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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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AnedoniaTema: Anedonia06 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Apatia: o que é, sintomas e a diferença de anedonia e depressão

O que é apatia, os sintomas mais comuns, o que pode causar, a diferença entre apatia, anedonia e depressão e quando vale procurar ajuda.


Apatia é a perda da motivação. A pessoa deixa de ter iniciativa, de se interessar e de se mexer em direção às coisas, inclusive às que antes importavam. Não é só preguiça nem cansaço de um dia ruim. É quando querer, começar e se envolver ficam difíceis por semanas, e a vida passa a ser vivida no modo automático.

O DSM-5-TR (APA, 2022) não traz a apatia como diagnóstico próprio. Ela é um sintoma que pode aparecer em vários quadros, da depressão ao esgotamento, passando por algumas doenças neurológicas e efeitos de remédios.

O que é apatia

O psiquiatra Robert Marin, que estudou o tema a fundo, descreveu a apatia em 1991 como uma perda de motivação. Às vezes ela vem de outro sofrimento, como uma depressão. Às vezes é o problema principal, sem tristeza intensa por trás.

Em 2018, um grupo internacional de especialistas propôs critérios pra reconhecer a apatia, principalmente em doenças do cérebro. Em linhas gerais, ela aparece como:

  • Menos atividade voltada a objetivos do que a pessoa tinha antes.
  • Por pelo menos quatro semanas.
  • Em pelo menos duas destas áreas: comportamento e pensamento (iniciativa, planos, curiosidade), emoção (reagir menos ao que acontece) e vida social (procurar menos as pessoas).
  • Com prejuízo no dia a dia.
  • Sem outra explicação melhor, como efeito de substância ou uma mudança grande no ambiente.

Sintomas de apatia

Os sintomas de apatia mais comuns, do jeito que costumam aparecer na vida real:

  • Ficar parada esperando a vontade chegar, e ela não chega.
  • Deixar de puxar assunto, de marcar encontros, de responder mensagens.
  • Perder a curiosidade por notícias, séries, projetos, pessoas.
  • Fazer só o essencial, e às vezes nem isso.
  • Sentir que tanto faz. Uma notícia boa e uma ruim mexem pouco.
  • Ouvir de quem convive que você "está diferente", "desligada", "sem graça".
  • Não sofrer tanto com isso. Em muitos casos, a própria pessoa se incomoda menos do que quem está ao redor.

Apatia: sintomas que passam despercebidos

O último ponto da lista engana. Na depressão, a pessoa costuma sofrer muito com o próprio estado. Na apatia, às vezes o sofrimento é menor que o esperado, e por isso ela demora a pedir ajuda.

Apatia, anedonia e depressão: qual a diferença?

As três se confundem muito, e podem aparecer juntas. Uma forma simples de separar:

  • Apatia é falta de motivação. O problema está em querer e começar. "Não tenho vontade de ir."
  • Anedonia é a perda do prazer. O problema está em sentir. "Eu fui, mas não senti nada."
  • Depressão é um quadro mais amplo. Envolve humor triste ou perda de interesse e prazer, junto com outros sintomas, como alterações de sono e apetite, cansaço, culpa e pensamentos sombrios.

A revisão de Masud Husain e Jonathan Roiser, de 2018, mostra que apatia e anedonia são duas faces da motivação e parecem dividir parte dos mecanismos no cérebro, ligados a quanto esforço a gente aceita fazer em troca de uma recompensa. Por isso elas andam juntas com frequência.

A depressão pode trazer apatia e anedonia. Mas dá pra ter apatia sem estar deprimida, por exemplo depois de um AVC ou no começo de uma doença neurológica. Pra entender melhor a diferença entre anedonia e depressão, escrevi anedonia ou depressão, e há também a comparação entre tristeza e depressão.

O que causa apatia

As causas mais comuns:

  • Depressão, inclusive formas mais longas e de baixa intensidade, como a distimia.
  • Esgotamento. Depois de muito tempo funcionando no limite, o sistema desliga. Leia sobre burnout e cansaço emocional.
  • Luto e perdas. Por um tempo, é esperado que nada pareça fazer sentido.
  • Doenças neurológicas, como Parkinson, Alzheimer e outras demências, e sequelas de AVC ou de lesões na cabeça. A apatia é um dos sintomas mais frequentes nesses quadros.
  • Questões clínicas, como alterações de tireoide, anemia, sono muito ruim, uso de álcool e outras drogas.
  • Remédios. Algumas pessoas que tomam certos antidepressivos relatam emoções mais apagadas. Se você notar isso, converse com quem prescreveu. Não pare por conta própria.
  • Uma vida sem espaço pra você. Às vezes a apatia é a resposta a anos fazendo só o que precisa, sem nada que seja seu.

Por isso a primeira conversa sobre apatia costuma incluir um médico, pra descartar causas físicas.

Apatia tem cura?

Depende da causa. Quando a apatia vem de uma depressão, de um esgotamento ou de um efeito de remédio, ela costuma melhorar quando a causa é tratada. Nas doenças neurológicas, o cuidado é mais de longo prazo, com acompanhamento médico e apoio pra família.

Eu não prometo cura. O que dá pra dizer é que apatia tem tratamento e que entender de onde ela vem é o primeiro passo.

Como lidar com a apatia

Algumas coisas que costumam ajudar:

  1. Não espere a vontade. Na apatia, a vontade costuma vir depois da ação, e não antes. Combine com você uma coisa pequena e faça mesmo sem vontade.
  2. Diminua o tamanho das tarefas. "Arrumar a casa" trava. "Lavar três pratos" é possível.
  3. Use agenda e lembretes. Quando a iniciativa falha, o lembrete faz o papel dela.
  4. Peça ajuda de alguém próximo. Um convite pra caminhar ou uma companhia pra resolver algo ajuda a sair do lugar.
  5. Cuide do corpo. Sono, comida e movimento mexem com a energia e com a motivação.
  6. Observe sem se acusar. Apatia não é falta de caráter. Se cobrar costuma piorar.

Na terapia comigo, na abordagem centrada na pessoa, a gente olha pro que está por trás desse desligamento e pro que voltou a importar, mesmo que pouco. Quando a apatia faz parte de uma depressão, a terapia cognitivo-comportamental e a ativação comportamental têm boa evidência, e eu encaminho quando é o caso. Se houver suspeita de causa neurológica, o caminho começa pelo neurologista ou psiquiatra.

Este texto não é diagnóstico. Se quiser entender melhor se o que você sente é perda de prazer, o teste de anedonia é um ponto de partida.

Perguntas frequentes

Apatia é a mesma coisa que preguiça?

Não. Preguiça costuma ser pontual e escolhida, e a pessoa ainda sente vontade de outras coisas. A apatia é uma perda mais geral de motivação, que dura semanas e atinge até o que antes dava prazer.

Apatia é sintoma de depressão?

Pode ser. Muitas pessoas com depressão sentem apatia. Mas ela também aparece em outros quadros, como esgotamento, doenças neurológicas e efeitos de remédios.

Qual a diferença entre apatia e anedonia?

Apatia é falta de vontade de começar. Anedonia é não sentir prazer quando faz. As duas podem existir juntas.

Ansiedade pode causar apatia?

A ansiedade prolongada cansa, e esse cansaço pode virar desligamento. Quando ansiedade e apatia aparecem juntas, vale uma avaliação, porque muitas vezes há uma depressão junto.

Quando procurar ajuda?

Se a falta de motivação dura mais de duas semanas, atrapalha trabalho, cuidado com a casa ou com você, ou se quem convive com você está preocupado, vale procurar um médico e uma psicóloga.

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Referências

  • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). APA Publishing.
  • Marin, R. S. (1991). Apathy: a neuropsychiatric syndrome. The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences, 3(3), 243-254. doi.org/10.1176/jnp.3.3.243
  • Robert, P. et al. (2018). Is it time to revise the diagnostic criteria for apathy in brain disorders? The 2018 international consensus group. European Psychiatry, 54, 71-76. doi.org/10.1016/j.eurpsy.2018.07.008
  • Husain, M. & Roiser, J. P. (2018). Neuroscience of apathy and anhedonia: a transdiagnostic approach. Nature Reviews Neuroscience, 19(8), 470-484. doi.org/10.1038/s41583-018-0029-9

Quando nada parece valer o esforço, o primeiro movimento pode ser bem pequeno. Ele não precisa vir com vontade pra contar.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

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Fernanda Pessoa Ferro

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Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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