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Fernanda Ferro
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EstresseTema: Estresse10 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Como aliviar o estresse no dia a dia sem virar mais uma tarefa

Como aliviar o estresse sem transformar o cuidado em mais uma obrigação? Pausas possíveis, limites, corpo e apoio, com o que é realista pra sua rotina.


Aliviar o estresse no dia a dia passa menos por grandes mudanças e mais por pequenas pausas possíveis, limites mais claros, atenção ao corpo e apoio de outras pessoas. Não existe técnica que elimine o estresse. Mas existem jeitos de dar ao seu corpo a chance de sair do modo alerta de vez em quando, e isso faz diferença.

O problema é que muita dica de "como controlar o estresse" vira mais uma obrigação. Meditar 20 minutos, fazer exercício todo dia, dormir 8 horas, cozinhar comida saudável, tomar sol, escrever um diário. Pra quem já está sobrecarregada, essa lista pode soar como mais uma cobrança.

Por isso, aqui vão caminhos que caibam na sua vida real.

Primeiro: entender de onde vem o seu estresse

Antes de pensar em como aliviar o estresse, vale perguntar o que está alimentando ele. Porque não adianta respirar fundo se a fonte continua jorrando.

Algumas perguntas que ajudam:

  • O que mais tem pesado ultimamente?
  • O que disso está sob o meu controle, pelo menos um pouco?
  • O que eu estou carregando que não deveria ser só meu?
  • Quando foi a última vez que eu me senti tranquila? O que estava diferente?

Às vezes, a resposta aponta pra algo concreto que dá pra mudar. Outras vezes, aponta pra algo que não muda tão cedo, e aí o cuidado é sobre como atravessar isso com menos desgaste.

Se você quer ter uma visão mais clara de como anda sua carga, pode fazer o teste de estresse online grátis que eu preparei. É um jeito de parar e se perceber, que já é um começo.

Pausas possíveis, não pausas ideais

A gente costuma pensar em descanso como algo grande: férias, fim de semana livre, um dia de spa. Esses momentos são ótimos, mas não resolvem o dia a dia.

O que costuma ajudar mais são micro pausas. Momentos curtos em que o corpo recebe o sinal de que pode baixar a guarda:

  • Terminar uma tarefa e não emendar na próxima. Levantar, beber água, olhar pela janela por um minuto.
  • Fazer uma refeição sem tela, mesmo que seja só uma por dia.
  • Chegar em casa e dar um tempo antes de "entrar em cena", nem que sejam cinco minutos no carro ou no banho.
  • Deixar o celular em outro cômodo por um tempo.

Não precisa fazer tudo. Escolhe uma. A que parecer mais fácil. O objetivo não é performar autocuidado, é criar brechas.

Como lidar com o estresse pelo corpo

O estresse mora muito no corpo, então às vezes o caminho mais rápido é por ele.

Respiração. Quando o alarme dispara, a respiração fica curta e alta. Soltar o ar devagar, mais demorado do que a inspiração, ajuda a mandar um sinal de calma pro sistema nervoso. Não precisa de aplicativo nem de técnica complicada. Só expirar com calma, algumas vezes.

Movimento. Não precisa ser academia. Caminhar um pouco, alongar o pescoço e os ombros, dançar uma música na cozinha. O movimento ajuda o corpo a "gastar" a energia que o estresse mobilizou.

Soltar a tensão. Repara agora: sua mandíbula está apertada? Seus ombros estão perto das orelhas? Só perceber e soltar já é um pequeno alívio. Dá pra fazer isso várias vezes ao dia.

Sono. Eu sei que é difícil dormir bem estressada. Mas pequenos rituais antes de deitar, como diminuir as luzes, largar o celular um pouco antes, anotar as pendências num papel pra tirar da cabeça, costumam ajudar.

Limites: talvez o ponto mais difícil

Muitas vezes, o estresse não vem de uma coisa só, mas de dizer sim pra tudo.

Colocar limites não é egoísmo. É reconhecer que sua energia tem fim. Alguns exemplos de limites pequenos que fazem diferença:

  • Não responder mensagem de trabalho depois de determinado horário.
  • Dizer "agora não consigo" em vez de "claro, pode deixar".
  • Dividir tarefas de casa de forma explícita, em vez de esperar que alguém perceba.
  • Não assumir o problema dos outros como se fosse seu.

Pra muitas mulheres, isso vem acompanhado de culpa. A sensação de que está decepcionando alguém. Essa culpa é compreensível, e ela merece ser olhada com cuidado, porque muitas vezes é ela que mantém a sobrecarga no lugar.

Apoio: você não precisa dar conta sozinha

Uma das coisas que mais aliviam o estresse é simplesmente não carregar tudo sozinha. Isso pode ser:

  • Conversar com alguém de confiança sobre o que está pesando.
  • Pedir ajuda prática: alguém que busque as crianças, que divida uma tarefa, que te substitua num compromisso.
  • Estar com pessoas com quem você não precisa fingir que está tudo bem.

E também pode ser buscar um espaço profissional. Em terapia, a gente olha pro estresse sem pressa e sem julgamento. Entende o que está por trás da sobrecarga, a forma como você se cobra, os limites que ficaram difíceis de colocar. E vai construindo, no seu ritmo, um jeito de viver que te caiba melhor. Sem fórmula pronta e sem promessa de que tudo vai sumir, mas com companhia.

O que costuma não ajudar

Algumas coisas costumam piorar, mesmo parecendo alívio:

  • Anestesiar com excesso de álcool, comida, compras ou tela. Alivia na hora, mas não resolve e às vezes aumenta o peso depois.
  • Adiar o descanso pra "quando tudo se resolver". Esse momento raramente chega.
  • Se cobrar por estar estressada. Transformar o estresse em mais uma falha pessoal só adiciona peso.

Se você sente que o estresse já virou rotina há muito tempo, eu falo sobre isso em estresse crônico: quando a pressão vira o clima de todos os dias.

Quando o alívio não chega

Se você já tentou várias coisas e o estresse continua atrapalhando seu sono, seu trabalho, suas relações ou sua saúde, é um sinal de que vale buscar ajuda profissional. Não porque você falhou, mas porque algumas cargas são pesadas demais pra carregar sozinha.

Se aparecerem sintomas físicos persistentes, converse também com um médico. E se em algum momento surgir desesperança, vontade de sumir ou pensamentos de se machucar, procure o CVV agora: 188, 24 horas, gratuito e sigiloso, ou cvv.org.br.


Aliviar o estresse não é mais uma tarefa pra você cumprir com perfeição. É uma forma de se tratar com um pouco mais de gentileza, do jeito que der, hoje.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

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