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Fernanda Ferro
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LutoTema: Luto13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Como lidar com o luto: cuidados possíveis nos dias mais pesados

Como lidar com o luto sem se cobrar superação: cuidados simples com o corpo, rituais de despedida, pedir ajuda e dar espaço pra saudade nos dias mais pesados.


Não existe um jeito certo de lidar com o luto, e não existe um jeito de pular a dor. O que existe são cuidados possíveis: comer e dormir do jeito que der, ter com quem falar, criar pequenos rituais pra quem se foi e deixar a saudade existir sem se cobrar "já devia estar melhor". Lidar com o luto não é superar a perda. É aprender, devagar, a carregar essa ausência.

Muita mulher me pergunta como faz pra "passar logo". E eu entendo a pergunta. Quando dói tanto, a gente quer uma saída. Só que o luto não é um problema a ser resolvido, é uma resposta ao amor que continua existindo, agora sem endereço.

Como lidar com o luto nos primeiros dias

Os primeiros dias costumam ser estranhos. Tem gente que sente tudo de uma vez. Tem gente que não sente quase nada, como se estivesse anestesiada, e se culpa por isso. As duas coisas são reações comuns a uma perda.

Nesse começo, o cuidado é bem básico:

  • Coma alguma coisa, mesmo sem fome. Não precisa ser uma refeição completa. Uma fruta, um pão, um caldo.
  • Beba água. Chorar muito e esquecer de beber é uma combinação que deixa o corpo ainda mais pesado.
  • Descanse quando conseguir. O sono pode ficar bagunçado. Deitar no escuro, mesmo sem dormir, já é descanso.
  • Deixe alguém cuidar das tarefas práticas que puder delegar: ligações, papelada, comida da semana.

Parece pouco, eu sei. Mas o luto mexe com o corpo inteiro, não só com a cabeça. Cuidar do corpo nos dias mais pesados é uma forma de se sustentar enquanto o resto não faz sentido.

Não existe prazo pra dor

Uma das coisas que mais pesa em quem está de luto é a cobrança, de fora e de dentro. "Já faz três meses." "Você precisa reagir." "Ela não ia querer te ver assim."

O luto não segue calendário. Tem dias bons no meio de semanas difíceis, e tem dias péssimos depois de um tempo em que tudo parecia mais leve. Datas como aniversários, Natal, Dia das Mães, o dia da morte, costumam reabrir a ferida. Isso não quer dizer que você voltou pra estaca zero.

Se você quiser entender melhor o ritmo desse processo, escrevi sobre quanto tempo dura o luto e por que essa pergunta não tem uma resposta única.

Formas de lidar com a perda de alguém no dia a dia

Com o passar das semanas, a vida volta a pedir coisas: trabalho, casa, filhos, contas. É aí que muita gente percebe que a dor não foi embora só porque a rotina voltou.

Algumas coisas que costumam ajudar:

Falar sobre quem se foi. Dizer o nome, contar histórias, lembrar manias. Muita gente em volta evita tocar no assunto por medo de "fazer sofrer". Se pra você faz bem falar, vale dizer isso pras pessoas próximas: "pode falar dela comigo".

Escrever. Uma carta pra pessoa, um caderno de lembranças, anotações soltas do que você sente. Escrever dá forma ao que está embolado por dentro.

Mexer nas coisas no seu tempo. Roupas, quarto, objetos. Não tem prazo pra esvaziar um armário. Tem quem precise fazer isso logo e tem quem precise de meses. As duas escolhas são legítimas.

Aceitar os altos e baixos. Rir de alguma coisa e depois se sentir culpada é muito comum. Sentir alívio, quando a pessoa sofreu muito antes de morrer, também. Sentimentos contraditórios fazem parte.

Rituais que ajudam a se despedir

Velório e enterro são rituais importantes, mas nem sempre dão conta de tudo. Às vezes a despedida foi corrida, às vezes você nem conseguiu estar presente.

Criar os seus próprios rituais pode ajudar a dar um lugar pra essa ausência:

  • Acender uma vela em datas importantes.
  • Cozinhar a receita que a pessoa fazia.
  • Plantar alguma coisa.
  • Montar um cantinho com fotos.
  • Visitar um lugar que era de vocês.

Não tem ritual certo. Tem o que faz sentido pra você e pra relação que vocês tinham. O objetivo não é "encerrar", é honrar o vínculo.

Pedir ajuda também é um jeito de lidar com o luto

Muitas mulheres chegam até mim acostumadas a segurar tudo. Cuidam da família no luto, organizam o velório, acolhem os outros, e ficam sem espaço pra própria dor.

Pedir ajuda pode ser coisa pequena: pedir pra alguém buscar as crianças, pedir companhia num domingo difícil, pedir pra uma amiga ligar de vez em quando. Não precisa esperar estar "muito mal" pra aceitar apoio.

E às vezes o apoio de amigos e família não é suficiente, ou não está disponível. Grupos de apoio ao luto, a escuta de uma psicóloga, conversar com alguém da sua fé, se isso fizer parte da sua vida, são caminhos possíveis.

Quando o luto pede um olhar mais atento

O luto dói, e a dor em si não é sinal de que algo está errado. Mas tem situações em que vale buscar uma avaliação com uma profissional:

  • Quando, depois de muitos meses, a vida continua completamente parada.
  • Quando você não consegue falar da perda de jeito nenhum, ou só consegue pensar nela.
  • Quando aparece uma culpa que não dá trégua.
  • Quando o sono, a alimentação ou o trabalho ficam muito prejudicados por muito tempo.
  • Quando surgem pensamentos de que não vale a pena continuar.

Se você quiser olhar pra como tem se sentido com um pouco mais de calma, preparei um teste de luto online e gratuito, com perguntas que eu mesma escrevi. É um jeito de organizar o que você está vivendo e perceber se vale procurar apoio.

Se a dor ficar insuportável

Se em algum momento você sentir vontade de morrer, de desaparecer ou de se machucar, por favor, não fique sozinha com isso. O CVV atende 24 horas por dia, de graça e em sigilo, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).

O que eu gostaria que você levasse daqui

Lidar com o luto não é voltar a ser quem você era antes. Uma perda importante muda a gente. O que costuma acontecer, com tempo e com apoio, é que a dor deixa de ocupar todo o espaço. A saudade continua, mas passa a caber junto com outras coisas da vida.

Você não precisa fazer isso bonito, nem rápido, nem sozinha. Nos dias mais pesados, basta o próximo passo pequeno: um copo de água, uma mensagem pra alguém, uma noite de descanso possível.


Este texto é informativo. Não é diagnóstico e não substitui uma avaliação profissional.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

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