CRP 01/30999-Relação terapêutica · quando não está funcionando
Quando trocar de psicóloga?
Quando você já tentou falar do que não está funcionando e nada mudou, ou quando você percebe que passou a esconder coisas na sessão. Não gostar de uma sessão específica não é motivo. Um processo que há tempos não te serve, sim. Trocar não é fracasso seu nem defeito dela: às vezes o encaixe não acontece.
Por Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga (CRP 01/30999) · revisado em setembro de 2026
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Quais são os sinais de que a terapia não está funcionando?
O sinal mais confiável não é o desconforto, porque terapia incomoda mesmo. É a sensação de repetição sem movimento, somada ao fato de você já ter tentado dizer isso e nada ter mudado. Se você se reconhecer em vários pontos abaixo, vale levar o assunto pra sessão.
- Você percebe que escolhe o que contar, e omite justamente o que mais pesa.
- As sessões viraram relatório da semana, sem nada abrir.
- Você sai de todas se sentindo pior, sem que isso mude com o tempo.
- Você já falou que algo não está bom no processo e a conversa não foi a lugar nenhum.
- Você sente que precisa cuidar da terapeuta, ou agradá-la, dentro da sessão.
- Você adia, remarca e alivia quando ela cancela.
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Devo falar com a psicóloga antes de trocar?
Se der, vale muito. Dizer o que não está funcionando é parte do trabalho, e não uma reclamação fora de lugar. Muitas vezes é justamente essa conversa que destrava o processo. E se não destravar, você sai com clareza do motivo, em vez de sair achando que terapia não é pra você.
Tem um detalhe que costuma pesar: dificuldade de dizer o que incomoda pra alguém que você respeita é, quase sempre, um dos assuntos que te trouxeram pra terapia. Dizer ali, naquela relação, costuma valer mais do que o desfecho da conversa.
Se falar for impossível por qualquer motivo, você ainda assim pode encerrar. Você não deve explicação a ninguém pra cuidar de você em outro lugar.
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Como encerrar a terapia sem sumir?
Marque uma última sessão e diga que é a última. Uma conversa de encerramento fecha o que ficou aberto, permite retomar o que foi feito e evita que o processo termine com aquele silêncio que depois te dá vergonha de procurar ajuda de novo. Sumir custa mais pra você do que pra profissional.
Se você já sumiu de um processo antes, isso não te impede de começar outro, e não é assunto de julgamento. Dá até pra começar contando isso.
Encerrar também não precisa ser definitivo. Tem gente que para por um tempo por motivo prático e volta depois, com a mesma profissional ou com outra.
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É normal sentir que não gostei da psicóloga?
É comum, e não quer dizer que uma das duas está errada. Psicoterapia depende de um encaixe entre duas pessoas, e encaixe não é garantido por currículo nem por abordagem. Numa primeira conversa você já sente bastante: se dá pra falar, se você foi interrompida, se coube o que você quis dizer.
Vale separar duas coisas parecidas. Uma é não sentir espaço com aquela pessoa, e aí trocar faz sentido. A outra é a vontade de sair justamente quando o assunto ficou difícil, que costuma ser o momento em que ficar rende mais. A diferença nem sempre é óbvia, e ela mesma pode ser assunto de sessão.
05-Quando não fazer
Quando trocar não é opção, é o certo a fazer?
Quando aparece conduta que ultrapassa o que é papel de uma psicóloga. Aqui não é questão de encaixe, é questão de limite profissional, e vale sair sem constrangimento. Nenhum vínculo, por mais antigo, justifica continuar num lugar onde alguma dessas coisas acontece.
- Promessa de cura, garantia de resultado ou prazo fechado para o seu sofrimento acabar.
- Orientação sobre medicação vinda de quem não é médica: mandar parar, trocar ou reduzir dose.
- Quebra de sigilo, ou informação sua contada a alguém sem a sua autorização.
- Julgamento moral, imposição de crença, ou pressão sobre decisões da sua vida.
- Relação que sai do lugar profissional: encontro fora da sessão, contato de natureza pessoal ou sexual, sociedade em negócio.
- Insistência para você continuar quando você já disse que quer parar.
Nesses casos você pode encerrar imediatamente, sem justificativa. Se você quiser, conduta profissional pode ser levada ao conselho regional de psicologia do estado da profissional, e o número de inscrição dela é informação pública. Procurar outra profissional depois disso é legítimo, e você não precisa começar contando o que aconteceu.
Se o que está acontecendo é agora, não espere por sessão nenhuma: onde pedir ajuda no seu país reúne linhas de apoio e serviços de emergência, e é o primeiro passo em qualquer situação de risco.
→Sobre o meu atendimento
Eu sou Fernanda Pessoa Ferro, psicóloga clínica, CRP 01/30999. Atendo mulheres por videochamada, em português, partindo da Abordagem Centrada na Pessoa, em sessões de cinquenta minutos.
Isso vale pra mim também. Se em algum momento você achar que o processo comigo não está te servindo, esse assunto tem lugar na sessão, e a saída pode ser mudar o que a gente faz ou eu te indicar outra profissional. Encaminhar quem eu não estou ajudando é dever da profissão, não gentileza.
Não faço terapia de casal, não emito laudo, não prescrevo e não atendo emergência. Se a sua demanda for uma dessas, eu digo logo, mesmo que isso signifique você não marcar comigo.
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Se a sua pergunta era outra
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As dez perguntas de segurança e limite estão reunidas em segurança e limites do atendimento.
→Referências
De onde vem cada afirmação
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Conselho Federal de Psicologia (2005). Código de Ética Profissional do Psicólogo, Resolução CFP nº 10/2005. Ver a fonte
Texto oficial, e é de onde vem a lista de condutas descritas nesta página. Ele traz o dever de sigilo, o dever de encaminhar a profissionais habilitados o que extrapola o campo de atuação da psicóloga, a vedação de propor atividades privativas de outras categorias profissionais e a vedação de previsão taxativa de resultados na divulgação de serviços.
Esta página é conteúdo informativo. Não constitui avaliação psicológica, diagnóstico, prescrição nem recomendação clínica individual, e nada aqui substitui uma consulta. Se você precisa de ajuda agora, veja onde pedir ajuda no seu país. Texto de Fernanda Pessoa Ferro, Psicóloga Clínica, CRP 01/30999, revisado em setembro de 2026.