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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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SolidãoTema: Solidão30 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Solidão: o que é, de onde vem e por que dói tanto

O que é solidão? É a sensação de estar desconectada, mesmo com gente por perto. Entenda a solidão emocional e a social, de onde ela vem e por que dói.


Solidão é a sensação dolorosa de estar desconectada dos outros, de não ter com quem dividir o que você vive por dentro. Ela não depende de quantas pessoas existem ao seu redor. Depende de quanto você se sente vista, ouvida e acompanhada por elas. Por isso dá pra se sentir sozinha numa casa cheia, e dá pra passar um fim de semana inteiro sem ver ninguém e se sentir em paz.

Solidão não é um número. É uma distância entre os vínculos que você tem e os vínculos que você precisa.

O que é solidão, afinal

Na psicologia, a solidão costuma ser descrita como uma experiência subjetiva. Ou seja, quem define se existe solidão é quem sente, não quem olha de fora.

Uma mulher pode ter marido, filhos, colegas de trabalho e um grupo de amigas no celular, e mesmo assim sentir que ninguém sabe de verdade como ela está. Outra pode morar sozinha, ter duas ou três pessoas próximas e se sentir profundamente acompanhada.

O que pesa é a qualidade do encontro. Você consegue ser você mesma com alguém? Tem pra quem ligar quando a coisa aperta? Existe alguém que se lembra das suas coisas, que pergunta de volta? Quando essas respostas vão ficando em branco, a solidão começa a aparecer.

Solidão emocional e solidão social

Um pesquisador americano chamado Robert Weiss, lá nos anos 1970, propôs separar a solidão em dois tipos. Essa divisão ainda ajuda muito a entender o que a gente sente.

Solidão emocional é a falta de um vínculo íntimo, de alguém muito próximo. É aquela sensação de não ter "a sua pessoa", alguém com quem você possa baixar a guarda por completo. Ela pode aparecer depois de uma separação, de um luto, ou dentro de um relacionamento que ficou distante.

Solidão social é a falta de uma rede. De um grupo, de uma turma, de um lugar onde você se sinta parte. Ela costuma aparecer depois de uma mudança de cidade, de uma troca de emprego, da chegada de um filho, de uma aposentadoria.

As duas podem existir juntas ou separadas. Tem gente com um casamento próximo que sente falta de amigas. E tem gente cheia de amigas que sente falta de um vínculo mais íntimo. Uma não substitui a outra, e é por isso que às vezes "sair mais" não resolve.

De onde vem a solidão

Não existe uma causa só. Na maioria das vezes, é uma soma de coisas.

  • Mudanças de vida. Mudar de cidade ou de país, terminar um relacionamento, virar mãe, perder alguém, trocar de trabalho. Toda mudança grande mexe na rede de apoio.
  • Rotina que engole tudo. Quando o dia é trabalho, casa e cuidado com os outros, sobra pouco espaço pra encontro de verdade. Os vínculos vão ficando pra depois.
  • Relações que ficaram rasas. Conversas que só falam de logística, amizades que viraram só curtida, um casamento que funciona mas não conversa.
  • Jeito de se proteger. Algumas pessoas aprenderam cedo que mostrar o que sentem é arriscado. Elas cuidam de todo mundo, mas ninguém cuida delas, porque ninguém sabe que elas precisam.
  • Momentos de sofrimento. Tristeza, ansiedade e cansaço deixam a gente mais recolhida. E o recolhimento, com o tempo, aumenta a sensação de estar sozinha.

Por que a solidão dói tanto

Porque a gente é feita pra viver em vínculo. Desde bebê, a nossa segurança depende de ter alguém por perto que responde quando a gente chama. Quando esse "alguém" some, ou fica distante, o corpo e a mente entendem isso como uma ameaça, e não como um simples incômodo.

É por isso que a solidão não fica só na tristeza. Ela pode vir junto com ansiedade, com um estado de alerta, com dificuldade de dormir, com uma autocrítica mais dura. Muita gente sozinha começa a achar que o problema é ela: "ninguém me procura porque eu sou chata", "devo ser difícil de gostar". E esse pensamento, por sua vez, afasta ainda mais.

A solidão tem esse jeito de se alimentar de si mesma. Quanto mais sozinha você se sente, mais difícil fica procurar alguém, e quanto menos procura, mais sozinha fica.

Esse assunto é levado tão a sério que, em 2023, a Organização Mundial da Saúde criou uma comissão específica sobre conexão social, tratando a solidão e o isolamento como uma questão de saúde pública. Não é drama, não é carência, não é fraqueza. É uma necessidade humana que não está sendo atendida.

Solidão é a mesma coisa que estar sozinha?

Não. Estar sozinha é uma situação: você está sem companhia naquele momento. Solidão é um sentimento: você se sente desconectada, com ou sem gente em volta.

Tem momentos a sós que fazem bem, que são escolhidos, que descansam. Isso muitas vezes é chamado de solitude. Eu escrevi mais sobre essa diferença em solidão ou estar sozinha, porque ela muda bastante a forma como a gente olha pra própria vida.

Como saber se o que eu sinto é solidão

Algumas perguntas podem ajudar a se escutar:

  • Você sente que ninguém sabe de verdade como você está?
  • Os fins de semana e feriados pesam mais do que deveriam?
  • Você espera mensagens que não chegam, ou sente que é sempre você quem procura?
  • As conversas do dia a dia parecem ficar na superfície?
  • Você evita contar como está porque acha que vai incomodar?

Se várias dessas respostas foram "sim", vale olhar com mais carinho pra isso. Eu criei um teste de solidão online e gratuito, com perguntas simples, pra você colocar em palavras o que às vezes fica só no peito.

Solidão tem jeito?

A solidão não é um defeito seu, e ela costuma mudar quando a gente entende de onde ela vem. Às vezes o caminho passa por reconstruir uma rede. Às vezes passa por aprofundar vínculos que já existem. E às vezes passa por olhar pro jeito como você se protege, pra que você consiga deixar as pessoas chegarem mais perto.

Na terapia, a gente olha pra isso sem pressa e sem julgamento. E, pra muita gente, o próprio espaço da terapia já é o primeiro lugar em muito tempo onde dá pra falar sem editar nada.

Um cuidado importante

Se a solidão vier junto com uma tristeza muito funda, com a sensação de que nada faz sentido ou com pensamentos de se machucar, não espere passar. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Você não precisa atravessar isso sozinha.


Solidão não é falta de gente. É falta de encontro. E encontro é algo que dá pra reconstruir, no seu tempo.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

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