestidade pros dois lados.

Ciúme é insegurança?

Muitas vezes sim, mas nem todo ciúme é igual. Se ele vira controle, como vigiar o celular ou proibir amizades, aí é outra conversa, que pede cuidado.

Insegurança pode ser ansiedade?

Podem andar juntas. Quando a preocupação é constante, difícil de controlar e vem com tensão no corpo, sono ruim e cansaço, vale avaliar ansiedade. Uma profissional ajuda a separar.

Referências

  • Downey, G. & Feldman, S. I. (1996). Implications of rejection sensitivity for intimate relationships. Journal of Personality and Social Psychology, 70(6), 1327-1343. doi.org/10.1037/0022-3514.70.6.1327
  • MacBeth, A. & Gumley, A. (2012). Exploring compassion: A meta-analysis of the association between self-compassion and psychopathology. Clinical Psychology Review, 32(6), 545-552. doi.org/10.1016/j.cpr.2012.06.003
  • Rogers, C. R. (1959). A theory of therapy, personality, and interpersonal relationships, as developed in the client-centered framework. Em S. Koch (Org.), Psychology: A study of a science (Vol. 3, pp. 184-256). McGraw-Hill.

Insegurança não é defeito de caráter. Muitas vezes é o que sobrou de um tempo em que você precisou estar sempre atenta pra ser aceita.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

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Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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