Quando a ansiedade no relacionamento dificulta sentir confiança na terapia
Se você sente que não consegue confiar plenamente na terapia, a ansiedade de apego pode estar presente. Um estudo mostra como esse padrão afeta a aliança terapêutica. Reconhecer isso já é um passo importante.
Quando a ansiedade no relacionamento dificulta sentir confiança na terapia
Se você já sentiu que não consegue confiar plenamente (nem na pessoa que ama, nem em quem te escuta na terapia), saiba que isso não é frescura. E não é falha de caráter.
É um padrão emocional que tem nome: ansiedade de apego. E ele aparece justamente nos lugares onde você mais gostaria de se sentir segura.
O que a pesquisa mostra sobre ansiedade de apego e vínculo terapêutico
Um estudo com 549 pessoas em atendimento psicológico investigou como a ansiedade e a evitação no apego (aquela necessidade intensa de proximidade misturada com medo de abandono) afetavam a aliança terapêutica: a relação de confiança entre você e quem te acompanha.
Os resultados mostraram algo importante. Pessoas com maior evitação no apego começavam a terapia com uma aliança mais fraca, mas conseguiam fortalecer esse vínculo nas primeiras quatro sessões. Já a ansiedade de apego não mostrou relação significativa com o fortalecimento inicial da aliança (Early alliance growth and changes in attachment styles in psychotherapy).
Isso quer dizer: se você sente que demora para confiar, que testa, que observa cada palavra da terapeuta, você não está "atrapalhando" o processo. Você está lidando com um padrão emocional real, que merece ser olhado com cuidado, não julgado.
O que acontece quando a ansiedade de apego encontra a terapia
Quando você carrega ansiedade de apego, o medo de ser abandonada, rejeitada ou decepcionada não desaparece na porta do consultório. Ele entra junto.
Você pode:
- Ficar hipervigilante a qualquer sinal de distância ou frieza.
- Duvidar de que a psicóloga realmente se importa.
- Sentir que precisa "se comportar bem" para não ser rejeitada.
- Testar o vínculo, faltando a uma sessão ou chegando atrasada, só para ver se ela vai desistir de você.
Nada disso é sabotagem consciente. É o seu sistema emocional tentando proteger você do que já doeu antes.
Por que o vínculo terapêutico importa tanto
A aliança terapêutica (essa sensação de que você pode confiar, de que está sendo vista e acolhida) é um dos elementos mais associados a mudanças no processo de terapia. Não porque ela "cura", mas porque oferece um espaço seguro para olhar o que dói.
E quando há ansiedade de apego, construir esse vínculo pode ser mais lento. Pode exigir paciência. Pode pedir que você diga, com palavras, o que está sentindo: "hoje eu não confio que você está me ouvindo de verdade".
E está tudo bem que seja assim.
Reconhecer o padrão já é um passo
Se você percebe que sua ansiedade no relacionamento se repete também na relação com a terapeuta, isso não é um problema a ser consertado às pressas. É uma informação valiosa.
É um convite para olhar: onde esse medo começou? O que ele está tentando te dizer? E, sobretudo: o que você precisa para começar a se sentir um pouco mais segura (dentro e fora da terapia)?
Na Abordagem Centrada na Pessoa, a escuta é sem julgamento. Não há pressa para "consertar" você. Há espaço para que você se reconheça, no seu ritmo, com suas defesas e medos.
E esse espaço, muitas vezes, é o que permite que a confiança (tão difícil de sentir) comece a nascer.
Luana Rocha
Psicóloga Clínica – CRP 01/30999
Abordagem Centrada na Pessoa
Atendimento presencial e online em Brasília
Perguntas frequentes
A ansiedade de apego pode atrapalhar a terapia?
Ela pode dificultar a construção inicial de confiança, mas também é parte do que pode ser acolhido e trabalhado no processo terapêutico, com paciência e sem pressa.
Como saber se minha dificuldade de confiar é ansiedade de apego?
Se você sente medo constante de ser abandonada, precisa de muita reasseguração e fica hipervigilante em relações próximas, vale conversar sobre isso com cuidado profissional.
Quanto tempo leva para confiar na terapeuta?
Não há prazo fixo. Para algumas pessoas, o vínculo se fortalece nas primeiras sessões; para outras, pode levar mais tempo. Ambos os ritmos são válidos.
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Se esse texto tocou em algo seu, os testes de autoconhecimento são um próximo passo gentil. Quatro temas, 3 minutos cada.
Fernanda Pessoa Ferro · Psicóloga Clínica · CRP 01/30999
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