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Fernanda Ferro
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Síndrome da impostoraTema: Síndrome da impostora08 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Síndrome da impostora no trabalho: quando crescer assusta

Síndrome da impostora no trabalho: medo na promoção, silêncio nas reuniões, não pedir aumento, cargo novo que assusta. Veja como ela aparece e o que ajuda.


A síndrome da impostora no trabalho é quando, mesmo entregando bem e sendo reconhecida, você sente que não está à altura do cargo e que logo vão perceber isso. Ela costuma aparecer com mais força justamente nos momentos de crescimento: uma promoção, um cargo novo, uma reunião importante, a hora de pedir aumento. O que deveria ser uma conquista começa a parecer uma ameaça.

Parece contraditório, mas faz sentido. Quanto mais alto você sobe, mais exposta se sente. E se lá no fundo você acredita que chegou até aqui "por sorte", cada degrau novo aumenta o medo de ser descoberta.

Síndrome da impostora no trabalho: onde ela aparece

Vou passar por algumas situações que escuto com frequência. Talvez você se reconheça em uma ou várias.

Quando a promoção chega

Você recebe a notícia e, em vez de comemorar, sente um aperto. "Será que eles se enganaram?" "E se eu não der conta?" Nas primeiras semanas, você trabalha o dobro, fica até tarde, revisa tudo, tentando justificar uma escolha que não foi sua.

A promoção, que era pra ser um reconhecimento, vira uma prova que você precisa passar todo dia.

Nas reuniões

Você tem uma ideia, mas fica em dúvida se é boa. Espera o momento certo, formula e reformula a frase na cabeça, e quando finalmente decide falar, alguém já disse algo parecido. Ou você nem fala.

Quando fala, pede desculpas antes. "Talvez eu esteja errada, mas..." "Pode ser besteira...". É uma forma de se proteger: se a ideia for criticada, você já avisou.

Na hora de pedir aumento

Você sabe que o salário está abaixo do mercado. Sabe que entrega mais do que o combinado. Mas pedir aumento parece arrogante, como se você estivesse cobrando algo que não merece.

Então você espera. Espera que alguém perceba. E, enquanto isso, a sensação de que "se eu valesse mais, eles já teriam me dado" vai se fortalecendo.

Diante de uma vaga que você quer

A descrição da vaga tem dez requisitos. Você cumpre sete, talvez oito. E desiste, porque "não tenho tudo que eles pedem".

É muito comum que quem vive a síndrome da impostora só se sinta autorizada a tentar quando cumpre cem por cento do que foi pedido. Só que uma lista de requisitos costuma descrever um ideal, e não um filtro rígido. Quem decide se você serve pra vaga é quem seleciona, não a sua dúvida.

No cargo novo

Os primeiros meses num lugar novo são, pra qualquer pessoa, de aprendizado. Você ainda não sabe onde fica cada coisa, não conhece os processos, faz perguntas. Isso é natural.

Mas pra quem vive a síndrome da impostora, cada pergunta parece uma confissão de incompetência. Então você pergunta menos, tenta descobrir tudo sozinha, se cansa muito, e às vezes erra justamente por não ter perguntado.

Por que crescer assusta tanto

Sentir que você ainda não domina tudo num lugar novo não é sinal de que você não deveria estar ali. É sinal de que você está crescendo.

Ninguém chega num cargo novo sabendo tudo. A diferença é o que a gente conclui a partir desse desconforto. Se a leitura é "estou aprendendo", o desconforto é suportável. Se a leitura é "eu sou uma fraude", ele vira sofrimento.

Essa segunda leitura costuma ter raízes mais antigas. Às vezes vem de uma história em que o valor dependia do desempenho. Às vezes de um perfeccionismo que não aceita nada menos que impecável. Às vezes de ter sido, por muito tempo, a pessoa que não podia errar.

O custo de se sentir impostora no trabalho

Viver assim tem um preço, e ele nem sempre aparece de imediato:

  • Esgotamento. Trabalhar em dobro pra compensar uma suposta falta cansa. Com o tempo, pode virar exaustão.
  • Oportunidades perdidas. Vagas não disputadas, projetos recusados, aumentos não pedidos.
  • Ansiedade constante. A sensação de que algo ruim está pra acontecer, mesmo quando tudo vai bem.
  • Dificuldade de delegar. Porque se alguém fizer e der errado, vão perceber que você não dá conta. E se você fizer tudo, fica sobrecarregada.
  • Pouca satisfação. As conquistas não trazem alegria, só alívio passageiro.

Se você tem sentido isso com frequência, pode ser útil parar e organizar o que está acontecendo. Eu escrevi um teste de síndrome da impostora no trabalho e na vida, online e gratuito, com perguntas pensadas pra essas situações. É um espelho pra você se olhar com mais calma.

O que pode ajudar no dia a dia

Não existe fórmula, mas algumas práticas costumam aliviar:

  • Registrar o que você entrega. Um arquivo simples, com resultados, elogios, problemas que você resolveu. Na hora da dúvida, você tem fatos, não só sensação.
  • Tratar pergunta como parte do trabalho. Perguntar é como se aprende. Quem pergunta bem costuma aprender mais rápido.
  • Se candidatar mesmo sem cumprir tudo. Deixa a empresa decidir se você serve. Não tira essa decisão deles antes da hora.
  • Falar sem pedir desculpas. Experimenta apresentar uma ideia sem o "talvez eu esteja errada" na frente. Repara como soa.
  • Separar desconforto de incompetência. Sentir frio na barriga não é prova de nada, só de que é novo.

E, se o peso for grande, vale ter um espaço só seu pra olhar isso. Na terapia, a gente investiga com cuidado de onde veio essa exigência, e vai construindo uma confiança que não depende de acertar sempre. Se você é mulher e se reconhece nesse cenário, talvez também faça sentido ler sobre síndrome da impostora em mulheres.

Um recado pra você

Se você foi promovida, contratada, chamada pra um projeto, alguém olhou pro seu trabalho e decidiu que você era a pessoa certa. Não foi mágica, e raramente é engano.

Você pode estar aprendendo, pode ter dúvidas, pode errar. Nada disso te transforma numa impostora. Te transforma numa pessoa crescendo.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de síndrome da impostora pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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