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Fernanda Ferro
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Depressão pós-partoTema: Depressão pós-parto22 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Depressão pós-parto: 7 mitos que fazem mães sofrerem caladas

Mitos sobre depressão pós-parto: não é falta de amor pelo bebê, nem sempre passa sozinha e não surge só logo após o parto. Veja o que é mito e o que ajuda.


Os mitos sobre depressão pós-parto mais comuns são: que ela é falta de amor pelo bebê, que passa sozinha, que "mãe de verdade dá conta", que só aparece logo depois do parto e que só acontece com quem tem uma vida difícil. Nenhum deles é verdade. A depressão pós-parto é uma condição de saúde que pode atingir qualquer mulher, não mede o amor dela pelo filho e tem tratamento.

O problema desses mitos é que eles fazem muitas mães sofrerem em silêncio, achando que o que sentem é um defeito delas.

Mito 1: "Depressão pós-parto é falta de amor pelo bebê"

Esse é o mito que mais machuca, e talvez o que mais segura as mulheres longe de ajuda.

A depressão pode, sim, deixar a conexão com o bebê mais difícil. Tem mães que se sentem anestesiadas, que cuidam de tudo no automático, que não sentem aquela onda de amor que imaginavam. E isso assusta.

Mas isso é um efeito da depressão, que atinge a capacidade de sentir prazer e conexão em várias áreas da vida. Não é uma verdade sobre quem você é como mãe. Muitas mulheres, com cuidado, vão sentindo esse vínculo se construir aos poucos. E muitas outras amam intensamente o bebê e, mesmo assim, estão deprimidas.

Mito 2: "Isso passa sozinho"

O baby blues, aquela oscilação de humor, choro fácil e sensibilidade nos primeiros dias após o parto, é comum e costuma melhorar em até duas semanas. Aí sim, com descanso e apoio, ele passa.

A depressão pós-parto é outra coisa. Ela dura mais, é mais intensa e atrapalha o dia a dia. Esperar que "passe sozinha" pode significar meses de sofrimento sem necessidade. Quando os sintomas persistem, o caminho é procurar avaliação. Se você tem dúvida sobre qual é o seu caso, escrevi sobre baby blues ou depressão pós-parto.

Mito 3: "Mãe de verdade dá conta"

Essa frase carrega uma ideia de maternidade que não existe: a mãe que nunca se cansa, nunca se irrita, nunca chora escondida, faz tudo sozinha e ainda agradece.

Nenhuma mãe dá conta de tudo sozinha. Nunca deu. Durante muito tempo, crianças foram criadas por redes inteiras de mulheres, avós, vizinhas. A exigência de fazer tudo sozinha, com um sorriso, é recente e injusta.

Precisar de ajuda não te faz menos mãe. E a depressão pós-parto não aparece porque você "não se esforçou o suficiente".

Mito 4: "Só acontece logo depois do parto"

Muita gente acha que, se a mãe estava bem no primeiro mês, já passou do risco. Não é bem assim.

Os sintomas podem começar ainda na gravidez, nas primeiras semanas depois do parto ou meses depois, ao longo do primeiro ano. Às vezes aparecem quando a licença acaba, na volta ao trabalho, no desmame, quando a rede de apoio vai embora e a rotina aperta.

Por isso, se você começou a se sentir mal com o bebê já maiorzinho, isso também merece atenção.

Mito 5: "Só acontece com quem tem uma vida difícil"

A depressão pós-parto pode atingir mulheres com casamento estável, dinheiro, bebê saudável e gravidez planejada. E muitas delas sentem ainda mais culpa por isso: "eu tenho tudo, por que estou assim?".

Existem fatores que aumentam o risco, como histórico de depressão ou ansiedade, pouca rede de apoio, conflitos no relacionamento, um parto difícil, dificuldades financeiras. Mas nenhum deles é obrigatório. Se quiser entender melhor, escrevi sobre as causas da depressão pós-parto.

Mito 6: "Se eu contar, vão achar que não posso cuidar do meu filho"

Esse medo é real e compreensível. Mas buscar ajuda é, justamente, uma forma de cuidar do bebê, porque cuida de quem cuida dele.

Profissionais de saúde que acompanham mães sabem que a depressão pós-parto é uma condição tratável, não uma prova de incapacidade. Contar o que está sentindo é o que permite receber o cuidado certo. E se você esbarrar em alguém que não acolheu, procure outra pessoa. Você merece ser escutada.

Mito 7: "Tratamento é só remédio" (ou "remédio nunca, porque estou amamentando")

Aqui tem dois mitos em um. O primeiro é achar que o único caminho é medicação. A psicoterapia é parte importante do cuidado, e muitas vezes o melhor é juntar as duas coisas.

O segundo é achar que quem amamenta não pode usar nenhum remédio. Existem opções que podem ser usadas durante a amamentação, e essa avaliação é da psiquiatra ou da médica que te acompanha, junto com você. Não é pra decidir sozinha, nem pra deixar de buscar cuidado por medo.

O que é verdade sobre a depressão pós-parto

E o que é verdade:

  • Ela é comum. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 13% das mulheres que acabaram de ter um bebê vivem algum transtorno mental, principalmente depressão.
  • Ela não é culpa sua. Envolve mudanças no corpo, no sono, na rotina, na identidade e nas relações.
  • Ela tem tratamento. E buscar cuidado cedo faz diferença.
  • Você não precisa ter certeza pra procurar ajuda. A dúvida já basta.

Um jeito gentil de começar é responder o teste de depressão pós-parto, baseado na Escala de Edimburgo. Não é diagnóstico, mas pode te ajudar a enxergar o que você está sentindo e a levar isso pra uma conversa com uma profissional.

Se estiver muito difícil agora

Se você tiver pensamentos de se machucar, de não querer mais viver ou pensamentos de fazer mal ao bebê que te assustam, procure ajuda no mesmo dia. O CVV atende pelo 188, 24h, de graça e em sigilo, e também em cvv.org.br.


Mito nenhum deveria ser mais alto que a sua dor. Se algo em você está pedindo cuidado, essa voz merece ser ouvida, sem culpa.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de depressão pós-parto pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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