O que é amor? O que a psicologia diz, tipos de amor e paixão
O que é amor para a psicologia, os tipos de amor (da teoria triangular de Sternberg aos estilos de amor) e a diferença entre amor e paixão, com exemplos e sem romantizar.
Amor, para a psicologia, não é uma coisa só. É uma mistura de proximidade emocional, desejo e decisão de ficar, que muda de forma ao longo do tempo. Uma das teorias mais conhecidas, a do psicólogo Robert Sternberg, descreve o amor em três partes: intimidade, paixão e compromisso. Conforme a combinação, surgem tipos de amor diferentes. A paixão costuma ser a fase intensa do começo; o amor que dura costuma ter mais intimidade e escolha.
Pergunta antiga, essa. Poeta, filósofo e religião já tentaram responder. Eu não vou dar a resposta definitiva. Vou contar o que a psicologia observa, porque às vezes isso ajuda a entender o que você está vivendo.
O que é amor para a psicologia
Na psicologia, o amor é estudado de vários jeitos. Três ideias aparecem muito:
Amor como vínculo de apego. Em 1987, Cindy Hazan e Phillip Shaver propuseram entender o amor romântico entre adultos como um processo de apego, parecido com o laço que a criança forma com quem cuida dela. É a parte do amor que procura segurança, conforto, um porto pra voltar. Escrevi mais sobre isso em tipos de apego.
Amor como sistemas que se misturam. A antropóloga Helen Fisher descreveu três sistemas emocionais ligados ao amor: o desejo sexual, a atração por uma pessoa específica e o apego, que traz calma e sensação de união. Eles podem andar juntos ou separados. Dá pra sentir desejo sem apego, e apego sem desejo.
Amor como componentes. É a teoria triangular de Sternberg, que explico logo abaixo.
Todas concordam numa coisa: amor não é só um sentimento que bate e fica. É também uma forma de se relacionar, que se constrói, se desgasta e pode ser cuidada.
O que é amor de verdade?
Muita gente me faz essa pergunta com uma dúvida escondida: "o que eu sinto é amor ou é outra coisa?"
Não existe um teste definitivo. Mas o amor que faz bem costuma ter algumas marcas:
- Você pode ser quem é, sem se encolher pra caber.
- Existe cuidado nos dois sentidos, não só de você pra ele.
- Discordar não coloca a relação em risco a cada vez.
- A relação soma à sua vida, em vez de tomar o lugar dela.
- Há respeito, mesmo na briga.
Quando o que você sente vem principalmente de medo de perder, de ansiedade e de anulação, pode ser outra coisa. Escrevi sobre isso em amor ou dependência. E se a dúvida é se ainda é amor ou só costume, a página amor ou apego ajuda a pensar.
Tipos de amor segundo Sternberg
Em 1986, Robert Sternberg publicou a teoria triangular do amor. Os três lados do triângulo são:
- Intimidade: proximidade, confiança, sensação de ser conhecida e de conhecer o outro.
- Paixão: desejo, atração, a parte que acende o corpo e a vontade de estar junto.
- Decisão e compromisso: a escolha de amar aquela pessoa e de manter a relação ao longo do tempo.
Combinando os três, ele descreve tipos de amor:
- Amizade (gostar): só intimidade. Proximidade sem paixão e sem compromisso de longo prazo.
- Paixão à primeira vista (paixonite): só paixão. Intensa, rápida, muitas vezes por alguém que você mal conhece.
- Amor vazio: só compromisso. A relação continua por decisão, mas sem intimidade nem desejo.
- Amor romântico: intimidade e paixão, sem compromisso. Muito vivo, ainda sem plano de futuro.
- Amor companheiro: intimidade e compromisso, com pouca paixão. Comum em relações longas e em amizades muito profundas.
- Amor ilusório (fátuo): paixão e compromisso, sem intimidade. O casamento depois de três semanas de namoro, antes de se conhecerem de verdade.
- Amor completo (consumado): os três juntos.
Sternberg também chama de "não amor" a ausência dos três, como acontece na maior parte das relações casuais do dia a dia.
Uma relação pode passar por vários desses ao longo dos anos. Um casamento começa romântico, vira completo, atravessa uma fase de amor vazio e, às vezes, encontra de novo a intimidade. O triângulo não é um diagnóstico da relação. É um jeito de conversar sobre o que está presente e o que está faltando.
Outros tipos de amor: os estilos de amor
Outra forma de pensar os tipos de amor vem do sociólogo John Alan Lee, que descreveu seis estilos de amar. Os psicólogos Clyde e Susan Hendrick criaram, em 1986, uma escala pra medir esses estilos:
- Eros: amor romântico e apaixonado, atração forte, intensidade.
- Ludus: amor como jogo, leve, sem muito compromisso.
- Storge: amor que nasce da amizade, devagar, com companheirismo.
- Pragma: amor prático, que considera compatibilidade e planos de vida.
- Mania: amor ansioso, possessivo, com muito ciúme e altos e baixos.
- Ágape: amor generoso, de doação, que coloca o bem do outro em primeiro lugar.
Ninguém tem um estilo só. E nenhum é "certo". Mas vale um cuidado com dois deles. O estilo mania tem muito a ver com o apego ansioso e costuma doer. E o ágape, quando vira doação sem limite e sem reciprocidade, pode esconder um padrão de se anular pelo outro.
Fora da psicologia, muita gente conhece os nomes gregos usados pra falar de amor: eros (o amor romântico e o desejo), philia (a amizade), storge (o afeto de família) e ágape (o amor generoso). Eles mostram uma coisa bonita: amor não é só romântico. Amizade, família e cuidado também são amor.
Diferença entre amor e paixão
A paixão é a fase da intensidade. Pensamento fixo na pessoa, coração acelerado com uma mensagem, vontade de estar junto o tempo todo, idealização. Elaine Hatfield e Susan Sprecher, que criaram uma escala de amor apaixonado em 1986, descrevem esse estado como um desejo intenso de união com o outro.
O amor costuma ser mais calmo e mais amplo. Inclui a paixão às vezes, mas também a intimidade, o conhecimento do outro como ele é, e a escolha de continuar.
Algumas diferenças comuns:
| Paixão | Amor |
|---|---|
| Idealiza o outro | Conhece o outro, com defeitos |
| Urgência, ansiedade | Mais tranquilidade e segurança |
| Muito focada no começo | Construído com o tempo |
| Depende muito da presença e da resposta do outro | Aguenta distância e frustração |
| Intensa, mas instável | Pode ser intenso e estável ao mesmo tempo |
E a pergunta que muita gente faz: a paixão acaba?
A obsessão do começo, aquela de não conseguir pensar em mais nada, tende a diminuir. Mas uma revisão de Bianca Acevedo e Arthur Aron, de 2009, concluiu que o amor romântico, sem a parte obsessiva do início, pode existir em relações longas, e está associado a mais satisfação com a relação. Ou seja: o encantamento muda de forma, mas não precisa sumir.
O amor muda com o tempo
Se você sente que "o amor acabou" porque o friozinho na barriga passou, vale olhar com calma. Às vezes o que passou foi só a fase de paixão, e o que ficou é outra forma de amor, menos barulhenta.
Mas às vezes o que ficou é distância mesmo. Rotina engolindo o casal, mágoas que ninguém falou, desejo que sumiu e ninguém comentou. Escrevi sobre isso em crise no casamento. Quando os dois querem olhar pra isso juntos, a terapia de casal pode ajudar a reencontrar o que se perdeu, ou a entender que é hora de outro caminho.
Amor também se expressa de jeitos diferentes. Uma pessoa mostra fazendo coisas, outra falando, outra com toque. As 5 linguagens do amor são um modelo popular, não científico, mas ajudam muito casal a perceber que estava falando línguas diferentes.
Perguntas frequentes
Quais são os 3 tipos de amor?
Depende da teoria. Na mais conhecida, a de Sternberg, os três componentes do amor são intimidade, paixão e compromisso. Da combinação deles saem sete tipos de amor, sendo o amor completo o que reúne os três.
Quanto tempo dura a paixão?
Não há um prazo científico confiável. O que a pesquisa mostra é que a parte mais obsessiva da paixão tende a diminuir com o tempo, enquanto o amor romântico pode continuar em relações longas.
É possível amar sem paixão?
Sim. O amor companheiro, com intimidade e compromisso, é uma forma de amor. Algumas pessoas vivem bem assim. Pra outras, a falta de desejo pesa e merece uma conversa.
Como saber se é amor ou carência?
A carência busca preencher um vazio, e qualquer pessoa disponível parece servir. O amor se volta pra alguém específico, que você conhece de verdade. Se a sua vontade de ter alguém é tão grande que você aceita qualquer coisa, vale olhar pra isso com carinho.
Amor é sentimento ou decisão?
As duas coisas. Na teoria de Sternberg, o compromisso, a decisão de continuar, é um dos três componentes do amor. Sentir é importante, mas o amor que dura também é escolhido muitas vezes.
Pra continuar pensando
Se quiser entender como você costuma se vincular, o teste de estilo de apego é um ponto de partida. Não é diagnóstico, é um convite pra olhar com mais curiosidade pro seu jeito de amar.
Referências
- Sternberg, R. J. (1986). A triangular theory of love. Psychological Review, 93(2), 119-135. doi.org/10.1037/0033-295X.93.2.119
- Hendrick, C. & Hendrick, S. (1986). A theory and method of love. Journal of Personality and Social Psychology, 50(2), 392-402. doi.org/10.1037/0022-3514.50.2.392
- Hatfield, E. & Sprecher, S. (1986). Measuring passionate love in intimate relationships. Journal of Adolescence, 9(4), 383-410. doi.org/10.1016/S0140-1971(86)80043-4
- Hazan, C. & Shaver, P. (1987). Romantic love conceptualized as an attachment process. Journal of Personality and Social Psychology, 52(3), 511-524. doi.org/10.1037/0022-3514.52.3.511
- Fisher, H. E. (1998). Lust, attraction, and attachment in mammalian reproduction. Human Nature, 9(1), 23-52. doi.org/10.1007/s12110-998-1010-5
- Acevedo, B. P. & Aron, A. (2009). Does a long-term relationship kill romantic love? Review of General Psychology, 13(1), 59-65. doi.org/10.1037/a0014226
Amor não é só o que se sente no começo. É também o que se escolhe cuidar depois.
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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de estilo de apego pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.
Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999
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