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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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Camuflagem autistaTema: Camuflagem autista05 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Autismo em mulheres e camuflagem: o que a pesquisa encontrou

Estudos mostram que mulheres autistas relatam mais camuflagem que homens autistas. Veja o que se sabe, o que ainda é incerto e por que isso atrasa o diagnóstico.


A pesquisa mostra, de forma bem consistente, que mulheres autistas relatam mais camuflagem do que homens autistas. Entre pessoas não autistas, essa diferença entre gêneros não aparece. Isso ajuda a explicar por que o autismo em mulheres tende a ser identificado mais tarde. Ao mesmo tempo, camuflar não é "coisa de mulher": homens e pessoas não binárias autistas também camuflam, e o que muda é a média, não a regra.

O que os estudos encontraram

Uma diferença que aparece só entre autistas. Num estudo com 306 adultos autistas e 472 não autistas, mulheres autistas pontuaram mais que homens autistas na CAT-Q, o questionário de camuflagem. Entre os não autistas, homens e mulheres pontuaram parecido (Hull et al., 2020). As diferenças apareceram nas partes de mascaramento (esconder o que sente e o que o corpo faz) e assimilação (tentar se misturar, sensação de atuar). Na parte de compensação, não.

Uma distância maior entre o por fora e o por dentro. Outro estudo comparou 60 homens e mulheres autistas e mediu a diferença entre o comportamento observado numa avaliação e os traços relatados pela própria pessoa. Em média, as mulheres tinham uma distância maior, ou seja, pareciam menos autistas por fora do que se descreviam por dentro (Lai et al., 2017).

Motivos um pouco diferentes. Num levantamento com 262 pessoas autistas, mulheres citaram mais os motivos "convencionais" pra camuflar, como dar conta de ambientes formais e do trabalho (Cage e Troxell-Whitman, 2019).

O que ainda não está fechado

Uma revisão sistemática de 29 estudos concluiu que existem diferenças de sexo e gênero na camuflagem, mas também apontou limites: amostras pouco diversas, muita gente recrutada pela internet, formas diferentes de medir (Cook et al., 2021).

Então dá pra dizer com segurança que a diferença aparece nos estudos. Ainda não dá pra dizer o quanto ela vem de pressão social, de diferenças na apresentação do autismo ou do fato de que as mulheres que chegam às pesquisas já são, em parte, as que foram diagnosticadas apesar da camuflagem.

Por que isso atrasa o diagnóstico

Uma metanálise de 54 estudos estimou a proporção de meninos pra meninas no autismo em torno de 4 pra 1 no geral. Mas, nos estudos que rastrearam a população inteira, e não só quem já tinha diagnóstico, a proporção caiu pra perto de 3 pra 1. Os autores levantam a hipótese de que parte das meninas que preenchem critério não está sendo identificada (Loomes, Hull e Mandy, 2017).

Quando a camuflagem funciona, a avaliação curta vê pouca coisa. A pessoa olha nos olhos, conversa, faz piada, tem amigas. O esforço fica escondido, e o que aparece é o efeito colateral: ansiedade, depressão, exaustão, às vezes um transtorno alimentar. Muitas vezes esses diagnósticos chegam antes, e o autismo fica de fora por anos.

Num estudo com 14 mulheres diagnosticadas no fim da adolescência ou na vida adulta, a expressão que se repetiu foi fingir ser normal (Bargiela, Steward e Mandy, 2016). Elas contaram de profissionais que descartaram o autismo por causa desse "desempenho" social.

O custo da camuflagem nas mulheres com traços autistas

Um estudo com 58 mulheres com traços autistas, a maioria sem diagnóstico formal, encontrou que camuflar mais estava associado a mais sofrimento: depressão, ansiedade e estresse. Entre as que camuflavam acima da média, a camuflagem também se associou a pensamentos de suicídio e dificuldade de funcionar no dia a dia (Beck et al., 2020). O título do artigo resume bem: parecer bem, se sentir mal.

Isso não quer dizer que toda mulher que camufla vai adoecer. Quer dizer que o esforço invisível merece ser levado a sério, inclusive por quem avalia.

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Este texto é informativo e não substitui avaliação profissional. Não é diagnóstico.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fernanda Pessoa Ferro - Psicóloga Clínica

Fernanda, em Brasília

Fernanda Pessoa Ferro

Psicóloga Clínica · CRP 01/30999


Oi, eu me chamo Fernanda, sou psicóloga clínica. Pra mim o cuidado começa pela escuta. Cada pessoa chega à terapia com uma história que é só dela, e o que eu ofereço é um espaço seguro, onde você pode falar de você sem medo de ser julgada.

Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

Trabalho de um jeito congruente e empático, respeitando o tempo que cada processo pede. Não uso respostas prontas nem fórmulas: o caminho a gente constrói junto, a partir do que você viveu.

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