Pular para o conteúdo
Fernanda Ferro
Voltar pros textos
AnedoniaTema: Anedonia13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Anedonia em mulheres: sobrecarga, maternidade e o prazer que some

Anedonia em mulheres costuma se esconder atrás da sobrecarga, da maternidade e da perimenopausa. Entenda por que o prazer some e quando vale olhar com cuidado.


Anedonia em mulheres é a perda ou diminuição da capacidade de sentir prazer, interesse ou alegria nas coisas, e ela costuma aparecer misturada com sobrecarga, maternidade e mudanças hormonais. Muitas vezes nem é percebida como sintoma. Parece só "cansaço", "fase", ou aquele jeito de ser de quem cuida de todo mundo e deixa a si mesma por último.

Uma frase que escuto com frequência, de formas diferentes, é esta: "eu não lembro a última vez que fiz alguma coisa só porque eu gostava".

Esse texto é pra ajudar você a perceber se o prazer foi sumindo aos poucos da sua vida sem que ninguém, nem você, notasse.

O que é anedonia, em poucas palavras

Anedonia é quando as coisas que antes davam gosto deixam de dar. A comida fica sem graça, o encontro com a amiga vira obrigação, a série favorita não prende mais, o carinho não aquece.

Ela pode aparecer de dois jeitos que andam juntos:

  • Falta de vontade de buscar o que antes você queria (o "nem vou, não tô a fim").
  • Falta de prazer na hora de viver aquilo (você vai, mas não sente quase nada).

A anedonia é um dos sinais centrais da depressão, mas também pode aparecer no esgotamento, no luto, em quadros de ansiedade e em outras situações. Por isso ela é um sinal a ser olhado, não um diagnóstico por si só.

Por que a anedonia em mulheres passa despercebida

Tem uma razão bem concreta: muitas mulheres aprenderam que o próprio prazer é o último item da lista. Primeiro o trabalho, a casa, os filhos, os pais que estão envelhecendo, o parceiro ou a parceira, a amiga que precisa de apoio. Depois, se sobrar tempo e energia, você.

Só que quase nunca sobra.

E quando o prazer já está no fim da fila há anos, fica difícil perceber que ele sumiu de vez. Você não nota a diferença entre "não tenho tempo pra gostar das coisas" e "não consigo mais gostar das coisas". As duas coisas se confundem.

A carga mental que ninguém vê

Carga mental é aquele trabalho invisível de lembrar, planejar e antecipar tudo: a vacina da criança, o presente de aniversário, o que falta na geladeira, a conta que vence, a reunião da escola.

Quando a cabeça fica o dia inteiro ocupada gerenciando a vida de todo mundo, não sobra espaço pra estar presente em um momento bom. Você está no parque com os filhos, mas pensando no jantar. Está no cinema, mas lembrando do e-mail que não respondeu.

Com o tempo, isso pode ir desligando a capacidade de aproveitar. Não é falta de amor pela vida. É um sistema sobrecarregado.

Anedonia na maternidade e no pós-parto

A maternidade tem uma pressão muito particular: a expectativa de que você esteja plena, grata e feliz o tempo todo. Quando o que aparece é um vazio, vem junto uma culpa enorme.

Nos primeiros dias depois do parto, é comum ter uma oscilação de humor mais passageira, o chamado baby blues, que tende a melhorar sozinho em poucas semanas. Mas quando a falta de prazer, a tristeza ou a sensação de desconexão com o bebê e com a vida se arrastam por mais tempo, ou pesam muito, vale conversar com a obstetra, com uma psiquiatra e com uma psicóloga. A depressão pós-parto existe, é tratável, e não tem nada a ver com ser "mãe ruim".

Mesmo fora do pós-parto, a maternidade pode ir apagando outras partes de você. A mulher que dançava, que lia, que saía com as amigas, que tinha opinião sobre música. Às vezes o prazer não sumiu por um quadro clínico. Ele sumiu porque não teve mais lugar pra existir. E isso também merece cuidado.

Perimenopausa e mudanças hormonais

A perimenopausa é a fase de transição antes da menopausa, e ela pode começar anos antes da última menstruação. Nesse período, as oscilações hormonais podem mexer com sono, humor, energia e libido.

Muitas mulheres chegam dizendo que não se reconhecem: mais irritadas, mais cansadas, sem vontade de nada, sem saber por quê. Parte disso pode ter relação com o corpo, e por isso é importante incluir a ginecologista na conversa. Parte pode ter a ver com tudo o que costuma acontecer nessa fase da vida: filhos saindo de casa, pais adoecendo, balanço de carreira, mudanças no relacionamento.

Não precisa escolher entre "é hormônio" ou "é emocional". Normalmente é os dois, conversando entre si.

Sinais de anedonia em mulheres pra prestar atenção

Alguns sinais que aparecem muito no consultório:

  • Você faz as coisas no automático, sem sentir se gosta ou não.
  • Os momentos de descanso não descansam. Você para, mas não relaxa.
  • Encontrar pessoas virou obrigação, e você cancela com alívio.
  • O desejo sexual e o carinho esfriaram sem motivo claro.
  • Você não sabe responder o que te faz feliz hoje.
  • Até coisas boas (uma viagem, um elogio, uma conquista) chegam meio sem cor.

Um sinal isolado num dia difícil não quer dizer muita coisa. O que chama atenção é quando vários aparecem juntos e duram semanas.

Se quiser um jeito organizado de olhar pra isso, preparei um teste de anedonia online e gratuito com perguntas pensadas pra essa realidade. É uma forma de você se escutar com um pouco mais de clareza.

O hábito de colocar o próprio prazer por último

Muitas mulheres não perderam só o prazer. Perderam a permissão pra ter prazer. Sentir vontade de ficar sozinha parece egoísmo. Gastar tempo com um hobby parece desperdício. Descansar parece preguiça.

Essa voz interna que cobra o tempo todo vai empurrando o prazer pra fora da rotina. E aí, quando a vida finalmente dá uma brecha, você já não sabe o que fazer com ela.

Na terapia, a gente não começa impondo "autocuidado" como mais uma tarefa da lista. Começa olhando com gentileza pra essa cobrança: de onde ela veio, o que ela protege, o que ela custa. Às vezes, só reconhecer que você também merece gostar das coisas já abre uma fresta.

Anedonia em mulheres tem tratamento?

Tem caminhos, sim. E eles dependem do que está por trás da falta de prazer.

Se a anedonia vem junto com tristeza persistente, alterações de sono e apetite, culpa intensa ou sensação de que nada faz sentido, vale uma avaliação com psiquiatra, porque pode se tratar de depressão e existem tratamentos para isso. Se há suspeita hormonal, a ginecologista entra. E a psicoterapia é o espaço pra entender a sua história, a sua sobrecarga e o jeito como você foi se afastando de si.

Escrevi com mais detalhe sobre isso em quando procurar psicóloga ou psiquiatra.

Se o vazio estiver pesado demais

Se a falta de prazer vier acompanhada de pensamentos de se machucar, de sumir ou de que não vale a pena continuar, por favor, não espere. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192.


Você não precisa merecer o prazer. Ele não é prêmio por ter dado conta de tudo. Ele faz parte de estar viva, e é possível ir recuperando esse lugar com cuidado e sem pressa.

Esse texto pode ajudar alguém?Manda pra uma amiga

Continue se escutando

Se você se reconheceu nesse texto, o teste de anedonia pode te ajudar a olhar pra isso com calma. É gratuito e leva poucos minutos.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Conversa sobre este texto

Se algo aqui te tocou, ou ficou uma dúvida, pode escrever. Eu leio tudo.

Deixe seu comentário

Não aparece no site. Só pra eu poder te escrever se precisar.

Aqui não é espaço de atendimento nem de diagnóstico. Em sofrimento intenso, ligue 188 (CVV).

Oi, eu sou a Fernanda.

Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.

Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

Retrato de Fernanda Pessoa Ferro em um jardim

O que te trouxe até aqui?

Às vezes é difícil dar nome. Escolha um assunto e comece por um questionário de autoconhecimento.

Explorar todos os testes

Sem custo. Os resultados convidam à reflexão e não são um diagnóstico.

Conversemos com calma.

Terapia online em português.