Psicóloga Fernanda Pessoa Ferro

CRP 01/30999-Atendimento online · mães brasileiras no exterior

Meu filho está com febre e eu não tenho com quem deixar.

São sete da manhã. A escola não aceita criança com febre, a reunião das nove já foi remarcada uma vez e você está rolando a lista de contatos do celular sem ter pra quem ligar.

Aqui você é a lista de contatos inteira.

Sessões de 50 minutosPor videochamada, em portuguêsSigilo profissional

Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · atualizado em julho de 2026

O que fazer quando não tenho com quem deixar meu filho?

A resposta honesta é ruim: quando não tem rede, alguma coisa cede.

Dito de forma direta: sem rede de apoio, a decisão das sete da manhã é escolher qual perda dói menos naquele dia, o dia de trabalho, o dinheiro de um cuidado de emergência ou o descanso que já estava no vermelho. Escolher a menos ruim é decisão de adulta sob pressão, e não prova de mãe descuidada.

O que a terapia faz aqui é o que ninguém faz: olhar pra essa decisão sem te cobrar por ela, e cuidar do que ela vem deixando em você todo mês.

01-A cena

Não tenho com quem deixar meu filho para trabalhar: a decisão das sete da manhã.

Escrevo ela inteira, porque quase ninguém escreve.

O termômetro marca trinta e oito e meio. Ele está quente, choroso, no seu colo, e o dia inteiro que você tinha organizado acabou de deixar de existir. Você olha o relógio e faz a primeira conta: se der remédio agora, a febre cai até as oito? Você já sabe que essa conta é uma tentativa de driblar a realidade, e faz ela do mesmo jeito.

Depois vem a mensagem pro trabalho. Você escreve, apaga, escreve de novo. A primeira versão explicava demais e parecia desculpa. A segunda parecia fria. A terceira é curta, com um pedido de desculpas que você não devia estar pedindo. Enquanto digita, você conta de cabeça quantas vezes isso já aconteceu neste mês, e se alguém do outro lado também está contando.

Aí você abre a lista de contatos. É essa parte que ninguém que mora perto da própria mãe entende. Você rola nomes por trinta segundos: a colega de trabalho que você não conhece o suficiente, a vizinha que você cumprimenta no corredor, a mãe da escola com quem você trocou duas mensagens sobre uma festa de aniversário, a amiga brasileira que mora a uma hora e meia de trem e também tem filho pequeno. E as pessoas que ficariam com ele sem pensar duas vezes estão a nove mil quilômetros e no fuso errado.

Você fecha o celular sem ligar pra ninguém.

O resto do dia depende do que cedeu. Se cedeu o trabalho, você passa a tarde no sofá com ele no colo, com o notebook aberto no braço da poltrona, respondendo mensagem com uma mão e sentindo que está fazendo as duas coisas mal. Se cedeu a criança, você o deixa medicado em algum lugar e passa o dia esperando o telefone tocar, olhando a tela na reunião. Se cedeu o dinheiro, você paga alguém que você conhece pouco e fica com uma inquietação no peito que não some com nenhuma planilha.

E de noite, quando a febre finalmente cai, sobra o pior pedaço: você deitada no escuro, com o corpo cansado e a cabeça acesa, pensando no que vai fazer se ele acordar assim amanhã também.

02-Talvez você se reconheça

Mãe sem rede de apoio no exterior: quais são os sinais?

É mais ou menos assim.

  • 01

    Você checa a testa do seu filho antes de dormir pensando no dia seguinte no trabalho, não na febre dele

  • 02

    Você já digitou e apagou três versões da mensagem pro chefe antes de mandar a mais curta

  • 03

    Você sabe de cabeça quantos dias de falta ainda cabem neste mês

  • 04

    Você abre a lista de contatos do celular numa emergência e fecha sem ligar pra ninguém

  • 05

    Você medicou seu filho, mandou pra escola e passou o dia esperando o telefone tocar

  • 06

    Você agradece por uma amiga te socorrer e passa a semana pensando em como devolver o favor

  • 07

    Você faz a chamada de trabalho com a criança no colo, no mudo, ensaiando um pedido de desculpa

  • 08

    Você tem medo de adoecer você, porque aí não sobra ninguém

Você não precisa se reconhecer em tudo. Se duas ou três dessas frases pareceram suas, já vale olhar pra isso com cuidado.

03-Por que pesa mais aí

Por que é mais difícil sem rede de apoio morando fora?

A diferença está na infraestrutura em volta, e não no seu esforço.

No Brasil, o socorro costuma estar dentro de um raio pequeno. Uma avó a vinte minutos, uma tia, uma prima, uma vizinha que te viu crescer, uma amiga da escola que conhece a sua casa. Nenhuma dessas pessoas precisa de aviso prévio, e nenhuma delas cobra explicação. Você nem chamava isso de rede de apoio, porque era só a vida.

Aí você muda de país e descobre que esse raio precisa ser construído de novo, do zero, com adultos que já têm a vida cheia. As amizades novas são reais e ainda são jovens: dá pra tomar um café, e não dá pra ligar às sete da manhã de um dia de semana. Pedir ajuda de verdade exige uma intimidade que leva anos, e você tem uma emergência hoje.

Tem outras camadas que ninguém coloca na conta. Pedir num idioma que não é o seu custa mais, porque você fica insegura sobre o tom e sobre estar sendo invasiva. Não conhecer os códigos locais custa mais: você não sabe se o que está pedindo é normal ali ou se é abuso. E o favor recebido vira dívida que você fica pensando em como pagar, porque não existe o histórico antigo que dispensa a contabilidade entre pessoas próximas.

Por cima disso vem o dinheiro e o tipo de trabalho. Quando a renda depende do dia trabalhado, um filho doente não é só um problema de agenda. É um valor que não entra. E quando você é a pessoa que todo mundo em casa assume como responsável pela criança, a decisão nem chega a ser discutida: já é sua antes de você acordar.

Se essa sobrecarga vira assunto todo dia na sua cabeça, a página sobre ser mãe brasileira no exterior trata do quadro maior, do puerpério sem visita ao filho que responde na língua do país.

04-O que a terapia faz com isso

Como a terapia ajuda quem não tem com quem contar?

Ela cuida da mulher que decide sozinha às sete da manhã.

Vou ser honesta sobre o que a terapia não faz: ela não cria uma avó a vinte minutos da sua casa, não muda a política de faltas do seu trabalho e não resolve o preço de um cuidado de emergência. Quem te prometer isso está te vendendo alívio.

O que costuma mudar é o custo interno de cada decisão dessas. Muita mãe chega aqui achando que o problema é ela: que é desorganizada, que é fraca, que outras dão conta e ela não. Quando a conversa coloca o problema onde ele está, na falta de estrutura em volta, a culpa perde parte do combustível. O dia ruim continua ruim, e ele para de virar sentença sobre que tipo de mãe você é.

Depois dá pra olhar pra vigilância. Quem não tem rede vive num estado de alerta que não descansa nem quando todo mundo está bem, porque a sua cabeça está sempre calculando o próximo imprevisto. É esse alerta constante que consome, mais do que os episódios em si. No consultório a gente separa o que é planejamento útil do que é antecipação que só te tira o sono.

Tem também a parte de pedir. Boa parte das mulheres que chegam nessa situação não pede ajuda por medo de incomodar, de parecer incapaz ou de ficar em dívida. Olhar pra isso com calma costuma soltar alguma coisa, e às vezes é o que abre a primeira porta real de apoio prático.

Meu trabalho é baseado na Abordagem Centrada na Pessoa (Carl Rogers): escuta empática, congruência e aceitação incondicional. Uma hora por semana em que você não precisa dar conta de nada nem provar que está aguentando. Se quiser ver como o formato funciona de outro fuso, a terapia online para brasileiras no exterior reúne tudo, do horário ao pagamento.

-Quem vai te atender

Antes de decidir, me conheça um pouco.

Escolher uma psicóloga de longe é escolher no escuro. Aqui eu me apresento em vídeo, pra você sentir se faz sentido antes de mandar mensagem.

Um recado meu, antes de você decidir.

05-Se quiser chegar com algo pronto

Você tem pouco tempo livre. Use ele pra você.

A primeira sessão costuma ir embora em contar quem você é. Um teste curto de autoconhecimento adianta essa parte: você já chega com o que sente colocado em palavras, e a hora inteira sobra pra você. Nada ali é diagnóstico. Serve como espelho.

Um passo antes

Se você ainda não sabe como explicar o que está sentindo.

Muita gente lê uma página dessas, se reconhece em cada linha e trava na hora de escrever a primeira mensagem, porque ainda não achou as palavras pra dizer o que está acontecendo. Fiz um teste curto pensando nisso: dez perguntas sobre como anda a sua vida aí, anônimo. Ele não diz o que você tem. Ele te devolve em palavras o que você anda sentindo.

E se depois você quiser conversar comigo, é só trazer o resultado junto. A gente começa de onde você já chegou, e não do zero.

São dez perguntas, leva uns três minutos. Anônimo e sem diagnóstico.

06-Se o seu caso é outro

A falta de rede aparece de várias formas.

Se o que mais te pega não é o dia do filho doente e sim o silêncio da sua casa nos outros dias, solidão morando fora fala da versão que dura a semana inteira, inclusive quando você está cercada de gente.

Se o bebê é recém-nascido e o aperto começou no puerpério, com você se recuperando do parto sem ninguém pra fazer uma sopa, apoio psicológico no pós-parto foi escrito pra esse pedaço.

Se a sua volta ao trabalho aconteceu poucos dias depois do parto, sem licença nenhuma, voltar a trabalhar depois do parto no exterior trata do puerpério que continuou por baixo do expediente.

E se o que te pega é o filho crescendo sem conhecer o lugar que te formou, meus filhos não conhecem o Brasil fala da herança que você não consegue entregar.

Se você quer começar pela dor e não pelo país, a lista completa do que costuma pesar tem uma página pra cada uma. E se o que define o seu momento é o lugar onde você acordou hoje, terapia em português por país mostra o que muda no seu fuso e no pagamento por aí.

07-Dúvidas

Perguntas frequentes

Não tenho com quem deixar meu filho, o que eu faço primeiro?
A parte que costuma mudar mais rápido é fazer o combinado num dia calmo, e não às sete da manhã de um dia ruim. Isso quer dizer conversar antes com duas ou três pessoas possíveis (uma vizinha, uma amiga brasileira, uma mãe da escola) e perguntar de forma direta se, num aperto, você pode contar com elas. Pedir com antecedência é diferente de pedir em pânico: quem responde tem tempo de dizer sim de verdade, e você para de descobrir que está sozinha justo no dia em que já está sem margem.
Posso faltar no trabalho porque meu filho está doente?
Isso depende do país onde você mora, do seu contrato e do tipo de trabalho que você faz, e não é uma pergunta que eu possa responder por você. Quem responde bem é alguém que conheça as regras locais. O que eu escuto no consultório é a outra metade da pergunta: o medo de pedir, a conta que você faz na cabeça sobre como isso vai ser lido, e a sensação de que cada falta gasta um crédito que você não tem. Essa parte cabe numa conversa.
Levar meu filho doente pra escola ou pro trabalho é errado?
Se ele pode ou não sair de casa é uma pergunta pro pediatra, e a escola tem as regras dela. Mas vale separar as coisas: você não está escolhendo entre o certo e o errado, está administrando uma falta de opção que não foi você que criou. Muita mãe carrega esse dia como prova de que é uma mãe ruim, quando ele foi só a única saída que existia às sete da manhã.
Por que eu sinto tanta culpa quando meu filho adoece?
Porque o corpo doente dele acende duas exigências ao mesmo tempo, e você não consegue atender as duas. Se você prioriza o trabalho, se sente mãe ausente. Se você prioriza a criança, se sente profissional problemática. A culpa aparece justo aí, no ponto em que não existe escolha limpa. Ela não está te avisando que você errou. Está te avisando que você está fazendo sozinha o que era pra ser feito por mais gente.
Como faço uma rede de apoio no exterior se não conheço quase ninguém?
Rede de apoio virou um termo grande e vago, e por isso ele desanima. Na prática ela começa pequena e concreta: uma pessoa que pode buscar seu filho na escola, uma que atende o telefone às onze da noite, uma que fica duas horas com ele num sábado. Não precisa de intimidade de anos pra isso, precisa de combinado claro e de reciprocidade possível. Muita brasileira encontra as primeiras trocas com outras brasileiras da mesma cidade, porque ali a explicação é mais curta.
Isso é esgotamento ou é só cansaço de mãe?
Só um profissional que te escute pode avaliar isso, e ninguém deveria se dar esse nome sozinha pela internet. O que costuma diferenciar, no relato de quem chega, é a recuperação: cansaço melhora com uma noite de sono e com um fim de semana; o esgotamento continua igual depois deles, e vem junto com irritação constante e com a sensação de estar funcionando no automático. Se você se reconheceu na segunda descrição, vale olhar pra isso com alguém.
Como começo?
Você manda uma mensagem ou agenda um primeiro horário. A primeira sessão é online, de 50 minutos, em português: você conta o que está acontecendo e a gente vê juntas se faz sentido continuar. Se preferir chegar já com algo mapeado, dá pra fazer um dos testes de autoconhecimento antes.

Se você estiver passando por um momento de crise ou pensamentos de se machucar, procure o serviço de emergência ou a linha de apoio do país onde mora. Alguns exemplos: nos Estados Unidos, 988 (Suicide & Crisis Lifeline); no Reino Unido, Samaritans - 116 123; em Portugal, SOS Voz Amiga; na Alemanha, Telefonseelsorge - 0800 111 0 111. Em risco imediato, ligue para o número de emergência local.

Primeiro passo

Uma hora que é sua.

Sessões online de 50 minutos, em português, de onde você estiver. No primeiro encontro você fala e eu escuto; os próximos passos a gente decide depois.

Eu sei o que você está pensando: que não tem uma hora livre por semana, e que se tivesse ela iria pra coisa mais urgente. É exatamente essa conta que faz muita mãe passar cinco anos em último lugar na própria lista.

A sessão é por videochamada, sem sala de espera e sem trânsito. Dá pra fazer da sua casa, no horário que couber no seu dia, com o fuso combinado com você. E se aparecer uma emergência de mãe no meio do caminho, a gente remarca. Isso aqui não é mais uma cobrança na sua semana.

Ou manda mensagem antes

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