CID depressão maior: qual código corresponde (F32, F33, 6A70)
Depressão maior não é nome de CID: veja os códigos F32, F33 (CID-10) e 6A70, 6A71 (CID-11) e o que significam.
"Depressão maior" não existe como nome na CID. É o termo do DSM-5, o manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria. A CID, a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), usa outros nomes para o mesmo território: na CID-10, a versão que ainda aparece nos atestados no Brasil, o episódio depressivo maior costuma ser registrado em F32 (episódio depressivo) ou F33 (transtorno depressivo recorrente). Na CID-11, os equivalentes são 6A70 (episódio único) e 6A71 (recorrente).
Este texto explica quais códigos cobrem o que se chama de depressão maior, por que a correspondência não é de um para um, o que o CID significa num atestado ou laudo e qual é a diferença entre CID e diagnóstico. Ele não faz diagnóstico: o código é escolhido por quem avaliou você, olhando a sua história.
Por que a CID não fala em "depressão maior"
Dois sistemas convivem na saúde mental:
- DSM-5-TR, da Associação Americana de Psiquiatria. É nele que aparece o "transtorno depressivo maior", com episódio único ou recorrente. Pede cinco ou mais sintomas de uma lista de nove, presentes na mesma faixa de duas semanas, e pelo menos um deles precisa ser humor deprimido ou perda de interesse e de prazer.
- CID, da OMS. É a que vale para atestados, laudos, guias de convênio e estatísticas de saúde no Brasil. Ela não usa "maior": separa os quadros em episódio depressivo (F32) e transtorno depressivo recorrente (F33), e informa a intensidade no número depois do ponto.
"Maior" é, portanto, uma palavra de um manual, e o CID é o código de outro. Quem recebe o diagnóstico de depressão maior de um psiquiatra costuma ver no papel um código F32 ou F33.
Qual código corresponde à depressão maior
| O que o profissional descreve | CID-10 | CID-11 |
|---|---|---|
| Primeiro episódio, intensidade moderada | F32.1 | 6A70.1 ou 6A70.2 |
| Primeiro episódio, grave, sem sintomas psicóticos | F32.2 | 6A70.3 |
| Primeiro episódio, grave, com sintomas psicóticos | F32.3 | 6A70.4 |
| Episódios repetidos, episódio atual moderado | F33.1 | 6A71.1 ou 6A71.2 |
| Episódios repetidos, episódio atual grave sem sintomas psicóticos | F33.2 | 6A71.3 |
| Episódios repetidos, episódio atual grave com sintomas psicóticos | F33.3 | 6A71.4 |
| Episódios repetidos, atualmente em remissão | F33.4 | 6A71.6 ou 6A71.7 |
| Episódio depressivo sem detalhar a intensidade | F32.9 | 6A70.Z |
Nomes dos códigos conforme a CID-10 publicada pelo DATASUS; códigos conferidos nos navegadores da CID-10 (versão 2019) e da CID-11 (2025-01) da OMS. A tabela completa, com os subcódigos leves, está em CID da depressão.
Duas observações sobre essa correspondência:
- Ela é aproximada. "Depressão maior" no DSM-5 também inclui episódios de intensidade leve, e esses entram em F32.0 ou F33.0 na CID-10. A palavra "maior" não quer dizer, sozinha, que o quadro é grave.
- O código depende da história. F32 vale para um episódio único ou o primeiro, e F33 para quando já houve outros. Se em algum momento surgir um episódio de mania ou hipomania, o quadro sai do grupo da depressão e passa para o transtorno bipolar (F31). Por isso o código pode mudar ao longo do acompanhamento sem que ninguém tenha errado.
CID e diagnóstico não são a mesma coisa
O diagnóstico é o resultado de uma avaliação: conversa clínica, história de vida, tempo e intensidade dos sintomas, o que mais pode estar acontecendo. O CID é o código que resume esse diagnóstico numa sigla padronizada, para que serviços de saúde, convênios e estatísticas se entendam.
Isso tem consequências práticas:
- O código não conta a história. Duas pessoas com F32.1 podem ter causas, rotinas e necessidades muito diferentes.
- O código não diz quanto você sofre, quanto tempo o episódio vai durar nem qual tratamento serve para você.
- Não dá para chegar ao código sozinha, pesquisando sintomas. Quem escolhe é quem avaliou, e o código pode ser revisto.
Se você quer organizar o que está sentindo antes de procurar alguém, o teste de depressão usa o PHQ-9, um questionário de triagem. Ele não dá diagnóstico nem código: ajuda a ver se vale buscar uma avaliação.
O que o CID significa em atestado e laudo
No atestado. O CID não é obrigatório. Pela Resolução CFM nº 2.381/2024, o médico só coloca o diagnóstico com justa causa, por dever legal ou a pedido do paciente, e essa concordância fica escrita no atestado. Um atestado sem CID continua válido. O afastamento do trabalho, nessa resolução, é atestado de médicos e dentistas.
Psicóloga e CID. No atestado psicológico, a Resolução CFP nº 6/2019 permite informar o código quando for justificadamente necessário. Psicóloga não receita: medicação é com médico ou psiquiatra.
No laudo. O laudo costuma trazer o código junto da descrição do quadro e da avaliação feita. Quem decide mostrar o laudo a um empregador, um convênio ou uma escola é você: o diagnóstico é dado de saúde, protegido por sigilo, e só sai com a sua autorização ou por obrigação legal.
No trabalho. Um código de depressão no documento não é, por si só, motivo de demissão nem define o que você consegue fazer. O que importa é a avaliação funcional de cada caso, feita por quem acompanha você.
Qual versão da CID vale no Brasil
A CID-11 entrou em vigor na OMS em 1º de janeiro de 2022, e cada país faz a sua transição. No Brasil, segundo o Conselho Federal de Medicina, o Ministério da Saúde prevê a CID-11 nos sistemas de vigilância em saúde a partir de janeiro de 2027. Até lá, o código que você vê hoje num atestado, num exame ou numa guia é, quase sempre, o da CID-10: F32 ou F33.
Se você se reconhece nisso
Depressão tem tratamento, e o primeiro passo é uma avaliação com profissional de saúde. Se você quer entender melhor o que sente, leia sintomas de depressão e sinais de depressão. Para outro quadro que costuma gerar a mesma dúvida de código, veja o CID da ansiedade. Se quiser conversar com a Fernanda, agende aqui.
Perguntas frequentes
Qual é o CID da depressão maior?
A CID não tem "depressão maior". O episódio depressivo maior costuma ser registrado como F32 (episódio único) ou F33 (recorrente) na CID-10, e como 6A70 ou 6A71 na CID-11.
Depressão maior é F32 ou F33?
Depende da história. F32 é um episódio único ou o primeiro. F33 é quando já houve episódios depressivos antes.
Qual é o CID da depressão maior grave?
Na CID-10, F32.2 (grave sem sintomas psicóticos) ou F32.3 (com sintomas psicóticos) para um episódio único, e F33.2 ou F33.3 para o recorrente.
Depressão maior é a mesma coisa que depressão grave?
Não. "Maior" vem do DSM-5 e nomeia o tipo de transtorno, inclusive em intensidade leve. A gravidade é outra informação, registrada no número depois do ponto do código.
O CID precisa aparecer no meu atestado ou laudo?
No atestado, não: um atestado sem CID continua válido. No laudo o código costuma constar, e quem decide mostrá-lo a terceiros é você.
Psicóloga pode colocar CID?
Pode, no atestado psicológico, quando for justificadamente necessário, pela Resolução CFP nº 6/2019.
O meu código pode mudar?
Pode. Um F32 vira F33 se houver um novo episódio, e o diagnóstico é revisto se aparecerem sinais de outro quadro, como o transtorno bipolar.
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Referências
- Organização Mundial da Saúde. ICD-10 Version: 2019, categorias F32 e F33. icd.who.int/browse10/2019/en#/F32
- Organização Mundial da Saúde. ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics (2025-01), 6A70 e 6A71. icd.who.int/browse/2025-01/mms/en
- DATASUS. CID-10, capítulo V: transtornos do humor (F30-F39). datasus.gov.br
- American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR): transtornos depressivos.
- Conselho Federal de Medicina. (2024). Resolução CFM nº 2.381, de 20 de junho de 2024. Normas éticas para a emissão de documentos médicos (art. 5º). sistemas.cfm.org.br
- Conselho Federal de Psicologia. (2019). Resolução CFP nº 6, de 29 de março de 2019 (art. 10). satepsi.cfp.org.br
- Conselho Federal de Medicina. (2025). CID-11: Ministério da Saúde atualiza cronograma para utilização no Brasil. portal.cfm.org.br
Um código ajuda os sistemas de saúde a conversarem entre si. O que você está vivendo cabe numa conversa, não numa sigla.
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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999
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