Pular para o conteúdo
Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
Voltar pros textos
SolidãoTema: Solidão06 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Me sinto sozinha mesmo acompanhada: por que isso acontece

Me sinto sozinha mesmo acompanhada: por que isso acontece? Veja a solidão no meio da família, dos amigos e do trabalho, e por que a qualidade do vínculo pesa.


Você se sente sozinha mesmo acompanhada porque solidão não é falta de gente por perto. É falta de conexão. Dá pra estar numa mesa cheia, num grupo de amigas, num casamento de muitos anos, e sentir que ninguém ali sabe de verdade o que se passa com você. Quando a presença das pessoas não vem junto com se sentir vista, a solidão aparece mesmo no meio de todo mundo.

Esse é um dos tipos de solidão mais confusos, porque ele não bate com a imagem que a gente tem de "pessoa sozinha". Por fora, está tudo certo. Por dentro, tem um vazio que você nem sabe explicar direito. E muitas vezes vem junto uma culpa: "como eu posso me sentir assim, se eu tenho tanta gente?".

Por que eu me sinto sozinha mesmo acompanhada

Porque o que alimenta a gente não é a quantidade de pessoas, é a qualidade do encontro. Algumas perguntas ajudam a enxergar isso:

  • Com quem você consegue ser você mesma, sem editar nada?
  • Quem sabe como você está de verdade, e não só o que você faz?
  • Quem pergunta de volta, quando você pergunta?
  • Com quem você pode ficar triste sem precisar se explicar?

Às vezes a gente olha pra essas perguntas e percebe que está cercada de gente, mas que quase todas as relações ficam num nível de superfície. A convivência existe, o afeto existe, mas falta intimidade. E intimidade é justamente o que faz a gente se sentir acompanhada.

Sozinha no meio da família

A família é um lugar onde a solidão acompanhada aparece bastante. Você está lá no almoço de domingo, participa, ajuda, conversa. Mas as conversas giram em torno das mesmas coisas, alguns assuntos não podem ser tocados, e o seu lado de dentro nunca entra na roda.

Tem famílias onde o afeto é mostrado com comida, com cuidado prático, com presença, mas não com palavras. Tem famílias onde você ocupa um papel fixo, a forte, a que resolve, a que não dá trabalho, e esse papel não deixa espaço pra você precisar de alguém. E tem famílias onde já houve feridas que nunca foram conversadas, e a distância ficou morando ali no meio.

Em todos esses casos, estar junto não é o mesmo que estar perto.

Sozinha no relacionamento

Dentro de um relacionamento, a solidão costuma doer de um jeito especial, porque a gente espera que ali seja o lugar onde ela não entra. Mas ela entra quando a conversa vira só logística, quando você sente que fala e não é escutada, quando os dois vivem vidas paralelas dentro da mesma casa.

Esse tema é tão comum que merece um texto só dele, e eu escrevo sobre isso em solidão no casamento.

Sozinha entre amigas e no trabalho

Nas amizades, a solidão acompanhada muitas vezes aparece quando você é sempre a que escuta. Você conhece a vida de todas, mas ninguém conhece a sua. Ou quando o grupo virou só mensagem, meme e encontro rápido, sem espaço pra conversa que aprofunda.

No trabalho, dá pra passar o dia inteiro cercada de gente e voltar pra casa sem ter tido nenhuma troca de verdade. Ambientes muito competitivos, ou onde você precisa manter uma imagem, deixam pouco espaço pra ser vista como pessoa.

Por que isso acontece com algumas mulheres mais do que com outras

Não é regra, mas eu vejo alguns caminhos que se repetem:

  • Aprender cedo a não dar trabalho. Quem cresceu achando que precisava ser forte, independente e boazinha pra ser amada muitas vezes aprendeu a esconder o que sente. Aí as pessoas até gostam de você, mas gostam de uma versão editada.
  • Ser a cuidadora de todo mundo. Quem cuida muito costuma ter dificuldade de ser cuidada. As relações ficam de mão única, e o vazio cresce do lado de quem dá.
  • Medo de ser demais. Medo de incomodar, de parecer carente, de ser rejeitada se mostrar o que sente. Esse medo protege, mas também isola.
  • Fases de mudança. Maternidade, separação, mudança de cidade, luto. Nessas fases, a gente muda por dentro e às vezes as relações não acompanham.

Nada disso é defeito. São jeitos de se proteger que fizeram sentido um dia, e que podem ser olhados com carinho hoje.

Solidão acompanhada tem a ver com depressão?

Não necessariamente. A solidão é um sentimento, não um diagnóstico. Mas quando ela dura muito tempo e vem junto com tristeza constante, perda de interesse pelas coisas, cansaço e desânimo, vale buscar uma avaliação com uma psicóloga ou um médico. As duas coisas podem se alimentar.

Se você quer entender melhor como anda a sua solidão, pode fazer o teste de solidão online que eu preparei. São perguntas simples, pra você colocar em palavras o que talvez esteja sentindo há tempo.

O que pode ajudar

Não existe uma saída rápida, mas alguns movimentos pequenos costumam fazer diferença:

  • Trocar quantidade por profundidade. Em vez de tentar ter mais gente, tentar ter uma conversa mais verdadeira com uma pessoa só.
  • Arriscar um pouco de vulnerabilidade. Contar algo que você normalmente guardaria. Não pra todo mundo, mas pra alguém que pareça seguro.
  • Perceber os papéis. Notar onde você está sempre no papel de quem cuida, de quem escuta, de quem resolve. E se perguntar se dá pra, às vezes, sair dele.
  • Ter um lugar pra você. A terapia pode ser esse lugar, onde você não precisa cuidar de ninguém e pode falar sem editar. E, com o tempo, entender por que você se sente longe mesmo estando perto.

Se estiver pesado demais

Se essa solidão vier junto com uma tristeza muito funda ou com pensamentos de se machucar, procure ajuda agora. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br.


Sentir-se sozinha mesmo acompanhada não quer dizer que você é ingrata ou que tem algo errado com você. Quer dizer que você precisa ser vista, e isso é humano.

Esse texto pode ajudar alguém?Manda pra uma amiga

Continue se escutando

Se você se reconheceu nesse texto, o teste de solidão pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Conversa sobre este texto

Se algo aqui te tocou, ou ficou uma dúvida, pode escrever. Eu leio tudo.

Deixe seu comentário

Não aparece no site. Só pra eu poder te escrever se precisar.

Aqui não é espaço de atendimento nem de diagnóstico. Em sofrimento intenso, ligue 188 (CVV).

Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

Se sentir que este espaço faz sentido pra você, podemos conversar com calma.

Atendimento online · sigilo profissional garantido conforme Código de Ética do Psicólogo · Resolução CFP nº 9/2024.

Quer começar pelo se escutar?

Questionários breves de autoconhecimento: três minutos, sem custo. Eu criei pra você começar a olhar pra si.

Fazer o teste

Conversemos com calma.

Sessões de 50 minutos, online: R$ 210 avulsa ou R$ 180 no pacote mensal. O primeiro encontro é pra gente se conhecer e ver se faz sentido seguir.

Ou faz o teste de quem mora fora primeiro

Você preenche seus dados e a gente combina o horário direto pelo WhatsApp.

Mora fora do Brasil? Nos Estados Unidos, veja a página da psicóloga brasileira nos EUA. Em outro país, encontre seu país na lista de atendimento ou conheça a terapia online para brasileiros no exterior.

Uso cookies pra saber quais páginas ajudam de verdade. Nada do que você escreve aqui é vendido ou compartilhado. Como funciona