Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Atendimento online · brasileiras que moram fora

Mudei de país e engordei. O que o meu corpo estava tentando resolver?

A saudade apertou e você foi pra cozinha. Fez isso muitas vezes. E agora carrega, além do resto, o julgamento de quem acha que é falta de disciplina.

Aqui não tem dieta, não tem balança e não tem sermão.

Sessões de 50 minutosPor videochamada, em portuguêsSigilo profissional

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · atualizado em julho de 2026

Engordei depois que mudei de país: o que isso quer dizer?

É uma das mudanças que mais doem e menos se falam, porque vem com julgamento embutido.

Dito de forma direta: é o que acontece quando a vida inteira muda de lugar e o corpo muda junto, num período em que a comida virou uma das poucas coisas que consolam. Peso e saúde se investigam com médica e nutricionista. O que a psicologia olha é o que esse corpo está carregando de emocional.

O mercado responde a isso com dieta e academia. Você provavelmente já tentou as duas. O que quase ninguém te ofereceu foi um lugar pra olhar o que a comida estava resolvendo por você.

Esta página é de psicologia. Peso, exame e alimentação se investigam com médica e nutricionista, e vale procurar de verdade: essa parte não se resolve em texto de internet e não é o que a terapia faz. Aqui o assunto é o que essa mudança mexe em você por dentro.

01-Talvez você se reconheça

Engordei morando fora: como isso costuma aparecer?

Em geral é mais ou menos assim.

  • 01

    Bateu saudade das suas amigas e você foi direto pra cozinha, sem nem perceber que estava indo

  • 02

    A comida virou a coisa mais confiável do seu dia, porque é a única que não fala outro idioma

  • 03

    As roupas que você trouxe do Brasil na mala estão guardadas e você não consegue doar nem vestir

  • 04

    Você deixou de aparecer em foto, ou aparece sempre atrás de alguém

  • 05

    Você reparou que anda menos, sai menos, e que a sua rotina daí não tem mais o movimento que a de antes tinha

  • 06

    Alguém da sua família comentou o seu corpo na chamada de vídeo e o dia inteiro depois foi embora

  • 07

    Você olha uma foto de antes da mudança e não sabe se sente saudade do corpo ou do país

  • 08

    Você já tentou resolver isso sozinha várias vezes e cada tentativa terminou com você se achando fraca

Você não precisa se reconhecer em tudo. Se duas ou três dessas frases pareceram suas, já vale olhar pra isso com cuidado.

02-De onde vem

Por que eu como quando bate a saudade?

Porque é o consolo que está mais perto.

Repare no que aconteceu de fato. Bateu saudade das amigas e você abriu o armário. O atendente do mercado te tratou mal porque você não entendeu o que ele falou, e o jantar foi pizza. Deu vontade de almoço de domingo em família e você abriu uma garrafa de vinho. Mulheres brasileiras que escreveram sobre isso descrevem exatamente essa sequência: cada ferida da imigração tem uma comida correspondente. Não é gula. É um recurso que estava disponível numa hora em que nada mais estava.

Tem uma segunda coisa junto, e é bonita: a comida brasileira é pertencimento. Arroz com feijão num sábado não é sobre fome, é sobre voltar por vinte minutos a um lugar que não existe mais no seu endereço. Quem mora fora costuma dizer que aquele prato é um pedaço da terra de volta. Ou seja, a comida acumulou duas funções na sua vida ao mesmo tempo: consolo do que dói e pertencimento do que falta. Nenhuma dieta do mundo conversa com isso.

E o fundo de tudo é o desgaste de adaptação, que tem nome na literatura desde os anos 80. Berry, Kim, Minde e Mok chamaram de estresse aculturativo o custo psicológico de viver ajustando tudo: a língua, os códigos, o jeito de pedir, a forma de trabalhar. Esse desgaste é diário e cansa de verdade. Como ele se relaciona com o seu peso é pergunta pra médica e nutricionista, e não pra uma página de psicologia. O que cabe dizer aqui é que você não estava relaxada nesse período. Você estava trabalhando muito, por dentro, sem que aparecesse em lugar nenhum.

Vale também tirar o julgamento moral do caminho, porque ele atravessa tudo. “Falta de disciplina” é uma explicação que serve pra te culpar e não serve pra te ajudar. Quem passou os últimos anos aprendendo a viver num país novo, num idioma emprestado, sem a rede que tinha, não é uma pessoa sem disciplina. É uma pessoa cansada.

Referência: Berry, J. W., Kim, U., Minde, T. & Mok, D. (1987). Comparative studies of acculturative stress. International Migration Review, 21(3).

03-O que ninguém comenta

A roupa que eu trouxe do Brasil não serve mais.

E não é sobre tamanho de calça.

Aquela mala tem a mulher que fez as compras dentro dela. O vestido que você usou no último casamento antes de vir. A calça que você comprou na promoção pensando na vida que ia ter aí. Não conseguir vestir e também não conseguir doar é uma das coisas mais comuns nesse assunto, porque doar parece assinar um documento dizendo que aquela versão de você não volta. É por isso que uma sacola de roupa guardada num armário aí é capaz de doer mais do que um espelho.

Depois tem a chamada de vídeo, que é onde muita mulher leva o pior golpe. Quem mora fora não é visto aos poucos pela família. Você aparece em saltos de seis meses ou de dois anos, e o salto é o que elas comentam. Uma frase da sua mãe sobre o seu rosto mais cheio tira o seu dia inteiro, e depois você ainda escuta que ela falou por bem. Ali se juntam duas coisas difíceis: o único momento de afeto que você tem com elas virou avaliação, e você está longe demais pra conversar sobre isso olho no olho.

E tem o desaparecimento silencioso das fotos. Primeiro você fica atrás de alguém no grupo. Depois você é quem tira a foto. Depois você deixa de ir. É um encolhimento devagar, e ele custa muito mais do que um número, porque o que sai da sua vida não é a foto: é o passeio, a piscina no verão, a festa em que você ia dançar. Esse custo é psicológico e é onde a terapia trabalha de verdade.

Se o que está mais alto pra você é a relação com a própria imagem, a página sobre autoestima trata de como você se olha e de onde vem a voz que te avalia por dentro.

04-O que a terapia faz com isso

Como a terapia trabalha isso sem falar de dieta?

Olhando o que a comida estava fazendo por você.

Deixo o limite claro antes de qualquer coisa, porque ele importa: não vou te dar plano alimentar, meta nem número. Isso é trabalho da sua médica e da sua nutricionista, e vale procurar de verdade. O que a gente faz na sessão é outra coisa. A gente olha o que aconteceu na hora em que você foi pra cozinha, e o que você estava sentindo dois minutos antes.

Em geral a resposta aparece rápido e é sempre a mesma família de coisas: solidão, medo, saudade, humilhação num atendimento, cansaço de traduzir. Quando você começa a reconhecer o que vem antes, aquele movimento deixa de ser automático. Não porque você ganhou força de vontade, e sim porque a necessidade que estava embaixo passou a ter outro lugar onde ser atendida.

A gente também trabalha o que virou consequência: parar de sair, parar de aparecer, evitar praia, evitar reencontro, ensaiar a resposta pro comentário da sua tia. Recuperar essas coisas não depende do seu corpo mudar primeiro, e essa é uma das descobertas que mais alivia nesse trabalho.

E existe o valor de fazer isso em português, com alguém que entende o contexto brasileiro sem tradução. Segundo dados publicados pelo Psychology Today, a retenção em terapia é 11 a 14% maior quando a pessoa escolhe o profissional por identidade compartilhada. Neste assunto isso pesa mais ainda, porque falar de corpo com alguém que sabe o que é comentário de tia em churrasco poupa você de explicar a parte mais difícil.

Meu trabalho é baseado na Abordagem Centrada na Pessoa (Carl Rogers): escuta empática, congruência e aceitação incondicional, sem nenhuma avaliação do seu corpo. Se quiser ver como o formato funciona na prática, a terapia online para brasileiras no exterior reúne tudo, do fuso ao pagamento.

Esta página é de psicologia. Peso, exame e alimentação se investigam com médica e nutricionista, e vale procurar de verdade: essa parte não se resolve em texto de internet e não é o que a terapia faz. Aqui o assunto é o que essa mudança mexe em você por dentro.

05-Por onde você quer entrar

Qual parte disso é a sua agora?

Esse assunto encosta em vários outros.

Se você reconhecer a sua no que está abaixo, dá pra ler com calma antes de mandar mensagem:

E se você quiser ver todas as dores que têm página própria aqui, o índice de temas de terapia lista uma por uma, pra você achar a que se parece com a sua.

-Quem vai te atender

Antes de decidir, me conheça um pouco.

Escolher uma psicóloga de longe é escolher no escuro. Aqui eu me apresento em vídeo, pra você sentir se faz sentido antes de mandar mensagem.

Um recado meu, antes de você decidir.

06-Se quiser chegar com algo pronto

Chegue na primeira conversa sem gastar ela se apresentando.

A primeira sessão costuma ir embora em contar quem você é. Um teste curto de autoconhecimento adianta essa parte: você já chega com o que sente colocado em palavras, e a hora inteira sobra pra você. Não é diagnóstico, é só um espelho.

Um passo antes

Se você ainda não sabe como explicar o que está sentindo.

Muita gente lê uma página dessas, se reconhece em cada linha e trava na hora de escrever a primeira mensagem, porque ainda não achou as palavras pra dizer o que está acontecendo. Fiz um teste curto pensando nisso: dez perguntas sobre como anda a sua vida aí, anônimo. Ele não diz o que você tem. Ele te devolve em palavras o que você anda sentindo.

E se depois você quiser conversar comigo, é só trazer o resultado junto. A gente começa de onde você já chegou, e não do zero.

São dez perguntas, leva uns três minutos. Anônimo e sem diagnóstico.

07-Onde você estiver

Comida e rotina: como é no seu país?

Cada lugar mexe com isso de um jeito.

Nos Estados Unidos quase tudo se faz de carro e o almoço de verdade desaparece da rotina. Na Irlanda o inverno tira você de casa por meses. Em Portugal o arroz é outro e mesmo assim não é o seu. Veja como a adaptação aparece onde você está:

Se o seu país não está aí, o mapa completo com mais de 50 países provavelmente tem. O atendimento é online e o horário a gente combina pelo seu fuso.

08-Dúvidas

Perguntas frequentes

Por que eu como quando bate a saudade?
Porque a comida é o consolo mais rápido e mais disponível que existe, e morando fora ela é uma das poucas coisas que não exige idioma nem explicação. Muita mulher descreve isso com precisão: saudade das amigas e a resposta foi chocolate, saudade do almoço de domingo e a resposta foi vinho, dia ruim no trabalho e a resposta foi pedir comida. Não é falta de força de vontade. É um recurso de regulação que funciona no curto prazo, e é justamente por funcionar que ele se repete.
Isso é emocional ou é do país?
Pode ser as duas coisas, e você não precisa escolher uma pra ter direito a cuidado. A rotina mudou, o mercado é outro, a caminhada que você fazia no Brasil não existe mais, o trabalho tem outro horário. Ao mesmo tempo você está atravessando uma adaptação que consome energia todos os dias. O que cabe dizer com honestidade é que essa parte tem território médico e nutricional, e vale investigar com quem é da área. O que a terapia olha é a relação que você criou com a comida e com o seu corpo nesse período.
Preciso resolver com médica e nutricionista antes de fazer terapia?
Os dois caminhos podem andar juntos, e nenhum substitui o outro. Sou psicóloga, então exame, alimentação e qualquer conduta sobre peso são território da sua médica e da sua nutricionista, e vale procurar mesmo. Enquanto isso, você já pode ter onde falar do que esse corpo novo está mexendo em você: a vergonha, o julgamento da família, o quanto você deixou de sair. Não precisa esperar estar em ordem por fora pra ser cuidada por dentro.
Minha família comenta meu corpo na chamada de vídeo. Como eu lido com isso?
Primeiro reconhecendo que dói de um jeito específico. Quem mora fora tem contato concentrado: a família não te vê aos poucos, te vê num salto de seis meses, e comenta o salto. Ainda tem a camada de que aquela chamada era o seu momento de afeto e virou avaliação. Na sessão a gente olha o que esses comentários acionam em você, o que você quer poder dizer e o que você quer poder deixar de responder. Ninguém aqui vai te dizer que a sua mãe fala por bem e que você deveria relevar.
Por que as roupas que eu trouxe do Brasil mexem tanto comigo?
Porque aquela mala não tem só roupa dentro. Ela tem a mulher que você era quando fez as compras, o corpo que ela tinha e a vida que ela achava que ia ter aí. Não conseguir vestir e não conseguir doar é bem comum, e faz sentido: doar parece assinar que aquela versão de você não volta mais. Esse é um dos assuntos que rende mais na terapia, porque em geral ele nunca era sobre tamanho de calça.
Como sei se isso passou de comer por emoção pra algo que precisa de avaliação?
Existem sinais que pedem avaliação profissional, e listar não é diagnosticar: episódios de comer muito além do que você queria com sensação de perda de controle, períodos de restrição forte, provocar vômito, usar laxante ou remédio pra compensar, exercício como punição, e o assunto comida ocupando a sua cabeça a ponto de você evitar sair pra não lidar com isso. Se você reconhece algo aí, vale procurar avaliação com médica, nutricionista e psicóloga, de preferência juntas. Não dá pra concluir nada por um texto, e você não precisa estar num quadro grave pra merecer ajuda.
Como começo?
Você manda uma mensagem ou agenda um primeiro horário. A primeira sessão é online, de 50 minutos, em português: você conta o que está acontecendo e a gente vê juntas se faz sentido continuar. Se preferir chegar já com algo mapeado, dá pra fazer um dos testes de autoconhecimento antes.

Se você estiver passando por um momento de crise ou pensamentos de se machucar, procure o serviço de emergência ou a linha de apoio do país onde mora. Alguns exemplos: nos Estados Unidos, 988 (Suicide & Crisis Lifeline); no Reino Unido, Samaritans - 116 123; em Portugal, SOS Voz Amiga; na Alemanha, Telefonseelsorge - 0800 111 0 111. Em risco imediato, ligue para o número de emergência local.

Primeiro passo

Você pode falar do seu corpo sem ser avaliada.

Sessões online de 50 minutos, em português, de onde você estiver. No primeiro encontro você fala e eu escuto; os próximos passos a gente decide depois.

Você não precisa estar em nenhum plano nem ter começado nada pra vir. Muita mulher adia isso esperando emagrecer primeiro, como se precisasse chegar arrumada pra ser escutada. Não precisa. A sessão é o lugar onde você fala do que está pesando agora, do jeito que está agora.

Você não precisa esperar voltar pro Brasil pra cuidar de você.

Ou manda mensagem antes

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