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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Camuflagem autistaTema: Camuflagem autista02 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

CAT-Q: como funciona o teste de camuflagem autista

A CAT-Q é o questionário científico mais usado pra medir camuflagem autista (masking). Veja o que ela mede, como é a pontuação e o que ela não consegue dizer.


A CAT-Q (Camouflaging Autistic Traits Questionnaire) é um questionário de 25 frases criado pra medir camuflagem social: o esforço de esconder ou compensar traços autistas nas interações. Ela foi publicada em 2019 por Laura Hull, William Mandy, Meng-Chuan Lai e colegas, e hoje é o instrumento mais usado em pesquisa sobre masking. A CAT-Q mede camuflagem, não autismo. Uma pontuação alta não quer dizer que você é autista, e uma baixa não quer dizer que não é.

De onde a CAT-Q veio

Antes de existir um questionário, a camuflagem foi estudada a partir de relatos. Em 2017, a mesma equipe entrevistou 92 adultos autistas sobre como, por que e com que custo eles se adaptavam socialmente (Hull et al., 2017). Dessas falas saíram as frases que viraram a CAT-Q.

Depois, o questionário foi respondido online por 354 adultos autistas e 478 não autistas (Hull et al., 2019). A análise mostrou uma estrutura em três partes, boa consistência interna e uma estabilidade razoável quando as mesmas pessoas responderam de novo, semanas depois.

As três partes da CAT-Q

As 25 frases se dividem em três grupos:

  • Compensação (9 frases): estratégias pra dar conta do que não vem natural. Estudar como as pessoas se comportam, ensaiar o que vai dizer, observar a linguagem corporal dos outros pra saber como reagir.
  • Mascaramento (8 frases): controlar o que você mostra. Vigiar a própria expressão, ajustar a postura, esconder o que sente pra parecer relaxada ou interessada.
  • Assimilação (8 frases): tentar se misturar ao grupo. A sensação de atuar, de não ser você mesma nas interações, de precisar de um esforço grande pra estar com gente.

Cada frase é respondida numa escala de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). Algumas frases são invertidas, então a conta desfaz a inversão. O total vai de 25 a 175.

Existe nota de corte na CAT-Q?

Não. O artigo original não definiu ponto de corte, e até hoje a literatura não tem um valor validado que separe "camufla" de "não camufla". Você pode encontrar na internet a ideia de que "100 ou mais" indicaria camuflagem, mas esse número não vem do estudo de validação.

O que existe são as médias de cada grupo no estudo de 2019. Adultos não autistas ficaram, em média, perto de 87 pontos. Adultos autistas, perto de 120. As duas faixas se sobrepõem bastante: tem gente não autista com pontuação alta e gente autista com pontuação baixa. Por isso o resultado serve pra comparação e reflexão, não pra classificar ninguém.

O que a CAT-Q não consegue medir

Toda escala tem limites, e os da CAT-Q são bem discutidos na própria pesquisa.

Ela mede o esforço que você percebe, não o resultado. Uma pessoa pode se esforçar muito e ainda assim ser vista como "diferente". Outra pode camuflar tão no automático que nem percebe e responde que não faz nada disso. Uma revisão sistemática de 2021 apontou justamente que os métodos atuais captam coisas relacionadas, mas não idênticas: o comportamento visível e o esforço que a pessoa sente que faz (Cook et al., 2021).

Ela não separa camuflagem autista de outras adaptações. Ansiedade social, trauma e uma criação muito rígida também levam alguém a vigiar o próprio comportamento. O pesquisador Zachary Williams discutiu esse limite de validade num comentário de 2021 (Williams, 2021).

Ela não diagnostica. Diagnóstico de autismo é feito por psiquiatra ou equipe especializada, com história de vida, entrevista e, muitas vezes, avaliação neuropsicológica.

A CAT-Q tem versão brasileira?

Existe uma adaptação brasileira estudada numa dissertação de mestrado da Universidade Federal de Juiz de Fora, com 384 adultos autistas (Laurentino, 2025). A versão final dessa pesquisa ficou com 20 frases. O texto desses itens não está em acesso aberto, então o teste deste site usa as 25 frases originais, traduzidas do inglês.

Como usar o resultado a seu favor

O jeito mais útil de olhar pra CAT-Q não é pelo número, e sim pelas frases em que você concordou com força. Elas mostram onde você gasta energia:

  • Se pesou mais em compensação, talvez você passe o dia estudando o mundo social.
  • Se pesou em mascaramento, talvez o esforço esteja em esconder o que sente e o que o corpo pede.
  • Se pesou em assimilação, talvez a marca seja a sensação de estar sempre atuando.

Essa leitura ajuda a entender cansaços que antes não tinham explicação. Escrevi sobre o que é a camuflagem e quanto ela custa em camuflagem no autismo.

Fazer o teste

O teste de camuflagem autista tem as 25 frases da CAT-Q e leva uns 5 minutos. O resultado mostra o total, as três partes e onde você fica em relação às médias do estudo original. Se a pergunta que está por trás for "será que eu sou autista?", o teste de autismo em adultos, com as 14 perguntas do RAADS-14, é o passo que olha pra isso de forma mais direta.

Nenhum dos dois substitui uma avaliação. Os dois podem ajudar você a chegar numa consulta sabendo melhor o que quer perguntar.

Se o cansaço de se adaptar estiver pesado a ponto de trazer pensamentos de se machucar, o CVV atende 24h pelo 188 ou em cvv.org.br, de graça e em sigilo.


Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional. Nenhum teste online faz diagnóstico.

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Se você se reconheceu nesse texto, o teste de camuflagem autista (CAT-Q) pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

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Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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