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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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DepressãoTema: Depressão06 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

TDPM: o que é o transtorno disfórico pré-menstrual e como tratar

TDPM é a forma mais intensa da TPM, com tristeza, irritação e ansiedade que tomam a semana antes da menstruação. Sintomas, diferença da TPM e tratamento.


TDPM, ou transtorno disfórico pré-menstrual, é um quadro em que a tristeza, a irritação, a ansiedade e as oscilações de humor da semana antes da menstruação ficam tão fortes que atrapalham o trabalho, as relações e a vida. Os sintomas têm data: começam na fase final do ciclo, aliviam poucos dias depois que a menstruação desce e quase somem na semana seguinte. Não é frescura nem falta de controle. É um quadro descrito nos manuais, com critérios e com tratamento.

Muita mulher passa anos ouvindo que "é só TPM". E passa anos sem entender por que, todo mês, vira uma pessoa que ela mesma não reconhece.

TDPM o que é, segundo o DSM-5-TR e a CID-11

O DSM-5-TR (APA, 2022) coloca o transtorno disfórico pré-menstrual dentro dos transtornos depressivos. Isso já diz muito: o centro do quadro é o humor, não a cólica.

Na CID-11, da Organização Mundial da Saúde, ele aparece com o código GA34.41, no capítulo das condições ginecológicas, e é referenciado também junto aos transtornos depressivos. As duas classificações reconhecem que é um quadro que mistura corpo e emoção.

O DSM-5-TR estima que, num período de 12 meses, algo entre 1,8% e 5,8% das pessoas que menstruam preenchem os critérios. É bem menos do que o número de mulheres com TPM, mas não é pouca gente.

Sintomas de TDPM: o que os critérios pedem

Explicando com as minhas palavras, o quadro exige um conjunto de pelo menos cinco sintomas na semana antes da menstruação, na maioria dos ciclos do último ano. Pelo menos um deles precisa ser de um destes quatro:

  • Humor que muda de repente, choro fácil, sensibilidade exagerada a rejeição.
  • Irritação ou raiva fortes, com mais conflito com as pessoas.
  • Tristeza profunda, sensação de desesperança, autocrítica pesada.
  • Ansiedade ou tensão, a sensação de estar no limite.

Os outros sintomas podem ser:

  • Perder o interesse pelas coisas de sempre.
  • Dificuldade de concentração.
  • Cansaço e falta de energia.
  • Mudança no apetite, vontade intensa de comer certos alimentos.
  • Dormir demais ou não conseguir dormir.
  • Sensação de estar sobrecarregada, sem controle.
  • Sintomas físicos, como seios doloridos, inchaço, dor nas articulações, ganho de peso.

Além disso, os sintomas precisam causar sofrimento ou prejuízo de verdade, e não podem ser só a piora de outro quadro que já existe o mês inteiro, como uma depressão ou um transtorno bipolar. Essa diferença é importante e eu escrevi sobre ela em bipolaridade em mulheres.

Diferença entre TPM e TDPM

A TPM é comum. Inchaço, irritação, vontade de doce, um pouco mais de choro. Incomoda, mas a vida segue.

No TDPM, a diferença é de tamanho. Algumas formas de perceber:

  • Na TPM, você fica mais irritada. No TDPM, você briga com quem ama e depois não entende o que aconteceu.
  • Na TPM, você fica mais sensível. No TDPM, aparece uma tristeza tão funda que parece que nada vai melhorar.
  • Na TPM, você trabalha meio sem vontade. No TDPM, você falta, cancela, se isola.
  • Nos dois, os sintomas melhoram quando a menstruação vem. Essa janela é a marca.

Tem um resumo dessa diferença no glossário, no verbete TPM e TDPM. E se você está vivendo isso agora, escrevi um texto mais curto e acolhedor pra esse momento: viro outra pessoa antes de menstruar.

Como saber se é TDPM: o registro de dois meses

Esse é o passo que mais faz diferença e o que menos gente conhece.

O diagnóstico de TDPM não se confirma pela lembrança. A memória mistura tudo: o mês difícil no trabalho, a briga do casal, a semana antes de menstruar. Por isso o DSM-5-TR pede registro diário dos sintomas, feito no dia, por pelo menos dois ciclos com sintomas. Até lá, o diagnóstico fica como provisório.

Um instrumento bastante usado pra isso é o DRSP, o Registro Diário da Gravidade dos Problemas (Endicott, Nee e Harrison, 2006). Mas você pode começar com algo simples:

  1. Anote todo dia, no celular ou num caderno, de 0 a 5: tristeza, irritação, ansiedade, oscilação de humor, cansaço, sono, apetite.
  2. Marque o dia em que a menstruação desce.
  3. Escreva uma linha sobre o dia: brigou, faltou, chorou, ficou bem.
  4. Faça isso por dois meses, sem pular os dias bons. Os dias bons são parte da prova.

No fim, leve esse registro pra consulta. Ele mostra se os sintomas se concentram mesmo na semana antes da menstruação ou se estão espalhados pelo mês, o que aponta pra outra coisa.

TDPM tem tratamento?

Tem, e costuma envolver mais de um profissional.

A diretriz do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas sobre transtornos pré-menstruais (ACOG, 2023) coloca como primeira linha os antidepressivos do grupo dos ISRS, que podem ser usados o mês inteiro ou só na fase final do ciclo, e cita também alguns anticoncepcionais hormonais e a terapia cognitivo-comportamental. Quem avalia e prescreve é ginecologista ou psiquiatra. Eu, como psicóloga, não prescrevo.

A psicoterapia entra em outro lugar, e ele importa. Muita mulher chega com o tratamento médico em dia e ainda carregando:

  • A culpa do que disse naquela semana.
  • O medo de perder o controle de novo no mês seguinte.
  • Relações desgastadas por anos de brigas que ninguém entendia.
  • A sensação de que existe uma "outra" dentro dela.

Na terapia, a gente olha pra isso. Também dá pra planejar: avisar quem convive, reduzir compromissos nos dias mais difíceis, combinar como pedir espaço sem romper com ninguém. Medicação e psicoterapia não competem. Muitas vezes funcionam melhor juntas.

Se quiser ter um retrato do seu humor agora, o teste de depressão (PHQ-9) é um rastreio validado. Não é diagnóstico e não separa TDPM de depressão, mas ajuda a levar alguma informação pra consulta.

Quando o TDPM fica perigoso

No TDPM, a desesperança pode ser intensa, e pensamentos de morte podem aparecer nessa semana, mesmo em quem não tem esses pensamentos no resto do mês. Isso merece cuidado imediato, não espera.

Se isso estiver acontecendo, o CVV atende no 188, 24 horas, de graça, ou pelo cvv.org.br. Em risco imediato, procure um pronto-socorro ou ligue 192.

Perguntas frequentes

TDPM tem cura?

TDPM é um quadro ligado ao ciclo hormonal, então costuma acompanhar a mulher enquanto ela menstrua e tende a parar na menopausa. Com tratamento, muita gente tem uma melhora grande dos sintomas. O objetivo é que aquela semana pare de mandar na sua vida.

Qual médico trata TDPM?

Ginecologista e psiquiatra são os dois que mais tratam. Vale levar o registro diário dos dois meses pra consulta. O psicólogo entra no acompanhamento emocional e nas relações.

TDPM é depressão?

O DSM-5-TR classifica o TDPM dentro dos transtornos depressivos, mas ele é diferente da depressão comum porque tem data: aparece antes da menstruação e some depois. Quando a tristeza fica o mês inteiro, a avaliação precisa olhar pra outras possibilidades.

Anticoncepcional ajuda no TDPM?

Alguns anticoncepcionais hormonais aparecem nas diretrizes como opção de tratamento, mas não todos, e nem toda mulher pode usar. É uma conversa pra ter com o ginecologista.

Dá pra ter TDPM sem sintomas físicos?

Dá. Os sintomas físicos são só uma parte da lista. O centro do quadro está no humor: irritação, tristeza, ansiedade e oscilação.

Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

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Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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