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Fernanda Ferro
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ReflexõesTema: Outros textos10 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

Quando concordar com você dói: o que a ansiedade de apego revela sobre as metas na terapia

Quando alguém concorda com você, você sente alívio ou angústia? Um estudo mostra que, para quem tem ansiedade de apego, o acordo sobre metas pode gerar desconforto em vez de segurança. Entenda o que isso revela. A concordância costuma ser interpretada como sinal de harmonia. Mas para pessoas com ansiedade de apego, esse cenário pode funcionar ao contrário: o acordo sobre objetivos comuns não traz conforto. Produz tensão. A pesquisa identificou um padrão contraintuitivo. Indivíduos com altos níveis de ansiedade de apego relataram maior desconforto justamente quando parceiros alinhavam suas metas às deles. O esperado seria que a convergência trouxesse segurança. O que acontece é o oposto. A explicação passa pela lógica interna desse tipo de ansiedade. Quem convive com ela opera sob a crença de que é difícil ser amado, que o abandono é iminente. O acordo, nesse contexto, não é lido como validação. É lido como armadilha. Se o outro concorda agora, pode discordar depois. Se está próximo hoje, pode partir amanhã. A concordância amplifica o medo da perda futura, não o dissolve. Há também o componente da autoimagem. Pessoas com ansiedade de apego tendem a duvidar do próprio valor. Quando alguém concorda com elas, a dúvida se estende: "por que essa pessoa está concordando comigo? Será que é sincero? Será que vai durar?" O alinhamento se torna fonte de vigilância, não de tranquilidade. O estudo sugere que o desconforto não vem da divergência, mas da possibilidade de que a convergência seja temporária. A ansiedade se alimenta da incerteza sobre a estabilidade do vínculo. O acordo, paradoxalmente, torna essa incerteza mais visível. Esse achado tem implicações práticas. Em relações onde uma das partes apresenta ansiedade de apego, a busca por consenso total pode gerar o efeito inverso ao desejado. A insistência em estar sempre alinhado pode aumentar a pressão interna, não reduzi-la. A intervenção terapêutica, nesses casos, não passa por forçar o acordo. Passa por trabalhar a tolerância à incerteza e a crença na própria dignidade de ser escolhido. O objetivo não é eliminar o desacordo, mas reduzir a carga emocional que o acordo carrega. O estudo também ressalta que a ansiedade de apego não é binária. Ela existe em graus. A intensidade do desconforto varia conforme o nível de ansiedade e o contexto da relação. Mas o padrão se repete: quanto maior a ansiedade, maior a chance de que o acordo funcione como gatilho, não como alívio. Compreender esse mecanismo ajuda a evitar interpretações equivocadas. O desconforto diante da concordância não é sinal de rejeição ao parceiro. É sinal de um sistema de apego que aprendeu a desconfiar da proximidade. A pessoa quer estar próxima, mas teme o custo emocional de perder o que se aproxima. O caminho, portanto, não é aumentar o acordo. É aumentar a segurança interna, a capacidade de tolerar tanto a proximidade quanto a diferença sem que isso dispare o alarme do abandono. O acordo deixa de ser ameaça quando a presença do outro deixa de ser questionada a cada movimento.


Quando concordar com você dói: o que a ansiedade de apego revela sobre as metas na terapia

Você já sentiu que, quando alguém concorda com você, algo dentro parece desmoronar?

Parece estranho, mas muitas mulheres vivem isso: a pessoa que amam diz "sim, concordo", define um plano junto, e em vez de alívio vem uma angústia sem nome. Como se o acordo fosse uma ameaça.

Um estudo recente com 137 pessoas em terapia psicodinâmica ajuda a entender esse mecanismo. Os pesquisadores acompanharam mais de 5.000 sessões e descobriram algo importante: para quem tinha níveis elevados de ansiedade de apego, quando percebiam alto acordo sobre as metas em uma sessão, relatavam pior funcionamento na semana seguinte.

Isso não quer dizer que definir metas é ruim. Quer dizer que o "como" importa tanto quanto o "o quê".

O que acontece quando concordar assusta

Quando você tem ansiedade de apego (aquele medo constante de ser abandonada, de não ser suficiente), o acordo pode parecer uma promessa frágil. Você pensa: "E se ele não cumprir? E se eu não conseguir? E se isso for só mais uma prova de que não sou capaz?"

O estudo mostrou que a ansiedade de apego não teve efeito significativo sobre a aliança terapêutica em si, mas mudou a forma como o acordo sobre metas foi vivido.

É como se, para você, concordar fosse expor demais. Ficar vulnerável demais. E aí, em vez de caminhar junto, você já começa a se preparar para a queda.

O que isso tem a ver com a terapia

Na Abordagem Centrada na Pessoa, não tratamos a ansiedade de apego como um rótulo fechado. Olhamos para o que você sente quando concorda, quando define algo, quando se permite ser vista.

O estudo citado (https://doi.org/10.1037/cou0000865) foi feito em terapia psicodinâmica, mas a lição serve: a psicóloga precisa estar atenta ao seu jeito de lidar com acordos, metas, compromissos. Porque para algumas mulheres, o "sim" assusta mais que o "não".

Isso não é falha sua. É um jeito de se proteger que fez sentido um dia, e que pode ser olhado com cuidado agora.

O que você pode começar a perceber

Se você sente que acordos te angustiam, preste atenção:

  • Quando alguém concorda com você, o que vem logo depois? Alívio ou desconforto?
  • Você sente que precisa "provar" algo quando define uma meta?
  • Concordar com alguém te deixa com medo de decepcionar?

Essas perguntas não são para você se diagnosticar. São para você começar a reparar no que acontece dentro de você quando o "sim" chega.

Na terapia, a gente pode olhar isso junto. Sem pressa. Sem veredito. Apenas acolhendo o que você sente e entendendo de onde vem esse medo de se comprometer: com metas, com pessoas, consigo mesma.

Um convite para olhar com cuidado

Se você reconheceu algo do que está aqui, talvez valha a pena conversar sobre isso. Não para "resolver" de vez, mas para entender melhor o que acontece quando você concorda, quando se compromete, quando se permite ser vista.

A terapia oferece esse espaço: de olhar para o que dói sem ter que decidir sozinha o que fazer com isso.

Sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica (CRP 01/30999), atendo mulheres em Brasília (presencial e online) na Abordagem Centrada na Pessoa. Se quiser conversar sobre como a terapia pode te acompanhar nesse processo, entre em contato.


Perguntas frequentes

Por que concordar com alguém pode dar ansiedade?

Porque para quem tem medo de abandono, o acordo pode parecer uma promessa frágil. Você fica exposta, vulnerável, e o medo de decepcionar ou ser decepcionada cresce. É um jeito de se proteger.

A terapia realmente ajuda com ansiedade de apego?

A terapia oferece um espaço para você entender de onde vem esse medo e como ele se manifesta nos seus relacionamentos. Ali você olha com cuidado para isso e constrói, com tempo, novas formas de se relacionar.

Como saber se tenho ansiedade de apego?

Não é algo que você deve se autodiagnosticar. Mas se você sente medo constante de ser abandonada, se anula para não desagradar ou se sente angustiada ao definir metas com alguém, vale conversar sobre isso na terapia.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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