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Fernanda Ferro
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DepressãoTema: Depressão12 de outubro de 2026 · 9 min de leitura

CID da depressão: F32, F33 e 6A70 na CID-10 e na CID-11

Qual é o CID da depressão: F32 (episódio depressivo) e F33 (transtorno depressivo recorrente) na CID-10, 6A70 e 6A71 na CID-11. Tabela dos subcódigos conferida na OMS, o que muda entre as versões, CID no atestado e sigilo.


O CID da depressão é F32 ou F33 na CID-10, a versão que ainda aparece nos atestados no Brasil. F32 é episódio depressivo: um episódio único, ou o primeiro. F33 é transtorno depressivo recorrente: quando já houve episódios antes. Na CID-11, a versão nova da Organização Mundial da Saúde (OMS), os códigos equivalentes são 6A70 (transtorno depressivo de episódio único) e 6A71 (transtorno depressivo recorrente). O número depois do ponto diz a intensidade do episódio e se há sintomas psicóticos.

Este texto explica cada código, mostra o que mudou da CID-10 para a CID-11 e o que você pode pedir sobre o CID no seu atestado. Ele não faz diagnóstico: o código é escolhido por quem avaliou você, olhando a sua história.

F32 e F33: a diferença é a história, não a gravidade

Na CID-10, a separação entre F32 e F33 não diz se a depressão é mais leve ou mais pesada. Diz se é a primeira vez.

  • F32, episódios depressivos. Usado para um episódio isolado ou o primeiro. A descrição da OMS fala em rebaixamento do humor, redução da energia e da atividade, perda de interesse e de prazer, dificuldade de concentração, cansaço mesmo após pouco esforço, alterações de sono e de apetite, queda da autoestima e ideias de culpa.
  • F33, transtorno depressivo recorrente. Usado quando há episódios depressivos repetidos, sem história de mania. Um segundo episódio pode ser mais leve que o primeiro e ainda assim levar o código para F33.

Se em algum momento aparecer um episódio de mania ou hipomania, o quadro deixa de ser classificado como depressão recorrente e passa para o grupo do transtorno bipolar (F31). Por isso o código pode mudar ao longo do acompanhamento sem que ninguém tenha errado.

Tabela dos códigos da depressão na CID-10

Nomes em português conforme a CID-10 publicada pelo DATASUS; códigos conferidos no navegador da CID-10 da OMS (versão 2019).

CódigoNome na CID-10
F32.0Episódio depressivo leve
F32.1Episódio depressivo moderado
F32.2Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos
F32.3Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos
F32.8Outros episódios depressivos
F32.9Episódio depressivo não especificado
F33.0Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve
F33.1Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado
F33.2Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos
F33.3Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos
F33.4Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão
F33.8Outros transtornos depressivos recorrentes
F33.9Transtorno depressivo recorrente sem especificação

"Sintomas psicóticos" quer dizer alucinações ou ideias delirantes, como ouvir vozes ou ter certeza de uma culpa ou de uma doença que não existe. "Não especificado" (F32.9, F33.9) aparece quando o profissional registra o quadro sem detalhar a intensidade.

Outros códigos que costumam ser confundidos com depressão

  • F34.1, distimia: humor rebaixado de forma crônica, por anos, sem a intensidade de um episódio depressivo. Na CID-11 é 6A72. Veja o que é distimia.
  • F41.2, transtorno misto ansioso e depressivo: ansiedade e depressão ao mesmo tempo, nenhuma das duas com intensidade para um diagnóstico próprio. Na CID-11 é 6A73.
  • F53.0, onde a CID-10 coloca a depressão pós-parto sem outra especificação. Na CID-11 é 6E20.
  • F31, transtorno bipolar, que tem episódios depressivos, mas também de mania ou hipomania.

A lista completa, com os códigos dos outros transtornos de que falo no site, está em transtornos de A a Z.

Tabela dos códigos da depressão na CID-11

Códigos conferidos no navegador da CID-11 da OMS (versão de estatísticas de morbidade e mortalidade, 2025). Os nomes abaixo são tradução minha do inglês da OMS.

CódigoNome na CID-11
6A70.0Episódio único, leve
6A70.1Episódio único, moderado, sem sintomas psicóticos
6A70.2Episódio único, moderado, com sintomas psicóticos
6A70.3Episódio único, grave, sem sintomas psicóticos
6A70.4Episódio único, grave, com sintomas psicóticos
6A70.5Episódio único, gravidade não especificada
6A70.6Episódio único, em remissão parcial
6A70.7Episódio único, em remissão completa
6A70.YOutro transtorno depressivo de episódio único especificado
6A70.ZTranstorno depressivo de episódio único, não especificado
6A71.0Recorrente, episódio atual leve
6A71.1Recorrente, episódio atual moderado, sem sintomas psicóticos
6A71.2Recorrente, episódio atual moderado, com sintomas psicóticos
6A71.3Recorrente, episódio atual grave, sem sintomas psicóticos
6A71.4Recorrente, episódio atual grave, com sintomas psicóticos
6A71.5Recorrente, episódio atual de gravidade não especificada
6A71.6Recorrente, em remissão parcial
6A71.7Recorrente, em remissão completa
6A71.YOutro transtorno depressivo recorrente especificado
6A71.ZTranstorno depressivo recorrente, não especificado

O que muda da CID-10 para a CID-11

A lógica é a mesma: primeiro episódio de um lado, episódios repetidos do outro. As diferenças estão nos detalhes.

  • Moderado com sintomas psicóticos. A CID-10 só previa sintomas psicóticos no episódio grave. A CID-11 permite registrá-los também no moderado (6A70.2 e 6A71.2).
  • Remissão para o episódio único. Na CID-10, só a depressão recorrente tinha código de remissão (F33.4). Na CID-11, o episódio único também tem: remissão parcial (6A70.6) e completa (6A70.7).
  • Definição de recorrente. A OMS descreve o transtorno recorrente como pelo menos dois episódios depressivos separados por vários meses sem alteração importante do humor.
  • Duração do episódio. A descrição da CID-11 fala em humor deprimido ou perda de interesse na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, com outros sintomas como dificuldade de concentração, culpa excessiva, desesperança, pensamentos de morte e mudanças no sono e no apetite.

Qual versão vale no Brasil

A CID-11 foi aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2019 e entrou em vigor na OMS em 1º de janeiro de 2022. Cada país faz a sua transição. No Brasil, segundo o Conselho Federal de Medicina, a Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde prevê a CID-11 nos sistemas de vigilância em saúde a partir de janeiro de 2027, com integração completa até 2027 ou 2028.

Por isso, o código que você vê hoje num atestado, num pedido de exame ou numa guia de convênio no Brasil ainda é, quase sempre, o da CID-10: F32 ou F33.

CID no atestado: quem pode colocar e o seu direito ao sigilo

O médico. A Resolução CFM nº 2.381/2024, que substituiu a antiga 1.658/2002, diz que o médico só pode fornecer atestado com o diagnóstico, codificado ou não, por justa causa, por dever legal ou a pedido do próprio paciente (ou do representante legal). Quando é você quem pede, essa concordância precisa ficar escrita no atestado e registrada no prontuário. O atestado sem CID é o padrão, e é válido. Pela mesma resolução, o atestado para afastamento do trabalho é prerrogativa de médicos e dentistas.

A psicóloga. A Resolução CFP nº 6/2019 permite que a psicóloga use a CID no atestado psicológico quando for justificadamente necessário. É uma possibilidade, não uma obrigação. Expliquei as diferenças entre atestado, declaração e relatório em atestado psicológico.

O que você pode fazer. Na consulta, diga para que serve o documento. Se é só para justificar a falta, você pode pedir o atestado sem o código. Em situações como perícia, plano de saúde ou pedido de benefício, informar o diagnóstico pode ser necessário; aí a decisão de autorizar é sua, e vale conversar sobre isso com quem vai emitir o documento.

O código não define o tratamento

O CID é uma linguagem comum entre sistemas de saúde, convênios e estatísticas. Ele resume um quadro num rótulo curto e, por isso, deixa muita coisa de fora. Duas pessoas com F32.1 podem ter histórias, causas e necessidades muito diferentes.

O que o código não diz:

  • quanto você está sofrendo nem como isso aparece no seu dia;
  • o que desencadeou o episódio;
  • quanto tempo ele vai durar;
  • qual tratamento é o certo para você.

O tratamento é decidido na avaliação, com quem acompanha você. Pode envolver psicoterapia, medicação ou as duas. Psicóloga não receita: medicação é com médico ou psiquiatra. Para entender o quadro além do código, leia o que é depressão e sintomas de depressão.

Se você quer organizar o que está sentindo antes de procurar alguém, o teste de depressão usa o PHQ-9, um questionário de triagem. Ele não dá diagnóstico nem código: ajuda a ver se vale buscar uma avaliação.

Perguntas frequentes

Qual é o CID da depressão?

Na CID-10, F32 (episódio depressivo) e F33 (transtorno depressivo recorrente). Na CID-11, 6A70 (episódio único) e 6A71 (recorrente). No Brasil, os atestados ainda usam a CID-10.

O que significa CID F32.1?

Episódio depressivo moderado, na CID-10. É um episódio único ou o primeiro, de intensidade moderada.

O que significa CID F33.1?

Transtorno depressivo recorrente com episódio atual moderado. "Recorrente" quer dizer que já houve episódios depressivos antes.

F32 é mais leve que F33?

Não. A diferença é a história: F32 para episódio único, F33 para episódios que se repetem. A intensidade está no número depois do ponto.

O CID precisa aparecer no meu atestado?

Não. Pela Resolução CFM nº 2.381/2024, o médico só coloca o diagnóstico com justa causa, por dever legal ou a seu pedido, e essa concordância fica escrita no atestado. Um atestado sem CID continua válido.

Psicóloga pode colocar CID?

Pode, no atestado psicológico, quando for justificadamente necessário, pela Resolução CFP nº 6/2019. O atestado para afastamento do trabalho, pela resolução do CFM, é de médicos e dentistas.

Qual o CID-11 da depressão?

6A70 para o transtorno depressivo de episódio único e 6A71 para o recorrente. Distimia é 6A72 e o transtorno misto ansioso e depressivo é 6A73.

O meu código pode mudar?

Pode. Um F32 vira F33 se houver um novo episódio, e o diagnóstico pode ser revisto se aparecerem sinais de outro quadro, como o transtorno bipolar.

Se estiver muito pesado

Se a tristeza virou desesperança, ou se você pensa em se machucar, procure ajuda agora. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Em risco imediato, ligue para o SAMU, no 192, ou vá a um pronto-socorro. Veja também ajuda agora.

Referências


Um código ajuda os sistemas de saúde a conversarem entre si. O que você está vivendo cabe numa conversa, não numa sigla.

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Continue se escutando

Se você se reconheceu nesse texto, o teste de depressão (PHQ-9) pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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