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Fernanda Ferro
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Negligência emocionalTema: Negligência emocional27 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Feridas emocionais da infância: quando procurar terapia

Feridas emocionais da infância e terapia: veja sinais de que vale procurar ajuda, o que esperar da abordagem centrada na pessoa e como dar o primeiro passo.


Feridas emocionais da infância são marcas deixadas por experiências em que a criança não recebeu o cuidado emocional de que precisava. E a terapia ajuda porque oferece, na vida adulta, um tipo de relação que talvez tenha faltado lá atrás: alguém que escuta com atenção, sem julgar, no seu tempo. Vale procurar ajuda quando os padrões que vieram dessa época começam a pesar no presente, no jeito como você se relaciona, trabalha, descansa ou se enxerga.

O que são feridas emocionais da infância

Não existe uma lista oficial. Uso a expressão pra falar de experiências que deixaram algum tipo de marca: sentir-se invisível, ter que ser forte cedo demais, ser criticada com frequência, crescer num ambiente imprevisível, não ter com quem dividir o que sentia.

Algumas dessas feridas vêm de coisas que aconteceram. Outras vêm do que não aconteceu, como na negligência emocional, quando ninguém percebia ou acolhia as emoções da criança. As duas formas podem deixar marcas, e nenhuma é "menos" que a outra.

Sinais de que vale procurar terapia para feridas da infância

Não precisa estar no fundo do poço pra buscar ajuda. Dá pra procurar em qualquer momento, inclusive quando as coisas parecem só um pouco fora do lugar. Alguns sinais de que talvez seja hora:

  • Padrões que se repetem. Relacionamentos que terminam do mesmo jeito, o mesmo tipo de conflito no trabalho, a mesma sensação voltando em fases diferentes da vida.
  • Dificuldade de reconhecer o que sente. Você percebe que está mal, mas não sabe dizer por quê, ou só percebe quando o corpo reclama.
  • Autocrítica pesada. Uma voz interna que cobra, compara e diminui o tempo todo.
  • Culpa por ter necessidades. Pedir ajuda, descansar ou dizer não parece errado.
  • Sensação de vazio ou desconexão que acompanha você há muito tempo.
  • Reações que parecem maiores que a situação. Algo pequeno dispara uma tristeza ou uma raiva que você mesma não entende.
  • A vida mudou e o passado voltou. Maternidade, perda de alguém, mudança de cidade, fim de relação. Momentos assim costumam reabrir coisas antigas.

Se você se reconheceu em alguns desses pontos, isso não diz que tem algo errado com você. Diz que talvez seja um bom momento pra se olhar com mais cuidado.

Um primeiro passo antes da terapia

Às vezes a gente sente que algo não vai bem, mas não consegue organizar o que é. Pra ajudar nisso, criei um teste de negligência emocional na infância, com perguntas que eu mesma escrevi sobre como era o acolhimento na sua casa e como você lida com as emoções hoje.

Serve como espelho, pra você colocar em palavras o que talvez esteja difuso.

Se quiser aprofundar antes, escrevi também sobre como lidar com a negligência emocional no dia a dia.

Como a terapia ajuda com feridas emocionais da infância

Cada abordagem tem seu jeito. Eu trabalho com a abordagem centrada na pessoa, desenvolvida pelo psicólogo Carl Rogers.

A ideia central é que a pessoa tem, dentro de si, recursos pra se compreender e crescer, desde que encontre um ambiente favorável. Esse ambiente se apoia em três atitudes da terapeuta:

  • Empatia. Tentar compreender o que você vive a partir do seu ponto de vista, e não do meu.
  • Aceitação incondicional. Receber o que você traz sem julgamento, sem precisar que você seja de um jeito ou de outro pra ser acolhida.
  • Autenticidade. Estar presente de verdade na relação, sem máscara profissional.

Pra quem carrega feridas da infância, especialmente de negligência emocional, essas três atitudes podem ter um efeito importante. Porque é justamente o que faltou: alguém que se interessasse pelo seu mundo interno, sem pressa e sem condição.

O que esperar das primeiras sessões

Muita gente chega com medo de ter que "contar tudo" logo de cara, ou de reviver coisas dolorosas sem estar pronta. Não é assim que eu trabalho.

Nas primeiras conversas, a gente se conhece. Você fala do que te trouxe, do que está pesando agora. Não tem roteiro obrigatório, não tem pergunta que você precise responder se não quiser. O passado costuma aparecer naturalmente, quando faz sentido, conectado com o que você vive hoje.

Também não tem prazo, porque cada história tem seu ritmo. Com o tempo, muitas pessoas começam a se entender melhor, a se tratar com mais gentileza e a perceber que têm mais escolhas do que imaginavam.

Terapia para feridas da infância não é culpar a família

Essa é uma preocupação comum. "Não quero ficar falando mal dos meus pais." E não precisa. O foco da terapia não é encontrar culpados, é compreender a sua experiência. Dá pra reconhecer o que faltou e, ao mesmo tempo, entender as limitações de quem cuidou de você.

Muitas vezes, inclusive, é olhando pra essa história com mais clareza que a pessoa consegue fazer as pazes com ela, do jeito que fizer sentido pra ela.

Quando buscar outro tipo de ajuda

A psicoterapia é um caminho, mas não é o único, e às vezes precisa caminhar junto com outros cuidados. Se você percebe sintomas como tristeza persistente por semanas, perda de interesse em quase tudo, mudanças fortes no sono ou no apetite, crises de ansiedade frequentes ou lembranças que invadem e paralisam, vale buscar também uma avaliação com psiquiatra.

E se em algum momento surgirem pensamentos de se machucar, vontade de desaparecer ou a sensação de que não dá mais, procure ajuda imediata. O CVV atende pelo 188, 24 horas, de graça e em sigilo, ou pelo site cvv.org.br. Em situação de risco, procure também o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).

Dar o primeiro passo no seu tempo

Não existe hora perfeita pra começar. Tem gente que procura terapia depois de anos pensando nisso, tem gente que decide numa semana difícil. As duas formas são válidas.

Atendo online, com a abordagem centrada na pessoa. Se sentir que faz sentido, a gente pode conversar e ver juntas se esse espaço é o que você está buscando agora.


Feridas da infância fazem parte da sua história, mas não precisam ser a única coisa que conta sobre quem você é.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de negligência emocional na infância pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

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