Família e filhos
10 textos · Fernanda Pessoa Ferro, CRP 01/30999
- Voltar pro Brasil nas férias e voltar diferenteNão foi férias, foi turnê. Todo mundo tem direito a um pedaço dos seus quinze dias, você conta a versão resumida da sua vida oito vezes, dorme em cama de outra pessoa e não sobra tempo morto, que é onde o descanso acontece.
- Como contar pra sua família no Brasil que você não está bemVocê desliga a chamada de domingo dizendo que está tudo ótimo e senta com um aperto no peito.
- Meus pais estão envelhecendo e eu vejo isso por vídeoVer o envelhecimento dos seus pais em saltos, de visita em visita, é uma das partes mais duras de morar fora.
- Meus pais só conhecem meu filho por chamada de vídeoVideochamada mantém o contato vivo, mas não substitui o convívio físico, e sentir isso não é ingratidão nem exagero.
- Não sei mais o que contar pras pessoas do BrasilA conversa esvaziou porque acabou o cotidiano compartilhado, e não o interesse.
- Todo mês chega o pedido, e dizer não parece ingratidãoMandar dinheiro pra casa é comum entre quem mora fora, e o que mais pesa raramente é o valor.
- Pra todo mundo no Brasil eu venci na vidaExiste uma obrigação não dita de estar bem quando se mora fora, porque a saída foi vista como sorte.
- Eu só posto o que dá certo, e agora não sei como dizer que não estáMostrar só a parte boa começa como recorte normal e vira armadilha com o tempo.
- Meu filho responde em outra língua quando eu falo português com eleCriança que entende português e responde na língua local é o padrão mais comum entre filhos de brasileiros no exterior, e não significa que ela perdeu a língua.
- Meu filho tem vergonha de falar português na frente dos amigosCriança que evita a língua dos pais em público quase sempre está tentando não ser marcada como diferente no grupo dela.
Este é um dos temas de todos os meus textos, onde dá pra buscar pelo que está doendo. Se o que você procura é atendimento, comece por psicóloga para brasileiras no exterior, que reúne o formato das sessões e uma página pra cada país.
Estes textos são psicoeducativos e não substituem atendimento psicológico. Se você está em sofrimento intenso, procure ajuda agora: contatos de apoio por país.