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Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro
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AnsiedadeTema: Outros textos06 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Síndrome do pânico: sintomas, como saber e o que fazer na crise

Síndrome do pânico é ter ataques de pânico que vêm sem aviso e viver com medo do próximo. Veja os sintomas, a diferença pra crise de ansiedade e o que ajuda.


Síndrome do pânico é o nome popular do transtorno de pânico: ataques de pânico que se repetem, vêm sem um gatilho claro e deixam um medo persistente de que aconteça de novo. O ataque é uma onda de medo intenso que chega ao pico em poucos minutos, com coração disparado, falta de ar, tremor, tontura e a sensação de que você vai morrer ou perder o controle. Na CID-11 da OMS, o código é 6B01. Na CID-10, que muitos atestados ainda usam, é F41.0.

Ter um ataque de pânico não quer dizer ter síndrome do pânico. Muita gente tem um ou dois na vida e nunca mais. O transtorno é quando os ataques voltam e o medo deles começa a mudar a sua rotina.

Sintomas de síndrome do pânico: como é um ataque

O ataque costuma chegar de repente. Às vezes no meio de uma tarefa comum, no mercado, no carro, deitada no sofá. Às vezes até te acorda de madrugada.

Os sinais mais comuns:

  • coração acelerado ou batendo forte;
  • falta de ar ou sensação de sufocamento;
  • aperto ou dor no peito;
  • tremor, suor, ondas de calor ou de frio;
  • tontura, sensação de desmaio, pernas bambas;
  • náusea ou desconforto na barriga;
  • formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto;
  • sensação de irrealidade, como se o mundo ou você mesma estivessem estranhos;
  • medo de morrer, de enlouquecer ou de perder o controle.

Os critérios do DSM-5-TR (APA, 2022) listam treze sintomas e pedem pelo menos quatro deles numa mesma onda pra chamar o episódio de ataque de pânico.

O ataque é assustador, mas o corpo não fica nesse pico pra sempre. Ele sobe, chega ao máximo em minutos e desce. Depois costuma ficar um cansaço grande e um medo de que volte.

Como saber se tenho síndrome do pânico

Só uma avaliação com profissional de saúde mental pode dizer. Os manuais olham pra três pontos:

  • Os ataques se repetem. Não foi um episódio isolado numa fase difícil.
  • Pelo menos parte deles vem "do nada". Não estão presos a uma situação específica, como ver sangue ou entrar num avião.
  • Depois dos ataques vem uma preocupação que não vai embora. Medo de ter outro, medo do que ele significa ("e se for o coração?", "e se eu enlouquecer?"), ou mudanças na rotina pra evitar um novo ataque.

No DSM-5-TR (APA, 2022), essa preocupação ou mudança de comportamento precisa durar pelo menos um mês. A CID-11 fala em preocupação persistente, por várias semanas, com a volta dos ataques ou com o que eles significam.

E tem um passo que vem antes: se você teve o primeiro ataque, passe por um médico. Arritmia, problemas de tireoide, crise de asma, efeito de remédio e excesso de cafeína podem dar sintomas parecidos. Descartar isso protege você, e também tira um peso da cabeça. Dor no peito nova e forte é motivo pra pronto-socorro, sempre.

Crise de ansiedade ou ataque de pânico: qual a diferença?

São parecidos e se confundem muito. A principal diferença é a velocidade.

O ataque de pânico tem definição técnica: sobe como uma onda, rápido, e atinge o pico em minutos. A crise de ansiedade é uma expressão popular, sem definição de manual. Costuma nomear uma tensão que vai crescendo devagar, ao longo de horas, muitas vezes junto com preocupação, e que se arrasta por mais tempo.

Escrevi com mais detalhe sobre isso no glossário, em crise de ansiedade e ataque de pânico. Se o que você sente é mais uma preocupação constante com tudo, talvez faça sentido ler também sobre ansiedade generalizada.

O que fazer durante um ataque de pânico

Algumas coisas costumam ajudar a atravessar a onda:

  1. Dê nome ao que está acontecendo. "Isso é um ataque de pânico. É muito ruim, e vai passar." Saber o que é já diminui uma parte do pavor.
  2. Desacelere a respiração. Não precisa respirar fundo com força, isso pode dar mais tontura. O que ajuda é soltar o ar devagar, mais longo do que a entrada. Falo mais disso em respiração e ansiedade.
  3. Apoie o corpo. Sente, encoste numa parede, sinta os pés no chão. Repare em cinco coisas que você está vendo ao redor.
  4. Não brigue com as sensações. Tentar fazer o coração parar na marra costuma aumentar o alarme. Deixar a onda subir e descer, mesmo com medo, costuma encurtar o caminho.
  5. Se puder, não fuja do lugar. Na hora, sair correndo parece a única saída. Com o tempo, isso ensina ao cérebro que aquele lugar é perigoso, e a lista de lugares evitados cresce.

Essas dicas ajudam no momento. Elas não tratam o que vem ligando o alarme tantas vezes.

Síndrome do pânico e agorafobia

Uma parte das pessoas com pânico começa a evitar lugares onde seria difícil sair ou pedir ajuda se um ataque viesse: ônibus, metrô, fila, shopping, estrada, ficar sozinha longe de casa. Quando isso cresce, pode ser agorafobia, que hoje os manuais tratam como um quadro próprio. Escrevi sobre isso em agorafobia: o que é.

Síndrome do pânico tem tratamento?

Tem, e com boa evidência. A diretriz do NICE, órgão de saúde do Reino Unido, recomenda a terapia cognitivo-comportamental (TCC) como uma das primeiras opções pro transtorno de pânico. Uma revisão Cochrane de 2016 comparou vários tipos de psicoterapia pro pânico, com ou sem agorafobia. A TCC, a mais estudada, teve resultados a favor bem replicados e muitas vezes ficou à frente das outras, mas por diferenças pequenas. Os autores concluem que ainda não há evidência de alta qualidade de que uma psicoterapia seja melhor que todas as outras.

Na TCC pro pânico, uma parte importante do trabalho é a exposição: aprender aos poucos, com acompanhamento, a sentir as sensações do corpo e voltar aos lugares evitados sem que isso vire um ataque de terror. A medicação também pode ajudar, e quem avalia isso é o psiquiatra.

Eu trabalho na abordagem centrada na pessoa, que não é TCC. Na terapia comigo, o espaço é pra entender o que esse medo mexeu na sua vida, a vergonha de ter "perdido o controle" na frente dos outros, o que estava acontecendo quando os ataques começaram. Se o pânico é a queixa principal e está limitando muito a rotina, eu costumo indicar também uma profissional de TCC e uma avaliação psiquiátrica.

Este texto não é diagnóstico. Se você quiser organizar o que sente no dia a dia, o teste de ansiedade pode ser um começo. Ele olha pra padrões de ansiedade em geral, e não mede pânico especificamente.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura um ataque de pânico?

O pico chega em poucos minutos. O material público do NIMH, instituto de saúde mental dos Estados Unidos, descreve que um ataque pode durar de alguns minutos até uma hora, às vezes mais. Depois do pico costuma ficar um cansaço e uma sensação de alerta por um tempo.

Ataque de pânico pode matar?

O ataque de pânico em si não mata, mesmo com a sensação forte de que algo grave está acontecendo. Mas os sintomas se parecem com problemas do coração e de outros órgãos, e só um médico pode descartar isso. No primeiro episódio, ou se a dor no peito for diferente das outras vezes, procure atendimento.

Síndrome do pânico tem cura?

Eu não prometo cura. O que dá pra dizer é que existe tratamento com boa evidência, em especial a TCC com exposição. A medicação, quando indicada pelo psiquiatra, também pode fazer parte.

Síndrome do pânico e transtorno do pânico são a mesma coisa?

Sim. "Síndrome do pânico" é o jeito como a maioria das pessoas fala. Nos manuais, o nome é transtorno de pânico.

Dá pra ter ataque de pânico dormindo?

Dá. Alguns ataques acordam a pessoa no meio da noite, já com o coração disparado e falta de ar. Se isso acontece com você, conte pro médico e pra psicóloga, porque ajuda na avaliação.

Posso ter ataque de pânico sem ter síndrome do pânico?

Pode. Ataques de pânico também aparecem junto com outros quadros, como fobias, ansiedade social e estresse pós-traumático, ou numa fase de muita pressão. O que caracteriza o transtorno é a repetição dos ataques inesperados e o medo persistente do próximo.

Se estiver muito pesado

Se o medo vier junto com desesperança ou pensamentos de se machucar, não espere. O CVV atende 24 horas, de graça e em sigilo, pelo 188 ou em cvv.org.br. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo.

Referências

  • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). APA Publishing.
  • World Health Organization. (2024). Clinical descriptions and diagnostic requirements for ICD-11 mental, behavioural and neurodevelopmental disorders (CDDR). who.int
  • National Institute for Health and Care Excellence. (2011). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113). nice.org.uk
  • Pompoli, A., Furukawa, T. A., Imai, H., Tajika, A., Efthimiou, O. & Salanti, G. (2016). Psychological therapies for panic disorder with or without agoraphobia in adults: a network meta-analysis. Cochrane Database of Systematic Reviews, (4), CD011004. doi.org/10.1002/14651858.CD011004.pub2
  • National Institute of Mental Health. (2022). Panic Disorder: When Fear Overwhelms. nimh.nih.gov

O ataque de pânico parece o fim do mundo enquanto acontece. Ele tem nome, tem explicação e tem cuidado possível.

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Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999

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Fora da formação, sou apaixonada por cinema, e isso acaba entrando no meu jeito de olhar. A fotografia veio daí: hoje faz parte da minha vida como hobby e, de vez em quando, como segundo trabalho. Também carrego o sonho de morar num lugar tranquilo, com mata em volta e muitos animais por perto: bicho é outra coisa que me encanta no mundo.

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