Autocrítica
Autocrítica é avaliar o próprio comportamento e reconhecer os próprios erros. Quem faz autocrítica olha o que fez, admite o que falhou e vê o que dá pra mudar. Em geral é uma habilidade útil. Vira problema quando deixa de avaliar o que você fez e passa a atacar quem você é.
Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · publicado em setembro de 2026
Exemplos de autocrítica no dia a dia
- No trabalho: você entrega um relatório com um erro de cálculo, reconhece que não conferiu os números e passa a revisar antes de enviar.
- No relacionamento: você responde com grosseria numa discussão, percebe que foi injusta e volta pra pedir desculpa.
- Na autocrítica que ataca: você comete o mesmo erro no relatório e conclui que é incompetente, ou que sempre estraga tudo.
Nos dois primeiros casos a atenção fica no que foi feito e no que dá pra corrigir. No terceiro, o erro vira sentença sobre quem você é.
Autocrítica clínica: quando a avaliação vira ataque
Autocrítica, no sentido clínico, é a voz interna que ataca em vez de corrigir. Não é ter padrão alto nem revisar o próprio trabalho: é o hábito de responder ao próprio erro com desprezo, muitas vezes num tom que você jamais usaria com outra pessoa que estivesse na mesma situação.
O que significa autocrítica?
- Autocrítica é a capacidade de avaliar o próprio comportamento e reconhecer os próprios erros, sem esperar que alguém aponte. No uso comum é uma qualidade: ajuda a corrigir o rumo. Quando a avaliação vira desprezo por si mesma, a psicologia passa a chamar de autocrítica excessiva.
Autocrítica ou autocritica: qual a grafia certa?
- A grafia correta é autocrítica, com acento no í, porque é uma palavra proparoxítona. Autocritica, sem acento, aparece em buscas e mensagens rápidas, mas não é a forma da escrita formal. O significado é o mesmo nas duas.
Qual a diferença entre autocrítica e exigência saudável?
- Exigência fala do trabalho: isso aqui ficou aquém, dá pra refazer. Autocrítica fala de você: eu sou um fracasso, eu nunca dou conta. Uma aponta pro que pode mudar, a outra decreta o que você é. A pista é o pronome, e o que sobra depois: correção ou vergonha.
Existem tipos diferentes de autocrítica?
- Gilbert e colegas (2004) separaram, num estudo com estudantes universitárias, uma forma centrada em se sentir inadequada de outra bem mais dura, de aversão a si mesma. E mediram à parte a capacidade de se tranquilizar, tratada como dimensão própria, e não como simples ausência de crítica.
Se eu parar de me cobrar, eu paro de conseguir as coisas?
- Esse é o medo mais comum, e é o que segura a voz crítica no lugar. O que o trabalho de Gilbert e colegas separa é justamente isso: conseguir se tranquilizar é uma capacidade medida à parte da cobrança. Aprender a se tratar melhor não é a mesma coisa que soltar o que importa pra você.
Por que a voz crítica soa como verdade?
- Porque ela chega em primeira pessoa e sem aviso, no formato de conclusão. Não vem como opinião, vem como constatação, e você já ouviu tantas vezes que não sobrou intervalo pra checagem. Muita gente só percebe o tom quando escuta a mesma frase dita em voz alta por outra pessoa.
Quando autocrítica vira caso de terapia?
- Quando ela cobra preço em decisões: você não candidata, não pede, não mostra o que fez. Ou quando vem acompanhada de desânimo persistente, insônia e retração social. Nesse ponto não é mais uma questão de temperamento, e conversar com um profissional costuma fazer mais do que tentar sozinha.
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Autocrítica no meu atendimento
Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga, CRP 01/30999, atendo online, em português, e trabalho a partir da Abordagem Centrada na Pessoa. Isso importa aqui por um motivo prático: numa sala em que ninguém está te avaliando, a voz crítica costuma ficar audível, e dá pra examinar de onde ela veio.
Onde isso costuma aparecer
Outros verbetes
- Síndrome da impostora: Achar que enganou todo mundo e esperar ser descoberta.
- Autossabotagem: Agir contra o que você mesma disse que queria.
A lista inteira está no glossário.
De onde vem cada afirmação
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Gilbert, P., Clarke, M., Hempel, S., Miles, J. N. V. & Irons, C. (2004). British Journal of Clinical Psychology, 43(1), 31-50. Ver a fonte
Estudo com estudantes universitárias que desenvolveu escalas de formas e funções da autocrítica. Separa uma forma centrada em se sentir inadequada de outra, mais hostil, de aversão a si mesma, e trata a capacidade de se tranquilizar como dimensão própria, medida à parte da crítica. Amostra de estudantes mulheres: não é população geral.
Este texto é informativo e de reflexão. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico ou recomendação clínica, e nada aqui te coloca numa categoria. Apenas uma consulta com profissional habilitado pode oferecer cuidado individualizado. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.
Oi, eu sou a Fernanda.
Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999
Atendo em português, online e em Brasília. Trabalho com psicoterapia e avaliação neuropsicológica.
Minha prática segue a Abordagem Centrada na Pessoa. Fora do consultório, o cinema, a fotografia, a natureza e os animais fazem parte de quem eu sou.

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