Pular para o conteúdo
Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
Voltar pros textos
Síndrome da impostoraTema: Síndrome da impostora28 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Síndrome do impostor tem tratamento? Quando procurar terapia

Síndrome do impostor tem tratamento? Não é diagnóstico, mas pode trazer sofrimento. Veja quando procurar terapia e como a psicoterapia acolhe isso.


A síndrome do impostor não é um diagnóstico, então não existe um "tratamento" no sentido de remédio ou protocolo pra curar uma doença. O que existe é cuidado. A psicoterapia costuma ser um bom caminho quando essa sensação de ser uma fraude começa a trazer sofrimento, limitar escolhas ou vir junto de ansiedade e esgotamento. Em terapia, a pessoa tem espaço pra entender de onde vem essa voz crítica e construir, no próprio ritmo, uma relação mais gentil com as próprias conquistas.

Eu sei que a palavra "tratamento" aparece muito nas buscas. Faz sentido: quando algo dói, a gente quer saber o que fazer.

Síndrome do impostor tem tratamento ou tem cura?

O termo nasceu como "fenômeno do impostor", num estudo das psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, de 1978. Ele descreve uma experiência, não uma doença. Por isso não aparece como diagnóstico nos manuais de saúde mental.

Na prática, isso significa duas coisas.

A primeira é que você não está "doente" por se sentir assim. Não tem algo quebrado em você.

A segunda é que "cura" talvez não seja a melhor palavra. Não é como se um dia a sensação fosse desligada. O que costuma mudar, com o tempo e com cuidado, é o espaço que ela ocupa e o poder que ela tem sobre as suas decisões.

A síndrome do impostor pode aparecer junto com outras coisas que merecem atenção própria, como ansiedade, depressão ou esgotamento. Quando isso acontece, pode valer também uma avaliação com psiquiatra, que junto com a psicoterapia ajuda a entender se há algo além e qual cuidado faz sentido.

Quando procurar terapia para síndrome do impostor

Não existe uma régua exata. Mas alguns sinais costumam indicar que vale procurar ajuda:

  • Você recusa oportunidades que quer (uma vaga, um convite, um projeto) por medo de não dar conta ou de ser "descoberta".
  • A preparação virou exaustão. Você trabalha muito além do necessário e mesmo assim sente que não foi suficiente.
  • Você adia coisas importantes e depois vive a culpa e a correria.
  • A ansiedade antes de ser avaliada está alta, frequente, tirando o sono.
  • Nenhuma conquista te traz paz. Você passa de uma meta pra outra sem conseguir sentir que chegou em algum lugar.
  • Você se sente cansada o tempo todo, de um jeito que o descanso não resolve.
  • Essa sensação aparece em várias áreas da vida, não só no trabalho.

Se você se reconheceu em alguns desses, não significa que tenha "algo grave". Significa que você tem carregado um peso grande, e que não precisa carregar sozinha.

Se quiser um ponto de partida pra se observar, eu fiz um teste de síndrome da impostora com perguntas próprias. Ele pode te ajudar a nomear o que você sente antes de decidir se quer conversar com alguém.

Como a terapia acolhe a síndrome do impostor

Eu trabalho com a abordagem centrada na pessoa. Vou contar um pouco de como eu vejo esse processo.

Um lugar sem avaliação

Pra quem se sente impostora, a vida muitas vezes é uma prova contínua. Em todo lugar, alguém está avaliando.

A terapia tenta ser o contrário disso. Um espaço onde você não precisa se sair bem, não precisa dar a resposta certa, não precisa estar "melhorando" rápido. Isso parece simples, mas pra muita gente é a primeira vez que existe um lugar assim.

Escutar a voz crítica, em vez de brigar com ela

Em vez de tentar calar a voz que diz "você é uma fraude", a gente olha pra ela com curiosidade. De onde ela vem? Do que ela tenta te proteger? Quando ela ficou tão forte?

Muitas vezes essa voz tem raízes antigas, em rótulos da infância, em cobranças familiares, em ambientes em que errar custava caro. Eu escrevi mais sobre isso em causas da síndrome do impostor. Entender a origem costuma diminuir a culpa e abrir espaço pra outras formas de se ver.

Aproximar o que você vive do que você sente

Na abordagem centrada na pessoa, a gente fala muito sobre a distância entre a experiência real e a imagem que a pessoa tem de si. Quem se sente impostora vive essa distância de um jeito muito concreto: as coisas acontecem (você entrega, conquista, é reconhecida), mas a imagem interna continua dizendo "não sou capaz".

A terapia pode ajudar a aproximar essas duas coisas, devagar. Não convencendo você de que é incrível, mas criando condições pra que você mesma consiga perceber o que já fez, com os próprios olhos.

No seu ritmo

Não existe prazo. Tem gente que sente diferença em pouco tempo, tem gente que precisa de mais. Os dois caminhos são legítimos. O que eu posso oferecer é presença, escuta e respeito pelo seu tempo.

E se eu me sentir impostora até na terapia?

Acontece, e é mais comum do que parece. Sentir que "não está fazendo terapia direito", que "tem gente com problema de verdade", que "está ocupando o espaço de alguém que precisa mais".

Se isso aparecer, é material pra conversa, não motivo pra desistir. A sessão também é um lugar onde essa voz pode ser ouvida, e às vezes é justamente ali que ela mostra como funciona.

Quando é urgente

Se, junto com a sensação de ser uma fraude, aparecerem pensamentos de que nada faz sentido, vontade de sumir ou de se machucar, busque ajuda imediata. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br.


Procurar terapia não é admitir que você é uma fraude. É se dar o direito de não precisar provar nada por um tempo, e ver o que aparece quando isso acontece.

Esse texto pode ajudar alguém?Manda pra uma amiga

Continue se escutando

Se você se reconheceu nesse texto, o teste de síndrome da impostora pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Conversa sobre este texto

Se algo aqui te tocou, ou ficou uma dúvida, pode escrever. Eu leio tudo.

Deixe seu comentário

Não aparece no site. Só pra eu poder te escrever se precisar.

Aqui não é espaço de atendimento nem de diagnóstico. Em sofrimento intenso, ligue 188 (CVV).

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

Atendimento online · sigilo profissional garantido conforme Código de Ética do Psicólogo · Resolução CFP nº 9/2024.

Quer começar pelo se escutar?

Questionários breves de autoconhecimento: três minutos, sem custo. Eu criei pra você começar a olhar pra si.

Fazer o teste

Conversemos com calma.

Sessões de 50 minutos, online: R$ 210 avulsa ou R$ 180 no pacote mensal. O primeiro encontro é pra gente se conhecer e ver se faz sentido seguir.

Ou faz o teste de quem mora fora primeiro

Você preenche seus dados e a gente combina o horário direto pelo WhatsApp.

Mora fora do Brasil? Encontre seu país na lista de atendimento ou conheça a terapia online para brasileiras no exterior.

Uso cookies pra saber quais páginas ajudam de verdade. Nada do que você escreve aqui é vendido ou compartilhado. Como funciona