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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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RelacionamentosTema: Outros textos06 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Perdão: o que é, como perdoar alguém e como se perdoar

O que é perdão na psicologia, por que perdoar não é esquecer nem voltar, como perdoar alguém, como se perdoar e quando o perdão não precisa vir agora.


Perdão é o processo de, aos poucos, diminuir a raiva, o ressentimento e o desejo de vingança em relação a quem te machucou, mesmo sabendo que aquilo foi errado. É algo que acontece dentro de você. Não depende de a outra pessoa pedir desculpas, não exige esquecer e não obriga a voltar a conviver.

Perdoar é uma possibilidade, não uma obrigação. E costuma levar tempo.

O que é perdão, na psicologia

Na psicologia, perdão não é um ato de um dia, é um caminho. Você reconhece que foi ferida, sente a dor e a raiva, e com o tempo essa dor vai perdendo o poder de comandar seus pensamentos e suas reações.

Alguns pontos ajudam a entender:

  • O perdão é seu. A outra pessoa nem precisa saber.
  • Perdoar não apaga o erro. O que aconteceu continua sendo errado.
  • Perdão tem graus. Às vezes ele chega inteiro, às vezes chega até "não desejo mais mal", e já é muito.
  • Pode ir e voltar. Uma data, um encontro, uma lembrança, e a raiva volta. Isso não quer dizer que você falhou.

Perdoar não é esquecer, nem reconciliar

Essa é a confusão que mais trava as pessoas.

  • Perdoar não é esquecer. A memória fica. O que muda é o peso dela.
  • Perdoar não é reconciliar. Reconciliação é voltar a confiar e a conviver, e depende das duas pessoas e de mudança real de quem errou. Dá pra perdoar e manter distância.
  • Perdoar não é desculpar. Você não precisa achar que "não foi nada" ou que "ele não teve culpa".
  • Perdoar não é fingir. Engolir a raiva pra manter a paz não é perdão. É silêncio.

Como perdoar alguém

Não existe receita, mas alguns passos aparecem na maioria dos caminhos:

  1. Reconheça o que aconteceu. Dê nome ao que te machucou, sem diminuir. "Ele mentiu pra mim por anos."
  2. Sinta o que precisa sentir. Raiva, tristeza e decepção fazem parte. Pular essa etapa costuma deixar o perdão de fachada.
  3. Perceba o custo de carregar. Pergunte a você: o que esse ressentimento está me custando? Sono, paz, outras relações?
  4. Tente entender, sem justificar. Olhar pra história de quem te feriu pode ajudar a ver a pessoa por inteiro, com limites e falhas. Entender não é concordar.
  5. Decida o que você quer. Perdoar e manter perto? Perdoar e se afastar? Ainda não perdoar? Todas são possíveis.
  6. Dê tempo. Perdão de verdade costuma ser lento. Se forçar, ele vira cobrança.

Uma meta-análise de Nathaniel Wade e colegas, de 2014, reuniu 54 relatórios de pesquisa sobre terapias focadas em perdão. As pessoas que passaram por essas intervenções perdoaram mais do que as que não receberam tratamento, e também tiveram melhora em sintomas de depressão e ansiedade e na esperança. Intervenções mais longas e individuais tiveram resultados melhores. Os modelos mais estudados são os de Robert Enright e de Everett Worthington.

Como se perdoar

Às vezes quem precisa de perdão é você. Por algo que fez, que disse, que não fez, por uma escolha que machucou alguém ou você mesma.

O autoperdão foi muito menos estudado que o perdão ao outro, como apontaram os pesquisadores Hall e Fincham em 2005. Mesmo assim, alguns pontos aparecem com frequência:

  • Assuma o que foi seu. Autoperdão não é fingir que não foi nada. É reconhecer o erro.
  • Separe o que você fez de quem você é. "Eu errei" é diferente de "eu sou um erro". Falo disso no texto sobre culpa.
  • Repare o que der. Um pedido de desculpas, uma mudança de atitude, um cuidado. Quando não der pra reparar com a pessoa, dá pra fazer diferente daqui pra frente.
  • Olhe pra você de antes com o que você sabia na época. Muita gente se cobra por decisões tomadas com informações que só teve depois.
  • Fale de você como falaria de uma amiga. A crítica interna costuma ser bem mais dura do que você seria com qualquer outra pessoa.

Se a culpa não passa mesmo depois de reparar, se você revive o mesmo erro todo dia, pode haver outra coisa por trás, como uma depressão ou um trauma. Vale procurar ajuda.

Quando o perdão não precisa vir agora

Há situações em que a pressão pra perdoar machuca mais.

Em relacionamentos com violência, o perdão pode virar parte do ciclo. Um estudo de James McNulty, de 2011, acompanhou casais recém-casados por quatro anos. Nos casais em que a pessoa tendia a perdoar mais, a agressão psicológica e física do parceiro se manteve. Nos casais em que ela perdoava menos, a agressão diminuiu com o tempo. Perdoar não pode significar aceitar que continue.

Se você está numa relação em que é humilhada, controlada ou agredida, o primeiro cuidado é a sua segurança, não o perdão. Leia sobre os sinais de relacionamento abusivo e sobre gaslighting. No Brasil, o Ligue 180 atende mulheres em situação de violência, 24 horas e de graça. Em perigo imediato, ligue 190.

O mesmo vale pra feridas da infância. Ninguém é obrigado a perdoar pais que machucaram. Se esse é o seu caso, os textos sobre negligência emocional e pais tóxicos podem ajudar a organizar o que você sente.

Perdão na terapia

Na terapia comigo, na abordagem centrada na pessoa, eu não empurro ninguém pro perdão. A gente olha com calma pra dor, pra raiva e pro que você quer fazer com isso. Às vezes o perdão aparece no caminho. Às vezes o que aparece é paz sem perdão, e isso também tem valor.

Este texto não é diagnóstico. Se quiser entender os padrões que se repetem nas suas relações, o teste de relacionamentos pode ser um ponto de partida.

Perguntas frequentes

Perdoar é esquecer?

Não. A lembrança continua. Perdoar é a dor perder força, e não sumir da memória.

Preciso perdoar pra seguir em frente?

Não necessariamente. Muitas pessoas seguem em frente sem perdoar, porque conseguiram colocar a dor num lugar onde ela pesa menos. O perdão pode ajudar, mas não é a única saída.

Como perdoar uma traição?

Comece reconhecendo o tamanho da dor, sem pressa. Separe duas perguntas: você quer perdoar? Você quer continuar na relação? As respostas podem ser diferentes. Terapia de casal pode ajudar quando os dois querem tentar.

Como perdoar alguém que não pediu desculpas?

O perdão não depende do pedido do outro. Ele é um processo seu. Mas sem o reconhecimento da outra pessoa, costuma ser mais difícil, e é natural que leve mais tempo.

Como se perdoar por ter magoado alguém?

Reconheça o que você fez, repare o que for possível e cuide pra não repetir. Depois disso, ficar se punindo não ajuda ninguém, nem a pessoa que você magoou.

Perdoar faz bem pra saúde?

As pesquisas com terapias focadas em perdão mostram melhora em sintomas de depressão e ansiedade. Isso vale quando o perdão é escolhido, e não imposto.

Se estiver muito pesado

Se a dor vier junto com pensamentos de se machucar ou de não querer mais estar aqui, o CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Reuni outros contatos em ajuda agora.

Referências

  • Wade, N. G., Hoyt, W. T., Kidwell, J. E. & Worthington, E. L. (2014). Efficacy of psychotherapeutic interventions to promote forgiveness: A meta-analysis. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 82(1), 154-170. doi.org/10.1037/a0035268
  • Hall, J. H. & Fincham, F. D. (2005). Self-forgiveness: The stepchild of forgiveness research. Journal of Social and Clinical Psychology, 24(5), 621-637. doi.org/10.1521/jscp.2005.24.5.621
  • McNulty, J. K. (2011). The dark side of forgiveness: The tendency to forgive predicts continued psychological and physical aggression in marriage. Personality and Social Psychology Bulletin, 37(6), 770-783. doi.org/10.1177/0146167211407077

Perdoar é uma escolha que só você pode fazer, no seu tempo. Não perdoar agora também é uma resposta possível.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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